Governo muda critérios para a extinção das freguesias

– Secretário de Estado Paulo Júlio revela em Viseu que governo vai deixar cair os critérios da distãncia e da tipologia e remete para as freguesias a decisão final

Foi no passado Sábado, dia 10, que num debate/conferência dedicado à reforma administrativa do poder local realizado em Viseu, que o Secretário de Estado do Poder Local,e ex autarca de Penela, Paulo Júlio, fez saber que em relação ao eixo sobre o ordenamento do território, o mais polémico do livro verde, o governo decidiu alterar os critérios para a extinção de freguesias. A conferência/debate que encheu a aula magna do Instituto Politécnico de Viseu, com cerca de 300 autarcas do distrito, foi organizada pela distrital do PSD de Viseu e foi caraterizada por fortes críticas dos autarcas da região a esta reforma. A posiçao crítica mais contundente veio mesmo do presidente da Câmara de Viseu, que é também o presidente da Associação Nacional de Municípios e presidente da mesa do congresso do PSD, Fernando Ruas. Isaura Pedro, presidente da Câmara de Nelas e vice presidente da distrital de Viseu, moderou um dos paineis e foi também muito crítica em relação à reforma. Confrontado com a oposição generalizada à reforma, cuja discussão está em curso, Paulo Júlio, ainda que confirmando a sua inevitabilidade, que advém do acordo celebrado com a Troika, revelou em primeira mão que o governo já decidiu alterar os critérios para a extinção de freguesias. A grande mudança será a eliminação dos critérios da distância e da tipologia (entre rural e urbana) e a fixação de uma percentagem de freguesias que em cada concelho serão extintas, deixando a decisão para os próprios municípios. Ponto assente será a eliminação das freguesias com menos de 150 habitants. O nosso jornal apurou entretanto que no caso de Nelas poderão apenas ser extintas 2 ou no máximo 3 freguesias, sendo que há já indícios que por um lado Aguieira poderá estar disposta a ser agregada, enquanto Lapa do Lobo e Vilar Seco se manterão inflexíveis e na luta pela manutenção. Desenvolveremos este assunto na nossa edição impressa.

Jornalistas e Importadoras Russas provaram o “terroir” genuíno do Dão na Quinta da Fata


– Missão da Rússia esteve na região a convite da CVR do Dão

Se há dúvidas do lugar de cada vez maior destaque que as mulheres ocupam na sociedade e no mundo empresarial, a missão que, a convite da Comissão Vitivinícola Regional do Dão, veio visitar a mais antiga região do mundo, de vinhos não licorosos, foi mais um eloquente exemplo. As 5 jornalistas e 2 importadoras, vindas de um país como a Rússia, cuja democracia além de recente é ainda muito débil, visitaram no passado dia 6 a Quinta da Fata, em Vilar Seco, e além de ficaram encantadas com a quinta, o lagar e a casa seculares, revelaram ao nosso jornal um profundo conhecimento do mundo vínico, designadamente das castas tradicionais do Dão, tendo aprovado com “distinção” os néctares provados, acompanhados no final por enchidos e queijo serra da estrela. António Narciso, enólogo deste super premiado produtor/engarrafador, na apresentação dos vinhos Branco Encruzado 2010, Tinto Reserva 2007 e Touriga Nacional 2007, fez questão de destacar o facto de estarmos “em presença de vinhos que corporizam bem o “terroir” da quinta e ao mesmo tempo da região – aqui temos notas de pinheiro, resina e até pedra”. A Quinta da Fata, produz actualmente 30 mil garrafas e está já presente em diversos mercados internacionais, como Canadá , Brasil, Finlândia e Alemanha.

Esclarecimento – Trabalhadores per capita

Na sequência de um comentário de um leitor nesta nossa edição on line, sobre a análise comparativa que fizemos dos trabalhadores per capita das autarquias da região (CRITÉRIO não foi aleatório – para o nosso estimado leitor aconselhamos o estudo de geografia para verificar que são os municípios que confinam com NELAS), em que mencionámos a questão da delegação de competências na área educativa, informamos este leitor que em abono do rigor, como é nosso apanágio, nem todas as Câmaras do país têm esta delegação de competências, ou seja, das 308 pouco mais de 100 a têm.

Câmara de Nelas tem um elevado índice de trabalhadores per capita

As autarquias portuguesas dão trabalho a mais pessoas.

Em 2008, a média de trabalhadores por mil habitantes era de 18,5. No final do ano passado, já era de 19,6. A ausência de empresas que promovam a actividade económica justifica o facto de, no Alentejo e interior do País, os municípios empregarem mais pessoas do que no resto do território. O Corvo, nos Açores, é o que tem a média mais elevada. São muito mais aquelas que estão acima – ou iguais – à média (191) do que aquelas que estão abaixo (117).
Este foi um aumento que, de acordo com a Associação Nacional de Municípios, ocorreu porque houve a descentralização de competências no sector da Educação, que obrigou os 112 municípios que acordaram esta transferência a absorver para a sua estrutura cerca de 11 mil funcionários, o que se reflectiu no número de trabalhadores. Segundo a ANMP, sem esta descentralização de competências já se estaria perante uma redução de funcionários.

Câmara de Nelas tem 23,8 funcionários por cada mil habitantes, mas 81 dos 333 trabalhadores derivam da delegação de competências na área educativa

Em relação à Câmara de Nelas, os dados relativos a 2010, apontam para 333 pessoas a trabalharem na autarquia, para uma população, já actualizada pelos CENSUS 2011, de 14 002 habitantes. Ou seja, temos praticamente 24 trabalhadores (mais precisamente 23,8) por cada mil habitantes, bem acima da média nacional em 2010 – como referido acima era de 19,6 trabalhadores por cada mil habitantes. Numa comparação com os concelhos vizinhos, pode constatar-se que a autarquia Nelense é das mais “gordas” em termos de pessoal. Viseu, por exemplo, regista um rácio de 9,8 funcionários por cada mil habitantes, pois são apenas 978 trabalhadores, para quase 100 mil habitantes que tem o concelho. Carregal do Sal, com 12, 3 trabalhadores, Mangualde com 16,2, Seia com 11,4 e Oliveira do Hospital com 13,4, estão também muito abaixo do número registado em Nelas. De referir que, de acordo com informação que nos foi facultada pelo vereador com o pelouro da educação, Osvaldo Seixas, o número de funcionários da autarquia afetos aos serviços educativos, por delegação de competências da administração central, situa-se neste momento em 81.Ou seja, se retirarmos estes trabalhadores, Nelas teria um rácio de 18 trabalhadores por cada mil habitantes.

Catarina Almeida vence XIII Concurso Manuel Maria Barbosa du Bocage

Jovem de Vila Ruiva ganha concurso nacional de poesia

Tens por hábito ler? Onde?

A leitura ocupa grande parte dos meus tempos livres, sejam revistas ou livros. As primeiras, tenho por hábito ler em suporte físico, mas sou também leitora assídua de magazines virtuais, onde encontro temas generalistas que vão ao encontro das minhas preferências.
Quanto ao local, em casa, o quarto é o espaço que mais utilizo. No entanto, a leitura acompanha-me por todo o lado: é provável encontrarem-me a ler num transporte público, na escola ou num parque. Felizmente possuo a capacidade de me isolar num determinado espaço e abstrair-me de tudo o que se passa à minha volta, ocultando todos os sons ou acontecimentos que possam estar naquele momento a decorrer. E considero-o uma mais-valia.

Que tipo de leitura e horas que disponibