Câmara avança para construção de ETAR´S sem subsídio do estado


– Depois de ter sido aprovado um incentivo de apenas 11% para o investimento em toda a rede de saneamento básico e águas do concelho, executivo decide avançar para a construção das novas ETAR´S com o seu pessoal.
– Entrevista com o vice-presidente da Câmara, Manuel Marques, dá pistas sobre o seu posicionamento futuro em relação a uma possível candidatura à Câmara

“Não vou deixar entregar o meu concelho a qualquer pessoa”

Um ano depois da tomada de posse da coligação PSD/CDS-PP à frente dos destinos do concelho, Manuel Marques, primeiro vice-presidente da Câmara do CDS-PP, fala-nos do momento actual da coligação, do presente e do futuro do concelho e faz o balanço deste primeiro ano de mandato, numa governação autárquica que goza de uma larga maioria em todo o concelho. Com a sua habitual frontalidade, não rejeita a possibilidade de suceder a Isaura Pedro como candidato a presidente da Câmara.

Que balanço faz deste primeiro ano do segundo mandato da coligação, à frente dos destinos do concelho?
Penso que foi um ano proveitoso. É um ano de início de mandato, onde estamos a arrumar a casa em relação ao mandato anterior, no sentido de equilibrar a vida autárquica. Penso que está a ser um ano com alguma prosperidade para Nelas, pois as obras ainda não pararam, estando a registar-se uma excelente colaboração entre a Câmara Municipal e os presidentes da Juntas de Freguesia do concelho, numa política de proximidade com a população, dando assim continuidade ao mandato anterior.
Sente-se, depois de ter sido nomeado vice-presidente da autarquia, o sucessor natural de Isaura Pedro?
Não passa por aí a minha perspectiva, até porque numa entrevista que vou dei no início deste ano, o que eu gosto mesmo de fazer é exercer advocacia. Agora também não irei deixar o concelho que me adoptou desde pequeno, a qualquer pessoa. Se eu entender que é necessário vir a terreiro para impedir que o concelho caia em más mãos, quando a Dra. Isaura sair, aí pensarei duas vezes e não coloco fora de hipótese uma candidatura à Câmara Municipal. Agora reafirmo o que já disse – contra a Dra. Isaura nunca me candidatarei, embora, como já disse anteriormente, não há casamentos para a eternidade. Mesmo que esta coligação se desfizesse, reafirmo que jamais me confrontaria em eleições contra a Dra. Isaura – simplesmente sairia de cena. Já em 2001 me candidatei a presidente da Câmara, por entender que era uma voz discordante em relação ao poder da altura. As pessoas dizem que o Manuel Marques tem um estilo arruaceiro, mas isto não é verdade – o Manuel Marques incomoda é com as coisas que diz, pelo seu conteúdo e não pela forma.
Como comenta as recentes declarações de Luís Pinheiro sobre a pretensão de Canas ter um lugar de destaque na lista da coligação à Câmara e pertencer assim ao executivo? O líder do Movimento disse também que a “luta poderá ser reatada”, que falta fazer muita coisa em Canas e que se foi o Movimento que colocou a coligação no poder, também a poderá de lá tirar …
Diz a história que Canas sempre teve um lugar no executivo – lembro-me do primeiro mandato de José Correia, com a AD, em que José Lopes de Canas estava no executivo. Depois com o Engº José Manuel o número dois era António Mouraz. Com José Correia de novo no poder, o número dois foi o Mota Veiga. Para mim isso nada é nada de estranho, sendo uma pretensão legítima. Penso que os machados de guerra, entre Nelas e Canas, já estão enterrados e a relação como um todo é boa. Hoje em dia e após 5 anos de trabalho em conjunto, a relação tem sido excelente com o Luís Pinheiro. Temos trabalhado como irmãos.
A polémica em torno da qualidade da água é um assunto que está a provocar apreensão na população. Afinal de que lado está a razão, sobre os testes de qualidade?
Infelizmente isso foi uma atoarda do Sr. Vereador do Partido Socialista, que infelizmente nada tem a ver com o PS que eu conheci, pois só faz uma política da terra queimada. Esta “rapaziada” que lá está, faz política de uma forma insolente, com a qual eu não compactuo. Eu concordo que tenha que haver oposição, mas tem que ser uma oposição credível, séria e honesta.Isso é apenas mais uma atoarda, como houve no mandato anterior, que levou à pior derrota do PS em Nelas, desde o 25 de Abril de 1974.
Voltando à questão da qualidade da água …as pessoas podem ficar descansadas?
Podem. Nós temos as análises do SESAB que dão a água em condições de ser consumida. Sabemos que os resultados das análises da autoridade de saúde conduziram a outros resultados – resta saber de os pontos da recolha deles, não tem água de outras origens, como poços ou furos. Isto foi mais um alarmismo que o PS quis fazer.

“Luís Cavaca não tem condições para continuar à frente do S.L. e Nelas”

Já disse publicamente que há duas coisas no concelho que tudo faria para evitar que acabem – as festas da sua terra e o Sport Lisboa e Nelas. Depois de ter estado iminente a extinção do Nelas, quais os factores que foram determinantes para se ter conseguido a continuidade do clube?
O S.L. nelas corre-me nas veias. Posso dizer-lhe mais – foi graças ao Nelas que o meu filho Hernâni se fez homem. E estou convencido que o S.L. e Nelas já fez e fará mais homens como o Hernâni. Tudo farei para que o Nelas não seja extinto e de facto ajudei o clube, com o apoio da Sra. Presidente da Câmara, para que fosse possível a sua participação nos diversos campeonatos da presente época desportiva. Foi-nos dados apoio financeiro, por parte de pessoas que não têm nada a ver com a Câmara, e fizemos acordos de pagamento para as dívidas com os jogadores e Federação Portuguesa de Futebol. Fizemos também já a escritura do terreno do S.L .Nelas, situado na Quinta do Pomar, que será dado como garantia real para o pagamento da dívida à segurança social. Questiono-me porque é que o vereador Adelino Amaral não moveu as suas influências junto do PS, que está no poder, para que as camadas jovens pudessem continuar, por exemplo através de um Instituto da Juventude.

Como viu o extremar de posições por parte do presidente do Nelas, que chegou a agredir o vereador Osvaldo Seixas?
Já o disse ao Cavaca – ele estragou tudo com essa atitude e não reúne neste momento condições para continuar à frente do SL e Nelas, devendo ser estudada uma alternativa, depois de todos os problemas estarem resolvidos, do clube e os pessoais dos dirigentes.

“Temos que deixar de ver a Câmara como a Santa Casa da Misericórdia”

Não considera que os cortes que foram feitos aos seniores dos diversos clubes, nas diversas modalidades, podem colocar em causa os objectivos traçados para esta época desportiva?
Posso ser crucificado pelo que vou dizer, mas esses cortes eram inevitáveis, atendendo à crise económica que vivemos. Veja que o estado reduziu as transferências para Nelas em cerca de 300 mil euros, este ano.Temos também que começar a ver a Câmara não como a Santa Casa de Misericórdia. Sobre essa questão dos cortes para os seniores, acrescento que os clubes têm também que gerar mais receitas, diversificando-as, pois a Câmara está em contenção de despesas.
Uma das áreas da vila que necessita de uma profunda requalificação e reorganização é a Quinta do Peso, onde habita a comunidade cigana em terrenos da autarquia. Existe alguma intenção do vosso executivo resolver esta situação? As construções junto ao quartel dos bombeiros estão licenciadas?
Está já feito o levantamento topográfico, para se conseguir ordenar urbanisticamente aquela área, com rigor, fazendo o seu licenciamento. Agora falo sinceramente e sem problemas – via com bons olhos que a comunidade cigana se fosse embora de Nelas
E a que se deve essa sua posição?
Embora os ciganos actualmente tenham moderado um pouco a sua conduta, pois os incidentes por exemplos nos cafés terminaram, a verdade é que eles têm que ter a noção que além de terem direitos, têm que cumprir deveres. Agora confesso que esta não é uma situação fácil de resolver.
Que obras mais relevantes tem actualmente em curso, nas diversas freguesias do concelho?
Em Nelas está a ser construído o centro educativo e a 2ª fase da variante. Nas freguesias e dada a excelente colaboração com os Srs. Presidentes de Junta, temos feito parcerias, que têm permitido que ainda tenhamos em curso obras em todas as freguesias. Há uma obra que acabámos de inaugurar, que tem um significado muito especial – a requalificação do quartel da GNR de Nelas, que tinha as piores instalações de todo o distrito, e que agora passa a ter a dignidade que merece.
Quando prevê a conclusão das obras da variante de Nelas e o arranque dos investimentos nas zonas industriais de Canas e Nelas? O tecido empresarial do concelho parece estar a recuperar bem da crise. Acredita que mais empresas poderão vir a instalar-se em Nelas?
Estamos também atentos a esta área, mas temos que ir devagar. Os nossos industriais, por quem eu tenho muita consideração e respeito, parecem estar a resistir muito bem à crise. Eles são a verdadeira mola de desenvolvimento do concelho. Recordo que em Nelas, exceptuando a Johnson não tivemos mais nenhum registo de fecho de empresas importantes, e há mesmo empresas que estão neste momento a admitir pessoal. Relativamente à instalação de novas empresas, estou optimista também neste aspecto. Na Câmara temos um gabinete de apoio ao empresário, e através dele temos continuado a comprar terrenos, para alguém que se queira instalar. A sra. Presidente tem entretanto feito algumas diligências para se captarem novos industriais – vamos ver o que vai acontecer.
Um dos problemas mais graves que o concelho enfrenta diz respeito ao saneamento básico, com diversos esgostos a correr a céu aberto. Quando a SIC esteve na Póvoa da Roçada prometeu que durante este mandato vão avançar para a resolução de, pelo menos, parte deste problema. Mantém esta promessa?
Infelizmente fizemos uma candidatura ao programa P.O.V.T. em que nos seria concedido um subsídio de apenas 11% do valor do investimento total, de cerca de 5 milhões de euros. Já falei entretanto com a Sra. Presidente da Câmara e iremos avançar com a construção da 3ª ETAR de Nelas, exactamente essa na Póvoa da Roçada, a ser feita mais uma vez pelos trabalhadores da Câmara Municipal, que mais uma vez vão demonstrar aos arautos da desgraça como se trabalha. Iremos para já avançar com o colector, para depois construirmos a ETAR, isto porque não podemos esperar mais tempo, dada a responsabilidade que todos os dias cai em cima de nós, o que está a acontecer com os esgotos, não somente ao nível de multas, mas também está em causa um problema de saúde pública. Lembro que somente no ano passado, colocámos mais de 10 mil metros de tubagens de saneamento básico no concelho, além das ETAR´s da Felgueira e da Urgeiriça. Ou seja, mesmo estas obras não sendo aquelas que dão mais votos, nós não nos movemos por este aspecto. Nesta área já investimos mais de 500 mil euros, nestes últimos anos.
Outro dos projectos que conta com o apoio da Câmara para poder funcionar em pleno é o que novo quartel dos bombeiros. Quando prevê desbloquear o subsídio para os bombeiros de Nelas poderem avançar para a conclusão das obras do quartel?
Para os bombeiros poderem avançar para a 2ª fase da construção do quartel, tem que estar totalmente liquidada a 1ª fase, devido à candidatura ao QREN. Esta obra não é minimamente aflitiva, pois já está orçamentada em cerca de 50 mil euros – temos que somente esperar a conclusão financeira da 1ª fase.
Considera que o empréstimo recentemente contratado de 7,5 milhões de euros irá resolver os problemas financeiros da autarquia?
Penso que sim, até porque temos as dívidas a fornecedores regularizadas até Agosto deste ano, e estamos em contenção geral de despesas, pois considero que se as famílias têm que fazer contenção, também as instituições do estado o têm que fazer. Julgo que daqui a algum tempo, estaremos uma situação financeira mais favorável.
Para quando prevê que se realizem eleições legislativas e qual o papel que o seu partido poderá desempenhar neste acto eleitoral e na resolução dos problemas que afectam o país? O líder do PSD já disse que conta com o CDS-PP …
Na minha opinião pessoal entre Maio e Junho de 2011 iremos de facto ter eleições legislativas. Já tive oportunidade de falar com o líder do meu partido, Paulo Portas, que acabou por votar contra o orçamento de estado, e a minha opinião era que se devia ter abstido. O que lhe posso dizer é que hoje em dia olho para a política nacional com uma intranquilidade terrível, pois quando olhamos para os nossos dirigentes políticos, só vemos é carreirismo político. A maior parte deles não conhece o país real, e não sabem as dificuldades por que passa o interior do país, por exemplo. Isto deixa-me muito preocupado.

Orçamento de 16,5 milhões evidencia 12 milhões de endividamento bancário

– Orçamento camarário para 2001 e Grandes Opções do Plano revelam 8,7 milhões de despesas correntes e 7,7 milhões de despesas de capital
– Encargos com pessoal ascendem a cerca de 5 milhões de euros em 2011

É um orçamento para 2011 que aposta na continuidade das opções estratégicas do actual executivo PSD/CDS-PP, aquele que foi apresentado há cerca de 15 dias em reunião de Câmara. Foi isto mesmo que a presidente da Câmara, Isaura Pedro, e o seu vice, Manuel Marques, fizeram questão de salientar, aproveitando mais uma vez esta oportunidade para prestar um “louvor” ao pessoal da Câmara. A autarca afirmou mesmo que “devemos ser das Câmara no país que regista menor absentismo, o que revela que as pessoas estão satisfeitas”. O vereador do PS, Adelino Amaral, subscreveu também estes elogios, dizendo que “não me custa nada reconhecer uma qualidade de serviço que classifico de muito apreciável”. O primeiro dos documentos a ser discutido neste reunião foi o mapa de pessoal para 2011. Osvaldo Seixas garantiu que o pessoal previsto para o próximo ano “é o mínimo possível para assegurar as responsabilidades da Câmara”, o que contrastou com a posição assumida pelos vereadores do PS, que consideram que o mesmo “representa um aumento de responsabilidades e encargos que só irão agravar a situação financeira da Câmara”. “Opomo-nos à ampliação do mapa de pessoal, sem sabermos as reais capacidades financeiras da Câmara”, rematou Adelino Amaral. Relativamente ao orçamento e grandes opções do plano, para 2011, Osvaldo Seixas, classificou-o de “equilibrado”, e lançou críticas ao governo PS por estar a “discriminar Nelas, por exemplo em relação a Mangualde, onde o estado vai investir cerca de 4 milhões de euros”. O orçamento de 16,5 milhões de euros, que prevê um endividamento bancário de 12 milhões e encargos com o pessoal de quase 5 milhões de euros, foi alvo de críticas por parte dos vereadores socialistas que, em declaração de voto, salientaram o facto de não terem tido acesso a documentos fundamentais para o interpretarem – “Em 4 de Novembro foram solicitados à Senhora Presidente da Câmara, alguns documentos contabilísticos, cuja análise, em nosso entender, é indispensável para a apreciação das propostas de Orçamento e das Grandes Opções do Plano para 2011.
Trata-se de mapas de execução orçamental e das GOPs e de balancetes das principais contas da contabilidade e de terceiros, que possam dar uma ideia da evolução mensal das referidas execuções e da situação patrimonial e endividamento da autarquia perante terceiros.
Tal informação financeira, em nossa opinião, deveria ser facultada à Câmara todos os meses, como aliás mandam as boas normas contabilísticas e decorre do espírito da lei.
A Senhora Presidente da Câmara negou o acesso a esses documentos, invocando indisponibilidade dos serviços”, criticaram, para acrescentar que “entendemos que a omissão de informações desta natureza indicia uma situação financeira difícil, mesmo após o recurso a um plano de saneamento financeiro, expressa aliás no endividamento bancário de quase 12 milhões de euros”. Os dirigentes do PS sublinham no entanto que “o nosso voto contra não significa, de forma alguma, qualquer oposição à realização de projectos e investimentos, que apenas pecam por escassos, tendo em conta o valor global do Orçamento, limitado pela inclusão de despesas que ocorreram em anos anteriores, no Orçamento e GOPs de 2011”.

Fundação Lapa do Lobo debateu a reabilitação da arquitectura popular Portuguesa


– Arquitectos convidados para a conferência foram unânimes em acreditar nas recuperações “economicamente viáveis”

Foi um encontro intimista, que prendeu a atenção de auditório cheio de público interessado na temática da reabilitação da arquitectura tradicional Portuguesa. A conferência/debate, realizada pela Fundação Lapa do Lobo, na sua sede, realizou-se no passado dia 29 de Novembro e foi antecedida pela apresentação do filme ““Casas Adormecidas – um passado com futuro” realizado por José Cunha e Ana Pissarra, com o apoio da Fundação, que passa em revista algumas importantes e emblemáticas recuperações, incluindo a do próprio edifício sede da Fundação. A primeira oradora foi uma das arquitectas responsáveis pela reabilitação do centro histórico da cidade berço, Guimarães. Com um projecto ambicioso, por ser a capital Europeia da cultura em 2012, esta intervenção tornou-se num autêntico “caso de estudo”. Alexandra Giestas, defendeu “as recuperações arquitectónicas viáveis economicamente, com base numa economia saudável”. Colocando a tónica nas pessoas, acredita que são elas que “valorizam os território”, elas e “a sua felicidade”. Outro dos convidados, foi o arquitecto Canense, Pitum Keil do Amaral, que considerou serem “poucas e recentes” as tentativas de reabilitar a arquitectura popular. “Só o turismo para impulsionar as construções antigas”, disse, enaltecendo a obra levada a cabo pela Fundação Lapa do Lobo, considerando-a “um excelente exemplo de recuperação arquitectónica”. Elencando alguns outros exemplos, neste caso mal sucedidos, por “não serem postos em prática, por falta de dinheiro”, o arquitecto Canense lamentou “a grande falta de sensibilidade nesta área”, onde ainda há muitos “obstáculos a ultrapassar”, pois urge “convencer as pessoas que as casas antigas não estão necessariamente associadas à miséria”. Já João Ferrão, professor Universitário e antigo secretário de estado do ordenamento do território e cidades, revelou que “temos em Portugal um milhão de casas vazias”, defendendo que “devemos passar para um patamar que preserve a dignidade do passado”. Para se alcançar este objectivo, enunciou as três camadas de R´s, que no seu entendimento devem constituir um guia de acção. Reconstruir e Reabilitar. Refuncionalizar e Revitalizar. Respeito e Reconhecimento recíproco. Tudo isto será tanto mais difícil quanto maior for o universo, ou seja “mais difícil de alcançar numa cidade do que numa casa, por exemplo”. Todo o esforço, deve contudo ser acompanhado por uma “economia saudável”, onde é fundamental “encontrar uma nova função para o mundo rural”, que, no seu entendimento, terá “um papel central na actividade económica”. Para que tudo isto seja uma realidade, é necessário “todas as entidades andarem de mãos dadas”. O arquitecto citou também, como exemplo bem sucedido, a parceria entre a Junta da Lapa do Lobo, a Fundação Lapa do Lobo e a Câmara Municipal, que tem proporcionado um excelente exemplo de requalificação. Em jeito de homenagem aos responsáveis pela Fundação, terminou deixando-lhes uma mensagem “esperança não é aquilo que gostaríamos que acontecesse um dia, esperança é dar sentido às coisas”.

Criada a unidade de cuidados da comunidade em Nelas

Foi no passado dia 19 de Novembro, que teve lugar no auditório do edifício Multiusos de Nelas a Cerimónia da Assinatura da Carta de Compromisso que estabelece o bom funcionamento da Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) de Nelas, a primeira a ser homologada no ACES DÃO LAFÕES III e no distrito.
A coordenadora da unidade, enfermeira Manuel Salgueiro, apresentou a nova estrutura sob o lema “Nelas com mais saúde”, expondo quais os seus obejctivos. De entre estes, destacam-se “a prestação de cuidados de saúde de qualidade,com o tempo de resposta adequado e ao menor custo possível”, isto rumo à “excelência”. A operacionalização da equipa de cuidados continuados integrados é outro dos desígnios da nova unidade, que promoverá ainda “a saúde no meio escolar”, assim como irá interagir com a rede social local, designadamente com a C.P.C.J., actuando na intervenção precoce na infância e na integração na sociedade dos beneficiários do rendimento social de inserção. José Craveiro, director do agrupamento Dão Lafões III, presente na cerimónia, aproveitou a oportunidade para saudar a “primeira unidade de cuidados da comunidade a ser constituída no nosso agrupamento”. Num contexto de “grandes mudanças na saúde, é nestas unidades que irá assentar no futuro o serviço nacional de saúde”, afirmou em Nelas o responsável pela direcção da saúde na região. “Nelas é o concelho que mais à frente está no nosso agrupamento”, fez saber José Craveiro, mencionando os exemplos da “unidade de saúde familiar e da unidade de cuidados da comunidade, que já entraram em funcionemento, indicando o início de 2011, para a inauguração das obras de beneficiação do centro de saúde de Nelas. “O que será importante em todas estas mudaças é a população sentir os seus benefícios práticos”, enfatizou em jeito de conclusão. Já a presidente da Câmara, Isaura Pedro, médica e antiga directora do centro de saúde de Nelas, sublinhou que “este é um dia grande para a nossa comunidade, cumprindo-se um sonho de há alguns anos”. A autarca, que fez questão de deixar uma palavra de confiança na reforma actualmente em curso, dela esperando “um benefício para o utente”, manifestou todo o “apoio da Câmara, para que seja criada uma situação de cada vez maior proximidade com os utentes”.

Director do agrupamento acredita na manutenção do SAP no centro de saúde de Nelas

À margem da cerimónia de criação formal da unidade de cuidados da comunidade, o
director do agrupamento de Dâo Lafões III, José Craveiro, falou ao nosso jornal da actual situação da saúde no concelho, nomeadamente do eventual encerramento da urgência em Nelas, situação que está a causar bastante apreensão nos utentes do serviço e na população em geral. Este responsável aditantou ao nosso jornal não haver qualquer indicação no sentido do encerramento deste serviço de atendimento, ainda que admitindo “no futuro alterações, devido principalmente à análise dos dados estatísticos sobre o número de utentes do serviço”, dando como exemplo o caso de Santa Combra Dão, onde “em muitos dias se registam zero utentes no serviço”.

Centro Clínico e Dentário de Nelas aposta numa nova abordagem integrada de cuidados de saúde


– Andreia Almeida é a promotora de um projecto inovador na área da saúde em Nelas que abre amanhã na Quinta do Pomar

Situado na Quinta do Pomar, em Nelas, o novo Centro Clínico e Dentário, dirigido pela médica-dentista, Andreia Almeida, nasceu da vontade de preencher uma “grave caluna que existe no concelho em termos de saúde, incluindo a saúde dentária”. Filha da terra, confidencia-nos que desde muito pequena sonhava ser médica-dentista. Tirou o curso naquela que é considerada a melhor escola Ibérica da especialidade, no Porto, passou pelo Algarve mas o seu desejo era mesmo “regressar à terra Natal”. Com uma notável determinação, revela-nos que “estes projectos integrados de cuidados de saúde são para ser implementados onde fazem falta, no interior, e não nos grandes centros, onde nada acrescentam”. Andreia Almeida sabe bem o terreno que pisa e para onde caminha “os médicos dentistas ainda são vistos como mecânicos, o que é urgente combater e desmistificar, pois as pessoas não têm noção de que uma dor forte numa perna ou num dedo, podem ser provocadas por um nervo de um dente”.
Rastreio gratuito será outra das grandes apostas
Por tudo isto, pretende aliar à medicina dentária a medica geral, fazendo em todas as situações um rastreio gratuita aos pacientes que entrarem na sua clínica, isto num gabinete médico fora da sala dentária. Ou seja “as pessoas esquecem-se que a medicina dentária é uma área da saúde, e não podemos colocar um paciente na cadeira, sem antes avaliar exaustivamente o seu historial clínico”, tudo isto, de forma gratuita na primeira consulta e “demore o tempo que demorar”. Uma autêntica pedrada no charco, que pretende “apostar no paciente de longo prazo” e não na perspectiva “imediatista do lucro”. Uma das mais valias da clínica é sem dúvida também o excelente espaço, com todas as exigência legais a serem cumpridas, designadamente na questão da acessibilidade, pois toda a clínica está preparada para pessoas com mobilidade reduzida.O projecto foi elaborado pelo gabinete de arquitectura de José Peres. O estacionamento fácil é também outra vantagem da sua localização. A clínica pretende oferecer cuidados de saúde integrados, que vão desde vários médicos especialistas, principalmente nas áreas vitais (cardiologia, pediatria, urulogia e medicina interna). Também existirão serviços de enfermagem e análises clínicas, neste caso através da parceria com o laboratório do conceituado Germano e Sousa. Nas mais de 3 horas de conversa que mantivemos com Andreia Almeida, tivemos a clara percepção, até relatando casos pessoais, que quem se dirigir à sua clínica, terá uma competente e eficaz resolução do seu problema, ou pelo menos, o encaminhamento correcto, por exemplo no caso de necessidade de uma intervenção cirúrgica, pois irá colaborar “com excelentes especialistas”. A excelência é mesmo o caminho que quer trilhar – no futuro pondera investir na área da imagiologia (grande lacuna nos concelhos à volta de Nelas), cuidados ao domicílio e na pedagogia que pretende fazer, através de seminários, idas a escolas e lares. Este é de facto o caminho da excelência, que tanta falta faz num interior deprimido e cada vez mais isolado.

Antiga fábrica de sabões em Vilar Seco alvo de buscas


– Núcleo de Investigação Criminal de Mangualde apreende 8 viaturas roubadas

A acção levada a cabo por cerca de duas dezenas de agentes do NIC de Mangualde decorreu na passada Terça Feira pela manhã, nas instalações de uma antiga fábrica de sabões, situada junto à Quinta da Cerca, em Vilar Seco. A operação teve por base uma investigação que decorria há diversos meses, sobre um indivíduo, ao que apurámos, residente em Nelas há diversos anos e sobre o qual recaem suspeitas de fruto, falsificação e viciação de viaturas. Fonte por nós contactada, confirmou ao nosso jornal que era comum ver o suspeito com diversas viaturas diferentes, com matrícula Alemã, a circular na vila, tendo alegadamente chegado mesmo a abandonar uma delas junto a um posto de abastecimento de combustíveis em Nelas. Apurámos ainda que é sócio de diversas empresas. Diversos agentes de postos da GNR das redondezas e também da polícia judiciária, colaboraram nas diligências, que resultaram na apreensão de oito viaturas, a saber, uma Mistsubishi Canter, uma Iveco Daily, 3 tractores, 1 camião, uma Renault Masters e um ligeiro de passageiros Mercedes. Para estas duas últimas viaturas existiam pedidos de apreensão pendentes emitidos pelo Ministério das Finanças e diversas delas tinham matrículas falsas. Todos os veículos estavam em bom estado de conservação, com um valor estimado de mais de 200 mil euros. A acrescer a estes bens, estava também material de aquecimento que tinha sido roubado na zona de Lisboa, no passado mês de Agosto. Foram também identificados vários indivíduos.

Jantar de Natal do ABC reúne 330 pessoas


– Maior jantar de Natal do concelho e um dos grandes eventos realizados em Nelas consagrou os novos campeões da maior colectividade do distrito
São já 22 títulos, 2 500 associados, 250 atletas federados, em 12 escalões de duas modalidades (andebol e futsal), dos 4 aos 50 anos. Este é o resumo que torna o ABC de Nelas no maior clube do distrito de Viseu. Foi isto mesmo que o seu Presidente, Joaquim Amaral, fez questão de relembrar durante o jantar, realizado no passado Sábado, que serviu também para homenagear a título póstumo uma grande amigo e apoiante do clube, desaparecido recentemente – Rui Neves, que Amaral classificou de “grande Nelense e que muitas saudades deixa”. O evento natalício do ABC constitui uma grande oportunidade de convívio entre adeptos, sócios, simpatizantes, familiares, atletas, dirigentes e patrocinadores da colectividades, e na presente edição contou com a presença de 330 pessoas. Como é habitual as equipas que mais longe foram em termos desportivos, na temporada transacta foram também homenageadas. Desta vez foram homenageados, com a entrega dos troféus e respectivas faixas, os Iniciados de Andebol, 4º classificados no nacional da modalidade e os Juvenis de Futsal, que além de campeões distritais, foram vice-campeões nacionais. Presentes na cerimónia estiveram os presidentes da Associação de Futebol de Viseu e da Associação distrital de Andebol, que entregaram os troféus e as faixas, conjuntamente com o vereador da Câmara de Nelas, com o pelouro do desporto, Osvaldo Seixas, que aproveitou a ocasião para enaltecer todo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo ABC de Nelas. “É com muita honra e orgulho que estou presente no maior jantar de Natal realizado no concelho”, afirmou Osvaldo Seixas, para classificar o ABC como “a Associação mais viva do concelho”. O vereador destacou ainda o facto do clube “ter sempre as contas em ordem” e rematou dizendo que “no ABC o subsídio que a Câmara dá é investido e não gasto”.
ABC lança caderneta de cromos com os seus atletas
O ABC mais uma vez vai inovar. Desta vez o final do ano, ficará marcado pelo lançamento de uma caderneta de cromos, com todos os atletas do clube, a ser colocada à venda ainda em Dezembro, em locais a definir. O seu custo será de 2,5 euros, e cada saqueta de cromos custará 1 euro. A ideia é que todos os interessados terminem a colecção, logo poderão trocar os cromos na sede do clube, para que concretizem a colecção completa, que custará 30 euros.

Recuperação da Igreja da Santa Casa de Santar está concluída


A Igreja da Misericórdia de Santar, à semelhança de outras no Concelho, entre elas a própria Igreja Matriz de Santar, vinham sentido a necessidade premente de obras para evitar a sua degradação.
Foi agora possível, por iniciativa da actual Mesa Administrativa e da sua Provedora, com meios financeiros próprios e sem apoios oficiais, concretizar esta intervenção, que constituía uma preocupação e era ansiada pelos populares e pela própria Santa Casa.
A presente intervenção revelou-se pormenorizada e minuciosa, no sentido de responder a todas as exigências do IGESPAR, entidade que tutela os monumentos nacionais, e com o objectivo último de preservar toda a sua construção e manter a integridade de um edifício datado do século XVII, ex-libris da Vila de Santar e de todo o Concelho de Nelas.
As obras de reabilitação iniciaram-se com a substituição integral do telhado e de toda a estrutura, em madeira. Incluíram a renovação total do sistema eléctrico, da iluminação interior e exterior, bem como a reabilitação das madeiras dos Coros laterais. Com um toque de modernidade e a pensar no conforto das pessoas, foi instalado um sistema de som e feita a automatização dos seculares sinos da torre, cuja recuperação foi também feita a rigor.
E foi com o repicar alegre dos sinos que se anunciou o fim das obras.
No passado dia 13 de Novembro, em cerimónia pública, que contou com a presença da Presidente e Vereadores da Câmara e Presidente da Assembleia Municipal, representantes de instituições várias e associações locais, a Senhora Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Santar, Infância Pamplona, anunciou o fim das obras de reabilitação e a reabertura da Igreja à comunidade.
Convidados, Irmãos da Santa Casa e muitos amigos, assistiram, no Salão da Provedoria, às palavras que, com muita emoção, a Senhora Provedora endereçou aos presentes, transmitindo a alegria da data presente e todo o simbolismo a ela inerente, para Santar e para o Concelho de Nelas. Complementou as suas palavras com uma mostra fotográfica, em que foi destacado o antes e o depois de tão minucioso processo.
Seguiu-se uma visita Igreja, tendo aplauso unânime a qualidade da intervenção. Para brindar o momento foi oferecido um dão-de-honra e algumas iguarias confeccionadas pelas colaboradoras da instituição, que também marcaram presença cantando no coro da missa que se seguiu.
O simbolismo desta obra prende-se com o reerguer de um marco concelhio, de um bem cultural à disposição de toda a comunidade e principalmente do povo de Santar.
A recuperação deste edifício não está ainda completa. Com um brilho nos olhos, Infância Pamplona falou-nos de projectos para o futuro e da ambição de restauro da Arte Sacra, incluindo altares e inúmeras peças seculares, bem como da recuperação de toda a talha dourada.
Obras caras, para as quais conta com os apoios que agora faltaram. De instituições governamentais e autárquicas, de empresas e da comunidade.
Note-se que a gestão desta Instituição, nos últimos três anos, conseguiu ultrapassar inúmeros contratempos, alguns deles também no decurso desta obra, sendo que, sob a direcção e com a visão estratégica e inteligente da sua Provedora, culminaram numa recuperação financeira, que permitiu apostar na presente intervenção.
Terá custado mais de cem mil euros, sem quaisquer apoios oficiais, mas também sem derrapagens financeiras ou atrasos de execução.

Infância Pamplona reconduzida como Provedora da Santa Casa de Santar

O apreço e reconhecimento do povo de Santar e dos Irmãos da Santa Casa, pelo trabalho, competência e dedicação de Infância Pamplona, ficaram bem patentes na votação massiva e na expressão da sua eleição para um novo mandato à frente dos destinos da Misericórdia.
O acto eleitoral decorreu no passado dia 21 de Novembro, contou com um número recorde de 200 votantes e praticamente a unanimidade de votos favoráveis.
A vitalidade desta instituição está bem patente na importância do lugar que Infância Pamplona ocupa no Secretariado Nacional da União das Misericórdias Portuguesas, mas também na qualidade dos serviços que presta e no seu reconhecimento, como foi o caso da obtenção do primeiro prémio num recente concurso de obras de expressão plástica, em que participaram instituições de todo o distrito.
Estão de parabéns a população de Santar, a Santa Casa da Misericórdia, a sua Mesa Administrativa e a sua Provedora, agora reeleita.

Vítima de doença do sangue Rui Neves falece aos 67 anos



– Figura de grande prestígio no concelho e na região deixa o concelho mais pobre politicamente

Um histórico do PS de Nelas e um dos militantes mais antigos do partido no distrito de Viseu, Rui Neves esteve na ribalta da vida autárquica, foi assessor do governador civil Inês Vaz e chegou mesmo a deputado. Actualmente era deputado municipal pelo seu partido de sempre. Vítima de doença sanguínea, faleceu no passado dia 8 de madrugada, com 67 anos, depois de ter estado alguns dias nos cuidados intensivos do hospital da Universidade de Coimbra, por ter feito uma hemorragia, na sequência de um processo de cateterização.
O histórico militante socialista, esteve sempre na linha da frente do combate político, tendo sido uma personalidade com um capital de prestígio que ia muito para além das fronteiras partidárias, sendo muito respeitado inclusive pela actual coligação PSD/CDS-PP. Isaura Pedro, presidente da Câmara, num depoimento ao nosso jornal, salientou a “grande perda para a nossa terra que vê desaparecer um dos seus filhos mais capazes“, ao mesmo tempo que considerou Rui Neves “um homem dotado de uma inteligência política admirável e de uma perspicácia refinada como se demonstrou pelo seu longo percurso político. Mas, nesta hora triste, saliento sobretudo a perda do homem de carácter e do amigo que ele sempre foi”, acrescentou. “Apesar das divergências políticas que se foram acentuando ao longo dos anos, mantivemos sempre um relacionamento de amizade sincera e de grande elevação que preservarei sempre com grande estima. À família endereço o mais profundo e sentido pesar”, enfatizou a autarca do PSD. Também o vice-presidente da Câmara, Manuel Marques (CDS-PP), recorda o seu professor de educação física ,ainda no liceu, como um “homem bom e de princípios”, considerando que “o concelho fica a perder”. “Perdi um grande amigo e que a sua alma descanse em paz, porque ele merece – era amigo do seu amigo e uma pessoa de uma integridade notável”, diz-nos emocionado.
Colunista do nosso jornal desde a sua fundação em Outubro de 2006, Rui Neves era provavelmente o fazedor de opinião mais respeitado em todo o concelho. Os seus artigos acutilantes, revelando um profundo conhecimento da realidade concelhia, eram apreciados e respeitados por personalidades de todos os quadrantes políticos. Era vulgar as suas opiniões serem citadas em reuniões de Câmara ou noutros eventos de cariz político. Mesmo em relação ao nosso jornal, sempre foi um conselheiro precioso, revelando uma inteligência e cultura que muito enriqueceram o nosso trabalho jornalístico, tendo sido um privilégio para nós convivermos ao longo destes 4 anos com um verdadeiro DEMOCRATA e um homem com H grande. Muito do sucesso do nosso jornal, também o devemos a Rui Neves, que de forma entusiasta nos deu sempre um forte apoio, mesmo nos momentos mais difíceis por que passamos. A ele e à sua memória o nosso profundo agradecimento e reconhecimento póstumo.
Numa grande entrevista que nos concedeu a 8 de Outubro de 2008, Rui Neves passou em revista os momentos principais da sua vida política e cívica. “Desde os meus tempos de estudante na Universidade que estou na vida política activa. Esse foi um dos primeiros momentos, dado que estive na crise de 1962 e cheguei mesmo a ser expulso da Universidade durante dois anos. Após a inscrição no PS, em 8 de Maio de 1974, estive no 25 de Abril e esse foi para mim o momento mais marcante, tendo contribuído decisivamente para a implantação do PS no concelho de Nelas. Foi um período de que gostei particularmente. Tive ainda outras participações, de que saliento o facto de ter sido deputado pelo PS, e a actividade autárquica, de que gostei muito e penso tê-la desempenhado com algum competência e eficácia, quer na Câmara Municipal como vereador (de 1998 a 2005), com responsabilidades na educação, desporto e cultura, quer como membro da Assembleia Municipal, onde por exemplo liderei com sucesso o PS no processo da Topack, que envolvia suspeitas infundadas de corrupção contra o ex Presidente da Câmara”, disse-nos na época. Sobre a sua participação activa num dos principais momentos da história do concelho – a tentativa de Canas se elevar a concelho – foi peremptório “não me arrependo da nada. Obviamente foi uma luta que custou muito, dado que dividiu pessoas e instituições. Foi uma luta difícil e dolorosa. Aquilo que nós defendemos, ou seja a integridade do concelho, fizemo-lo não por “birra”, mas devido à nossa concepção daquilo que é o poder local. O concelho é muito pequeno e dividido ficaria sem meios, sem autonomia, vivendo sempre de chapéu estendido à procura de uma benesse. No caso de Nelas ainda com a agravante de ter que suportar a manutenção de meios e equipamentos que foram pensados para uma estrutura muito maior. Desde 1998 até 2003 foi uma questão transversal a toda a actividade autárquica”.
Agora o concelho fica mais pobre e órfão de um dos grandes políticos de todo o distrito, o que valeu nas exéquias fúnebres a presença de destacados políticos, como o governador civil de Viseu, Miguel Ginestal e o secretário de estado da Administração Local, José Junqueiro, para além da presidente da Câmara, Isaura Pedro e do líder do PS local e grande amigo, Adelino Amaral, actualmente também colunista no nosso jornal.
Depois da missa de corpo presente, celebrada na igreja matriz de Nelas, o corpo de Rui Neves foi a enterrar no cemitério local, na passada Terça Feira, perante a presença de largas centenas de pessoas.

Isaura Pedro reeleita líder do PSD Nelas e Luís Pinheiro é o novo vice-presidente

Decorreram no passado dia 5 as eleições para a Mesa da Assembleia e da Comissão Política da Secção de Nelas do PSD.
Ao acto eleitoral apresentou-se uma lista para cada órgão, tendo as mesmas sido encabeçadas pelos actuais Presidentes, Prof. Dr. Benjamim Pedro, para a Mesa da Assembleia e Dr.ª Isaura Pedro para a Comissão Política, que foram assim reeleitos.
Votaram 75% dos militantes com capacidade eleitoral.

LISTA DA MESA DA ASSEMBLEIA DE SECÇÃO DO PSD DE NELAS

Presidente Benjamim João da Silva Pedro
Vice-Presidente António Manuel da Silva Liberato
Secretária Alexandra Sofia da Costa Pinto
Suplente António Manuel Rodrigues

LISTA DA COMISSÃO POLÍTICA DE SECÇÃO DO PSD DE NELAS

Presidente Isaura Leonor Marques Figueiredo Silva Pedro
Vice-Presidentes Osvaldo Luís dos Santos Coelho Seixas
Luís Manuel Abrantes Pinheiro
Rui Manuel Simões da Costa
Luís Augusto Pinto Ribeiro
Tesoureira Arlete da Luz Vaz Freixo Garcia
Vogais António Luís Lopes dos Santos
António Manuel Fernandes das Neves
António Manuel Pais de Figueiredo
António Morais Amaral Rodrigues
Artur Jorge Santos Ferreira
Hernâni César Salvador Marques
Pedro António Figueiredo Moreira
Simão Pedro Vieira Monteiro
Suplentes Daniel Paulo Abrantes Marialva
Jorge Paulo Pais de Loureiro Ramos
Cristina Maria Pina Simões

Ex trabalhadores da ENU voltam a denunciar desprezo pelo estado

Familiares e antigos trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio (ENU) deslocaram-se aos centros de saúde para dar início a consultas programadas. Ninguém sabia de nada. António Minhoto, porta-voz dos trabalhadores, denúncia “desprezo” pela lei.

foto JOSÉ MOTA/GLOBAL IMAGENS

Viúvas de antigos trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio

Ao Centro de Saúde de Nelas chegaram, às nove horas em ponto, três viúvas de mineiros. Iam para uma consulta programada no âmbito da Lei 10/2010, que alargou aos familiares dos antigos trabalhadores da empresa uranífera acompanhamento médico periódico e tratamento gratuito. No balcão de atendimento, ninguém sabia de nada.
“Não estou a perceber isto. Tínhamos a indicação de que as consultas começavam esta segunda-feira”, lamentou Maria Adelina dos Anjos, de 53 anos, que há quatro perdeu o marido, antigo mineiro da Urgeiriça, vítima de cancro do pulmão.
“Nunca recebi um tostão. O meu homem morreu aos 54 anos, por causa de ter trabalhado no fundo da mina de Vila Ruiva, em Senhorim, e nunca deram qualquer indemnização à família. Vivo com uma pensão de sobrevivência de 140 euros”, queixa-se a mulher.
O desalento é partilhado por Maria de Jesus Borges, de 59 anos, e por Maria Madalena Lopes, de 62. As três têm em comum o facto de serem viúvas de trabalhadores da extinta ENU e de terem sido “obrigadas pela vida” a criar os filhos com uma “pensão de miséria”.
A promessa de acesso a consultas gratuitas, para despistar doenças cancerosas, animou as viúvas. Ontem foi a frustração. “Os nossos maridos morreram de cancro. Temos razões para ter medo. Mas, pelo vistos, ainda não é hoje [ontem] que seremos atendidas”, queixa-se Maria de Jesus.
“É uma falta de respeito para com as cerca de mil pessoas, antigos mineiros e suas famílias, que se deslocaram aos postos de saúde da sua área de residência, baseados numa informação da Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) que anunciava para ontem o início do processo”, denuncia António Minhoto, porta-voz da Comissão de Antigos Trabalhadores da ENU.
O antigo trabalhador, que ontem esteve também no Centro de Saúde de Nelas, acusa as entidades de andarem há cinco meses a “empaliar” o início das consultas. “Estamos fartos de adiamentos. Exigimos que a lei seja cumprida de uma forma simples, sem burocracias e sem filas de espera”, avisa Minhoto.
O dirigente lembra que em 2007, quando foi implementada a primeira fase da lei que garantia assistência médica apenas aos antigos trabalhadores, também houve problemas. “Tivemos de ser nós a pôr a máquina a funcionar. Agora estamos na mesma”, lamenta António Minhoto. Que promete levar o problema aos grupos parlamentares na Assembleia da República.
José Craveiro, responsável pelo Agrupamento de Centros de Saúde Dão Lafões III, fala em “confusão”. “O ofício dava apenas conta do início do processo em 25 de Outubro, data a partir da qual os potenciais beneficiários deveriam contactar os serviços através dos números de telefone indicados. Antes das consultas, é preciso ver quem tem direito à assistência programada”, justifica.

Análises de qualidade da água no concelho revelam resultados contraditórios




– De acordo com as análises periódicas da Câmara, feitas pelo CESAB, a água distribuída pela rede pública é própria para consumo, enquanto as análises efectuadas pela autoridade sanitária dão resultado negativo, para grande parte dos pontos do concelho, devido à presença de bactérias
É um tema que está a gerar uma profunda controvérsia no concelho. A qualidade da água distribuída aos residentes, nalguns pontos do concelho, poderá conter um nível de bactérias que a tornam imprópria para consumo, de acordo com as análises efectuadas pelo centro de saúde de Nelas. Os resultados destas análises, relativos aos últimos meses, estão afixados no próprio centro de saúde. Este assunto teve maior repercussão pública, na sequência do artigo de opinião que o líder local do PS e vereador, Adelino Amaral, publicou na última edição do nosso jornal. A importância do tema, levou a que o vice-presidente da Câmara, Manuel Marques, o levasse à discussão na reunião de Câmara realizada no passado dia 26 de Outubro. O também vereador do CDS-PP acusou o líder socialista de ser “o único a alarmar a população”, pois colocou em causa “os relatórios do CESAB, que tornámos públicos”. Adelino Amaral respondeu, já num tom bastante acalorado que “se o Sr. vereador tinha as análises não as guardasse no fundo da gaveta”, análises essas que “contrariam as afixadas no centro de saúde, que dão a água como imprópria para consumo em diversos locais do concelho”. A discussão acabou por trazer a lume questões de outros tempos da política concelhia, com Manuel Marques a devolver a acusação de guardar informação a Amaral “o Sr. é que guardava a informação quando era vereador no poder, como no caso dos Valinhos”. Por seu turno, o vereador socialista, ripostou dizendo que Marques é que estava no poder, ao lado de José Correia, e andou “muitos anos a viver à conta do orçamento camarário”.
Técnicos dão possível explicação para a situação
A investigação que entretanto levamos a cabo deu algumas pistas que podem explicar os resultados contraditórios das análises. Os técnicos que consultámos dizem-nos que é possível suceder esta situação devido “a nalguns pontos, por exemplo, as canalizações serem antigas o que provoca a presença de bactérias”. Ou seja, dependendo dos locais onde são feitas as recolhas, poderão existir estes resultados, que poderão assim estar relacionados com a forma como é feito o abastecimento para cada local. Contactado pelo nosso jornal, o delegado de saúde de Nelas, adiantou que os resultados foram remetidos para a Câmara Municipal, que por sua vez atestou da credibilidade das análises que encomenda ao SESAB (centro de serviços do ambiente), como nos confirmou o vice-presidente da Câmara, Manuel Marques, que encontra uma possível explicação para esta divergência – “a mistura de águas nalguns pontos, oriundas de furos ou poços particulares”.

Ex ministro Arlindo Cunha assume presidência da Comissão Vitivinícola do Dão


Garantir a unidade e coesão institucional, velar pela qualidade dos produtos, reforçar as estratégias de promoção e marketing, ocupar o espaço de representatividade e reivindicação sectorial, agilizar serviços e revitalizar a investigação e desenvolvimento dos Vinhos do Dão, são os principais compromissos que o novo Presidente da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Dão, Arlindo Cunha, assume à frente da Comissão Vitivinícola Regional do Dão.

Na cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos sociais da CVR Dão, realizada no Solar do Vinho do Dão, em Viseu, na passada Quinta Feira, Arlindo Cunha elencou os objectivos da primeira direcção eleita na história da instituição, que exercerá funções no triénio 2010/2013.

Tendo por objectivo transversal “unir a Região Demarcada do Dão em torno de um projecto mobilizador que a consolide no pelotão da frente das regiões demarcadas portuguesas”, o Presidente da CVR Dão desafiou os diferentes protagonistas do sector para “um compromisso estratégico” que resulte na qualidade dos produtos, considerando tratar-se da “única via de criação colectiva de valor para todos”.

De forma a associar ainda mais a qualidade aos Vinhos do Dão, a nova direcção da CVR Dão propõe-se realizar “um trabalho estruturado e profundo de comunicação e marketing”, que se revele capaz de “recuperar a histórica imagem identitária do Dão como região produtora de vinhos de excelência” fazendo com que a Denominação de Origem Dão “seja uma mais-valia efectiva nas vendas das empresas”.

“O Dão precisa mais do que nunca de se virar para fora do seu próprio espaço”, alertou Arlindo Cunha, para logo realçar que “o interesse individual está profundamente dependente do interesse colectivo: se a marca (Dão) se valorizar, todos ganham”.

Outra linha do programa de acção da nova direcção da CVR Dão consistirá “na investigação e experimentação com vista à melhoria das vinhas e dos vinhos da região”, estando em agenda o estabelecimento de contactos com o Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas e o Instituto Politécnico de Viseu “para constituição de uma parceria capaz de transformar o Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão num verdadeiro centro de Investigação e Desenvolvimento – como já foi no passado – com capacidade de servir os interesses de todos os vitivinicultores da região”. À margem da cerimónia, Arlindo Cunha, afirmou à agência Lusa, querer o “do “vazio” na investigação ligada ao vinho e à vinha Em entrevista à agência Lusa, o antigo ministro da Agricultura de Cavaco Silva considerou que o Dão “teve durante muitos anos talvez o melhor centro de experimentação e de investigação vitivinícola”, mas que agora está a necessitar de ganhar “um novo impulso, uma nova vida”. “Infelizmente, o Ministério da Agricultura tem vindo a desinvestir no Centro e, nesta altura, há um vazio muito grande na região em termos de investigação ligada à vinha e ao vinho”, frisou o também viticultor de Tábua. “Sem investigação, numa região como esta não pode haver ambição”, concluiu.

Agilizar os serviços que a CVR Dão presta aos agentes económicos e “participar activamente em todo o espaço de representatividade e de reivindicação existente no quadro da organização institucional do sector, quer a nível das estruturas associativas, quer no quadro dos organismos públicos, quer a nível nacional, quer da União Europeia” foram outras premissas anunciadas por Arlindo Cunha.

O novo Presidente da Comissão Executiva da CVR Dão, Arlindo Cunha, tomou posse juntamente com o Vogal do Comércio, Rui Ribeiro, e o Vogal de Produção, António Mendes. O novo Presidente do Conselho Geral da CVR Dão é Raul Albergaria.

A nova direcção foi eleita por unanimidade e tomou posse perante uma centena de convidados, entre representantes de instituições e organismos públicos, autarcas, deputados, agentes económicos do Dão e demais personalidades.

Mulher de 37 anos faz greve de fome em frente à Câmara Municipal


– Lúcia Neves é economista e alega incumprimento de promessa de emprego por parte do actual executivo, no concurso para um lugar assistente técnico de aprovisionamento

– Gabinete da Presidente da Câmara afirma que o concurso está dentro da legalidade

A Nelense Lúcia Neves, 37 anos, economista de formação, iniciou na passada Quinta Feira, dia 14 de Outubro, uma greve de fome em frente aos paços do concelho. O motivo que a levou a esta forma de protesto é ter sido, alegadamente, preterida num concurso para admissão de um assistente técnico para o sector de aprovisionamento. A jovem alega que “diversas vezes, durante os últimos s foi-me prometido que me dariam emprego e nunca cumpriram”. Isto mesmo fez questão de dizer na entrevista na manhã do dia 14, perante um chefe de divisão e 2 técnicos superiores. Pelas 14h, já depois da entrevista, iniciou então a greve de fome, ao fundo das escadas que dão acesso à Câmara Municipal. Usando um guarda sol de protecção, disse-nos estar determinada “a levar a greve até onde for necessário, ou seja até que a situação se resolva, pois consigo aguentar-me bem vários dias sem comer, só ingerindo líquidos”. Contudo a jovem acabou por não cumprir a “promessa” e passadas algumas horas, ainda nessa tarde, retirou-se do local. Contactado pelo nosso jornal, o gabinete da presidente da Câmara, apenas se limitou a informar que o referido concurso decorreu dentro da legalidade.

Luís Cavaca agride Osvaldo Seixas na Câmara Municipal

– Actual presidente do Sport Lisboa e Nelas esmurrou o vereador com o pelouro do desporto na sala de reuniões da Câmara Municipal

– Vereador foi tratado no Centro de Saúde , GNR esteve no local e queixa crime segue agora para Tribunal

Foi no passado dia 24 de Setembro que tudo começou. O Presidente do Sport Lisboa e Nelas e a sua esposa dirigiram-se à Câmara Municipal no intuito de reunir com o vereador com o pelouro do desporto, Osvaldo Seixas. Perante a ausência deste, ambos foram recebidos pela vereadora Maria Antónia Figueiredo e pelo chefe de gabinete da Presidente da Câmara, Pedro Alves, no gabinete de Osvaldo Seixas. Nessa tarde, principalmente a esposa do presidente do Nelas, estaria particularmente nervosa, dado que a situação do clube está a afectar a sua vida familiar, devido ao arresto dos seus bens por parte de uma instituição financeira. A sua exaltação no decurso da reunião fez com que alegadamente tivesse atirado um cinzeiro na direcção de Maria António Figueiredo, mas se acertar na vereadora, pois o cinzeiro de cobre terá atingido um móvel situado atrás da mesa de reuniões. Perante esta situação ficou agendada nova reunião, agora com Osvaldo Seixas, para Segunda Feira, dia 27 de Setembro, pelas 9 horas da manhã. De novo o presidente do Nelas fez-se acompanhar da esposa. Pelo que nos relataram testemunhas, estava visivelmente nervoso, depois do incidente da Sexta Feira anterior. Osvaldo Seixas mandou-o então entrar para a sala de reuniões, mas comunicou-lhe que devido ao facto do assunto dizer respeito ao Sport Lisboa e Nelas a esposa, não sendo dirigente do clube, não deveria estar presente na reunião. Foi aí que, alegadamente, o verniz estalou. Já dentro da sala de reuniões, Luís Cavaca num tom de voz muito elevado, ia dizendo de sua justiça, tendo Osvaldo Seixas aconselhado calma ao Presidente do Nelas, dizendo que não era assim que conseguiria resolver os problemas do clube. A resposta terá sido então um murro na face do vereador, do lado direito, junto ao olho, depois de ter dito “resolve-se já isto de outra maneira”. Osvaldo Seixas não terá reagido, tendo sido chamada ao local a GNR de Nelas, que o levou para o posto para prestar declarações. De acordo com uma fonte por nós contactada, que presenciou o incidente, o presidente do Nelas terá dito alto de bom som “ainda o mato”. O vereador foi assistido no Centro de Saúde de Nelas, e apresentou uma queixa crime, que seguirá agora para Tribunal, indicando algumas testemunhas oculares do incidente, designadamente o Chefe de Gabinete de Presidente da Câmara, Pedro Alves. Contacto pelo nosso jornal, Luís Cavaca não quis prestar declarações.

Incidente levou a que o “dossier” Sport Lisboa e Nelas passasse para o Vice-Presidente da Câmara, Manuel Marques

Na sequência do rocambolesco episódio da agressão a Osvaldo Seixas, o vereador do desporto decidiu passar o “testemunho” do processo do Sport Lisboa e Nelas para o seu colega de executivo, Manuel Marques. Marques entretanto confirmou-nos que “dentro de cerca de um mês esperamos fazer a escritura do terreno doado na década de 80 ao Sport Lisboa e Nelas, situado na Quinta do Pomar”. Lembramos que este terreno poderá ter um papel decisivo para que o clube cumpra as novas exigências da Lei de Bases do Desporto, para poder vir a receber o subsídio de 80 mil euros, aprovado pela Câmara Municipal em Julho, pois poderá servir de garantia real num acordo para regularização da dívida à Segurança Social. Outras dívidas do clube impediram a colectividade Nelense, que tem mais de 70 anos de história, de participar nos primeiros jogos do campeonato, dado que não ter podido inscrever os jogadores nas diferentes provas, incluindo as camadas jovens. Em causa estão principalmente uma dívida de cerca de 30 mil euros à Federação Portuguesa de Futebol e diversas dívidas, já em fase de processo no Tribunal de Trabalho, para com jogadores, relativos às épocas transactas. Relativamente aos seniores, que estão inscritos no Distrital de Honra da A.F. de Viseu, os dirigentes do Nelas conseguiram adiar 3 jogos, registando apenas uma falta de comparência. Entretanto Manuel Marques diligenciou no sentido de serem negociadas as referidas dívidas, para o clube poder inscrever os jogadores e iniciar a sua participação nas diversas competições. Para o efeito terá contado com o apoio de diversas pessoas, entre as quais Carlos Cunha Torres, da Fundação Lapa do Lobo, que desde logo deu um apoio financeiro para o efeito. Manuel Marques confirmou ao nosso jornal, ter chegado a um acordo com a Federação Portuguesa de Futebol e com diversos jogadores, o que possibilitou a entrada em competição na passado fim de semana, das diversas equipas do Nelas.

Um ano com grandes quantidades e grandes vinhos

Feitas as contas e avaliada a qualidade das uvas, podemos dizer que a vindima deste ano irá resultar num acréscimo na quantidade, com uma qualidade de “excelência”. Foi isto mesmo que comprovámos nas visitas que efectuámos à Quinta da Fata, Quinta do Sobral e Adega de Nelas. A Cooperativa Nelense, recebeu um milhão e meio de quilos de uva, com uma graduação média de 12,5%. Na Quinta do Sobra, a sua administradora Cristina Simões, disse ao nosso jornal que espera “um ano de vinhos excelentes, com uma quantidade de uvas maior do que em 2009”. Este produtor/engarrafador de Santar, obteve na edição de Agosto da Revista dos Vinhos, uma menção honrosa de boa compra 2010, com o seu Dão Colheita Selecionada de 2007, inserido num painel de prova de boas escolhas por menos de 4 euros. Também na Quinta da Fata a colheita vai ser “de excelência e com um aumento da quantidade”, como nos explica o seu proprietário, Eurico Amaral. Entretanto em Santar, no passado dia 9, à noite, realizou-se uma “festa das vindimas”, que festejou o encerramento da vindima de 2010 no concelho. Teremos então muitas e boas oportunidades de provar os néctares de 2010, produzidos no concelho.

Escolas de Nelas bem posicionadas no ranking das escolas nacionais

Foi publicada na semana passada, o ranking das escolas nacionais, avaliadas a partir dos resultados nos exames do 9º ano de escolaridade. O trabalho elaborado pelo jornal “Público” hierarquiza as 1 295 escolas do país, de acordo com a média obtida nos referidos exames. As 3 escolas de Nelas obtiveram um resultado muito razoável, principalmente a Escola Básica e Secundária Eng. Dionísio Augusto Cunha, de Canas de Senhorim, que obteve o 75º lugar, com uma média de 3,39 valores. A Escola Secundária de Nelas situou-se no 179º lugar, com uma média de 3,15 valores. Por último a EB Dr. Fortunato de Almeida, classificou-se no 263º lugar, com uma média de 3,05 valores. Se considerarmos o universo de 1 295 escolas, podemos classificar o desempenho das escolas Nelenses, como muito positivo, registando mesmo um dos melhores resultados em todo o distrito – a Básica e Secundária de Canas ocupa mesmo o 5º lugar a nível distrital.

Lapa do Lobo – uma história rica em tradições


– Fundação Lapa do Lobo coloca um marco na história da freguesia ao inaugurar o seu edifício-sede no passado dia 9 de Outubro

– Magnífica obra, com diversas valências, alia de forma indelével a arquitectura tradicional da Beira com traços contemporâneos

– Evento contou com a presença de Isaura Pedro, Atílio Nunes e Miguel Ginestal (Governador Civil de Viseu), entre outras individualidades

Carlos Cunha Torres, é o rosto mais visível da verdadeira “revolução” que a Fundação Lapa do Lobo está a operar numa das mais tradicionais freguesias do concelho, desde 2007. É ancestral a ligação da família Batalha Torres (que já vai na sua 7ª geração) à Lapa do Lobo. Sua avó Maria José Cunha foi evocada no edifício sede da Fundação, inaugurado no passado dia 9, ao ser atribuído o seu nome ao auditório com capacidade para 80 pessoas – uma das mais valias do edifício.
O descerramento da placa alusiva foi feito pelo seu filho, Nelson Cunha, que recordou algumas das memórias de sua mãe, sublinhando que “esta obra que agora estamos a inaugurar deve-se ao espírito aberto e generoso da família Batalha Torres”. Num percurso pela história da família, o mentor da Fundação Lapa do Lobo, Carlos Cunha Torres, perante um auditório repleto, situou no ano do nascimento da Fundação, 2007, o momento da “concretização do sonho de uma família”. O presidente do Conselho de Administração da Fundação enumerou de seguida todas as entidades com as quais a Fundação desde essa data tem “interagido”, designadamente “Junta de Freguesia da Lapa do Lobo, Associação Lapense, Escuteiros de Canas de Senhorim, Bombeiros Voluntários de Canas de Senhorim, Associação Nelas Solidária, Cruz Vermelha, Sociedade Musical 2 de Fevereiro de Santar e Sport Lisboa e Nelas”. e destacou alguns dos projectos levados a cabo na freguesia, nos quais tem particular orgulho, pela adesão entusiasta da população – aulas de ginástica, atelier de artes para jovens e escola de bordados, estes de frequência gratuita. A atribuição de diversas bolsas de estudos, tem sido outra das principais áreas de actuação da Fundação. “Neste momento são já 15 os beneficiários do nosso apoio em termos de bolsas de estudo”, referiu Carlos Cunha Torres, que classificou o edifício-sede, agora inaugurado como “um espaço de todos e para todos”. “Faltava-nos uma casa, por isso este é um dia muito grande para a nossa família”, afirmou orgulhoso, adiantando algumas das possíveis utilizações do edifício “aqui poderão ser realizadas exposições de diversa índole, reuniões, seminários e espectáculos”. “Os princípios que nos norteiam são a solidariedade, cultura, defesa do ambiente e do património, bem latentes no desafio que foi para nós a recuperação deste imóvel, que estando em ruínas, resultou num magnífico edifício , onde conjugámos a tipicidade arquitectónica da Beira Alta, com a modernidade, num casamento perfeito entra a antiguidade e a modernidade”, enfatizou. O simbolismo da data foi também realçado por Cunha Torres, que visivelmente emocionado referiu que “foi no dia 9 de Outubro de 1995 que “falei a minha avó Maria José Cunha, pessoa dotada de uma enorme generosidade”. “A Fundação Lapa do Lobo é uma entidade livre, independente e apartidária, ao serviços das populações de Nelas e Carregal do Sal”, concluiu.

“A Fundação quer seguir os caminhos da conservação do património e da inovação”

O presidente do Conselho Geral da Fundação, Padre Nuno Santos, destacou o simbolismo dos dois principais elementos usados na construção do edifício “o granito, que tanto diz sobre a nossa alma e sobre a nossa história e o aço corten, que revela uma aposta na modernidade, com ousadia”. “Estes são os caminhos que a Fundação quer seguir – por um lado a conservação do nosso património cultural, arquitectónico e de valores, e por outro, a inovação”, referiu o pároco de Canas de Senhorim.
Salomão Fonseca, presidente da Junta de Freguesia, elencou o vasto conjunto de obras e projectos levados a cabo pela fundação, que em muito “melhoraram a qualidade de vida dos Lapenses”, desde o primeiro apoio “para o aspirador glutão que tornou as ruas da Lapa mais limpas, à iluminação, requalificação de várias zonas da aldeia, internet sem fios gratuita para toda a população, nesta altura já com mais de 100 utilizadores, o ar condicionado na igreja, a grande intervenção na sede da Associação Lapense, os subsídios para festas e para o alindamento geral da Lapa do Lobo, entre outros”. O autarca considerou mesmo Carlos Cunha Torres “o ponta de lança do quarteto atacante que representa a família Cunha Torres, que tudo tem feito para concretizar os sonhos dos Lapenses”.

“Carlos Cunha Torres já é um Lobo da Lapa”

Recordando que já o seu avô esteve na primeira linha de uma série de obras na Lapa, como sejam a rede pública de electricidade e a pavimentação de ruas, tendo sido considerado “um Lobo da Lapa”, precisamente por ter deixado a sua marca na freguesia, trazendo-lhe mais desenvolvimento, Salomão Fonseca qualificou também de “Lobo da Lapa”, Carlos Cunha Torres, terminando a sua intervenção dirigindo-se a Cunha Torres “na Lapa do Lobo só existe um partido – o PFL (partido da freguesia da Lapa) e o Senhor por tudo o que fez pela Lapa foi nele automaticamente inscrito e aceite”. Isaura Pedro, presidente da Câmara de Nelas, classificou a edificação da sede da Fundação de “acto de nobreza e de grande carácter, numa altura de grande crise”, sublinhando que “seria mais fácil fazê-la no litoral, ou nos grandes centros urbanos, mas foi aqui feito, para preservação da memória e identidade cultural da Lapa do Lobo, e lutando assim contra a interioridade”. A edil realçou ainda “as parcerias que a autarquia tem vindo a estabelecer com a Fundação e com a Junta de Freguesia, nomeadamente na área social, educativa e artística, que têm sido essenciais para diversas instituições de concelho alcançarem os seus objectivos”. “Este é um gesto de elevado virtuosismo e um exemplo a seguir nos dias de hoje”, concluiu Isaura Pedro. O governador civil de Viseu também marcou presença no evento. Miguel Ginestal enalteceu a obra agora inaugurada, considerando-a “impressionante”e ao mesmo tempo “um grande estímulo”, “São tempos de crise que vão exigir de nós muito esforço e sentido de partilha” disse o antigo deputado socialista, referindo ainda que “esta é uma boa notícia também para a Beira Alta e para o distrito de Viseu”. “É também uma boa notícia a criação de novos postos de trabalho por parte da Fundação, que é uma instituição singular, que sabe valorizar a história, as tradições e as suas gentes e assenta a sua actuação nos princípios da solidariedade”, acrescentou. Miguel Ginestal elogiou a acção desenvolvida pela Fundação “sobretudo a sua missão filantrópica, com um grande respeito pela cidadania – como representante do governo no distrito, quero destacar o alcance social, económico e cultural da Fundação”.
Tânia Costa – primeira bolseira da Fundação “brilha” num dos maiores centros de investigação do cancro no mundo
A Lapense Tânia Costa foi a primeira beneficiária do apoio financeiro por parte da Fundação para um doutoramento no prestigiado Instituto Karolinska, um dos maiores centros de investigação do mundo na área do cancro da mama. Num acto com grande simbolismo, deslocou-se propositadamente de Estocolmo para a Lapa do Lobo, para estar presente na cerimónia e dar o seu testemunho sobre a importância que a bolsa teve na sua carreira. “Entre Março de 2008 e Janeiro de 2010 a bolsa foi determinante para eu poder continuar na Suécia a fazer o meu doutoramento”, afirmou categoricamente Tânia Costa no auditório da Fundação. De seguida, deu uma curta aula de sapiência sobre a sua investigação.
Sociedade Musical 2 de Fevereiro, NACO e Atelier das Artes animaram o evento
O evento de inauguração do edifício-sede da Fundação contou com algumas apresentações artísticas e musicais, que lhe trouxeram um brilhantismo muito especial. Desde logo um desfile de moda, promovido pela turma do Atelier das Artes, da Fundação Lapa do Lobo, em que os diversos “modelos” desfilaram com roupas totalmente elaboradas a partir de materiais reciclados e reutilizáveis, o que resultou numa magnífica apresentação. Foi durante 3 meses e graças ao empenhamento de professora e alunos, que os fatos de “gala” foram produzidos, recorrendo a várias técnicas, como moldagem, colagem, dobragem e pintura e partindo das sugestões dos formandos, em que se usaram materiais como plásticos, pacotes de leite, pacotes de açúcar, rolhas de garrafas, rolos de cozinha, cápsulas de café, CD´S, entre outros. A Sociedade Musical 2 de Fevereiro de Santar e o grupo cultural NACO de Vila Nova de Oliveirinha actuaram também, no exterior e interior do edifício. Ambas as instituições são apoiadas pela Fundação.

Atelier das Artes pretende formar jovens artistas

– Crianças a partir dos 6 anos e jovens até aos 17 inspiram-se na Lapa do Lobo
A funcionar ainda em instalações provisórias, desde Maio deste ano, o Atelier das Artes da Fundação Lapa do Lobo é um espaço lúdico e de formação, onde todos os Sábados pela manhã 20 crianças e jovens podem explorar a sua faceta mais criativa. A formadora Fernanda Fernandes, licenciada em Educação Visual e Tecnológica, mostra-se “muito satisfeita” com o evoluir das actividades, considerando ter “um grupo muito criativo”. A expectativa é de poderem daqui “sair alguns talentos”, isto nas várias actividades que ali são desenvolvidas. De entre elas destacam-se o desenho, as telas, pinturas em acrílico, sendo divididas em dois grupos – um dos 5 aos 12 anos, com actividades mais básicas, como o desenho e pinturas e outro dos 12 aos 18 anos, com telas e artes plásticas. Cada um dos grupos tem actualmente 10 formandos, e até agora apenas 2 desistiram, o que é um sinal da “excelente receptividade deste atelier, e ainda temos alguns em lista de espera”. Sobre o futuro deste Atelier, Fernanda Fernandes define como objectivos “aperfeiçoar as actividades actuais, trabalhando sempre em função das preferências dos formandos, desenvolvendo ainda novas áreas e técnicas, nomeadamente nas áreas de pintura e fotografia – há muito ainda para explorar”. O grande objectivo deste Atlelier é assim “descobrir todo o potencial artístico destas crianças e jovens e quem sabe saírem daqui alguns talentos, pois aqui há muito potencial para poder ser explorado”.
Matilde (6 anos) e Cátia (17 anos) fascinadas com o Atelier
A mais jovem aluna do Atelier, Matilde, com 6 anos, mostra-se “muito satisfeita” por frequentar o Atelier, gostando particularmente de pintar desenhos, frascos de vidro e flores. Já Cátia, de 17 anos, soube do Atelier por um e mail que recebeu, decidindo inscrever-se pois sempre teve um “gosto especial por esta área”, de tal forma que tem praticamente concluído um quadro, com pintura em acrílico sobre tela, num estilo abstracto, num trabalho “muito minucioso”. Esta jovem gostaria um dia de ser artista plástica, nem que seja somente “nos tempos livres, pois a pintura é algo que me fascina”, confidencia-nos.

Escola de bordados funciona desde Junho e pretende preservar esta arte ancestral

Um dos projectos mais acarinhados pela Fundação é a escola de bordados, a funcionar desde o dia 19 de Junho deste ano, embora as suas raízes se encontrem no ano de 1989, quando um grupo de mulheres da Lapa do Lobo promoveu um curso para adultos nesta área. Carlos Cunha Torres, depois de verificar que já havia alguma obra feita, decidiu criar a escola de bordados. Catarina Fonseca e Clarinda Fonseca, são as formadoras, que têm a seu cargo 21 formandas nos seniores – oriundas da Lapa do Lobo, Fiais da Telha e Vale de Madeiros, e 9 nas crianças, dos 6 aos 8 anos, incluindo um rapaz. O objectivo desta escola é “preservar o trabalho dos nossos antepassados”, como nos adianta Clarinda Fonseca, que explica que “este é um trabalho muito minucioso, que requer muita paciência, e em que pretendemos aliar o antigo – vamos recolher ideias a revistas dos anos 30 e anos 60, ao moderno”, ou seja, tal como a Fundação “pretendemos inovar, sem perder de vista a tradição”. É com grande orgulho que nos apresentam os bordados tradicionais da Lapa do Lobo – feitos com arame e ráfia natural, principalmente obtida a partir das tão características videiras deste concelho vitivinícola. “Este é o verdadeiro ex-libris do artesanato Lapense e as suas origens remontam ao longínquo ano de 1910”, diz-nos Clarinda Fonseca. É assim com um espírito alegre, de sã convivência, que se reúnem todas as Sextas Feiras à noite, para já num espaço provisório. A Fundação facultou a cada formando um quadrado de linho, 2 novelos de linha, e uma tesoura. A Fundação pretende vir no futuro a promover a comercialização destes verdadeiros tesouros Lapenses, podendo mesmo vir a ser aberta uma loja de artesanato local.


Vários projectos e acções programadas para o futuro próximo

São diversos os projectos em curso e programados no curto prazo por parte da Fundação. Carlos Cunha Torres prevê arrancar em breve com as obras de requalificação de várias ruas e largos da aldeia em breve, como sejam as da Rua das Almas, Cimo do Povo, Terreiro dos Antunes, Rua Nova e Rua de Santa Catarina. Em curso está um dos projectos que lhe é mais querido – a recuperação de várias casas de aldeia, situadas junto ao Terreiro dos Antunes, para ser ali instalado um “turismo de aldeia”, uma vez mais no sentido de “preservar o património arquitectónico da freguesia”. O nome já está escolhido – “Casas do Lupu”, porque como já referimos a Lapa até 1526 era referida nos mapas como “Lapa do Lupu”.
Fundação já criou 8 postos de trabalho
Carlos Cunha Torres prevê com este projecto turístico criar mais alguns empregos, que irão incrementar os 8 já criados – 3 efectivos e 5 em colaboração a tempo parcial. Relativamente a outras actividades, está prevista no dia 19 de Novembro, a realização de um seminário subordinado ao tema “Recuperação do Património Arquitectónico Civil”, sendo precedido da exibição do filme “Casas Adormecidas – um passado com futuro”, enquanto na sala de exposições estará brevemente patente uma exposição de bordados Portugueses.

LAPA DO LOBO

O nome desta freguesia tipicamente Beirã do concelho de Nelas, deve-se ao facto de em tempos remotos, um lobo ser o maior terror e pesadelo das populações locais.
Lapa do Lobo foi lugar da freguesia de Canas. Na carta de aforamento de Algerás, do ano de 1275, era designada como “Lapa de Lupo” e no censo de 1527 era referida como “Lapa do Lobo”.

Em toponímia, o vocábulo “lapa”, aí muito empregado, designa essencialmente não só “grande pedra mais ou menos espalmada, ou laja, que ressaindo de um rochedo forma debaixo de si um abrigo para gente ou animais”, mas também “ o abrigo, ou cavidade assim formada, a que a laja serve de tecto”.

A vila de Canas por sua vez, havia pertencido à terra de Senhorim até 1186, altura em que D. Sancho I doou a vila de Canas ao bispo de Viseu, D. João Pires.
O cadastro de 1257 dava à vila de Canas “ além da dita vila, os lugares de vale madeiros, que tem oitenta vizinhos e o da Lapa do Lobo que tem cinquenta vizinhos e o lugar da Póvoa de Santo António que tem vinte e quatro vizinhos e fora da freguesia tem este termo na freguesia de Carvalhal Redondo e o lugar de Val Cham que conta de dezasseis vizinhos…”
A pertença à Sé de Viseu não foi pacífica, sobretudo porque a ambição territorial dos cónegos era grande e muito contestada.

Em 1403, o Infante D. Henrique escreveu ao Cabido a solicitar que renunciasse à posse de Canas e seu termo, em favor do seu escudeiro Pedro Nunes Homem, sobrinho do bispo D. João Homem. Ao que parece o pedido só foi atendido a prazo e assim, no terceiro quartel do século XV, de novo se gerou grande litígio entre o rei D. Afonso V e o cabido de Viseu, desta vez sobre as jurisdições cíveis e crime nas terras do termo de Canas.

D. Afonso V diminuiu a questão, doando a terra a Álvaro de Carvalho em 1475. Assim mesmo as contendas não terminaram, obrigando a uma intervenção apostólica (1523).

Entretanto, em 1514, Canas obteve carta de foral novo, do rei D. Manuel, o que trouxe a estas terras um relativo desafogo. O povo ficou apenas obrigado a pagar ao Cabido “ um oitavo do pão e do vinho e uma porção de linho … com restrições apenas quanto à venda das propriedades, a qual não deveria ser feita a pessoas privilegiadas que não pagassem aquelas prestações…” O estatuto de Canas e seu termo passou a ser o de um concelho pertencente ao rei que “ apresentava as justiças do dito concelho, assim juiz ordinário, vereadores, procurador e mais oficiais de justiça, câmara, órfão, direitos reais e almoçarias” ainda em pleno século XVIII (1765)
No aspecto demográfico, estas terras quintuplicaram em número de habitantes, entre 1527 e 1838, certamente com base numa relativa prosperidade económica.

Por terras de Santa Catarina …

Lapa do Lobo

População : 772 habitantes – Census 2001

Área : 10,59 Km2

Presidente da Junta de Freguesia: Salomão Fonseca (PSD-CDS-PP)

Actividades económicas
Agricultura e construção civil

Festas e Romarias
Santa Catarina (25 de Novembro), Nossa Senhora de Fátima (13 de Julho) e Festa de Verão da Associação Desportiva e Cultural Lapense

Associações : Associação Lapense

Fundações : Fundação Lapa do Lobo e Fundação Lopes da Fonseca (lar e centro de dia)

A Santa Padroeira da Lapa do Lobo, Santa Catarina, nasceu em Alexandria no ano 294, quando recebeu o nome de Doroteia. Considerada padroeira dos estudantes, sábios e profesores.
Diz a tradição católica que Santa Catarina era uma princesa de Alexandria, mesmo assim, comenta-se que era genuinamente humilde. Sabia ler e escrever, o que, para uma mulher, naquela época era muito raro.
O imperador romano Maximus certa vez convocou os reis e rainhas, principes e princesas, para adorar seus ídolos. Entretanto, Santa Catarina não compareceu. Indagada pelo imperador, teve de se dirigir a Roma para se esclarecer.
Em Roma, ela respondera ao chefe romano que não seguia falsos deuses e que seu Deus era o único realmente vivo, também disse que o qrande Rei dela era Jesus Cristo. O imperador mandou-a prende-la no cácere, até que viessem os 50 maiores sábios do mundo, e a humilhassem quanto a sua argumentção aparentemente simples.
Quando chegaram, os sábios riram-se do imperador, pois, este, convocou-os apenas para contra-argumentar uma simples garota (ela possuia menos de 25 anos de idade) princesa. Porém o imperador adverteu-os: se conseguissem convencê-la, ele os presentearia com os melhores bens do mundo, mas se não conseguissem,ele os mandaria ao cárcere.
Todavia, os sábios não conseguiram convertê-la aos ídolos, pelo contrário, foram, por ela, convertidos ao cristianismo. Não só eles, mas também a rainha, esposa do imperador, e a guarda real de Roma, que se desfizeram dos antigos costumes pagãos.
A rainha foi assassinada pelo rei quando este soube de sua conversão, os guardas foram lançados aos leões no coliseu.
Após isto ocorrer, o rei tentou convencer Catarina a abandonar seu Deus e se casar com ele, mas sem sucesso. Então, ela foi torturada e decapitada pelo imperador romano Maximus por ela o criticar por adorar “ídolos pagãos”.
A lenda diz que o corpo de Catarina desapareceu milagrosamente, sendo transportado por anjos para o topo de Jebel Katerina, o pico mais alto da península do Sinai. Três séculos mais tarde, o seu corpo, supostamente incorrupto, foi encontrado por monges e levado para o Mosteiro da Transfiguração, onde algumas das suas relíquias e o seu nome ficaram até hoje.

Eleição para a Comissão Política Concelhia do PSD marcada para 5 de Novembro

Realizou-se no passado fim de semana a Assembleia da militantes do PSD Nelas, em que ficou marcado o próximo acto eleitoral para a Comissão Política concelhia do partido para o próximo dia 5 de Novembro. A Assembleia teve a participação de 30 militantes. Isaura Pedro será recandidata a mais um mandato, numa lista que não deverá sofrer grandes alterações.

Governador Civil entrega coletes a tractoristas na Adega de Nelas


No âmbito de uma campanha de sensibilização para a prevenção de acidentes com tractores, o governador civil de Viseu deslocou-se a Nelas para a entrega de 50 coletes e diversos desdobráveis a igual número de tractoristas. A entrega teve lugar nas instalações da Adega de Nelas, no passado dia 28 de Setembro, tendo Miguel Ginestal aproveitado a oportunidade para defender esta campanha “dado o elevado número de acidentes registados nos últimos anos – só em 2009 registaram-se no distrito de Viseu, 18 acidentes com tractores”.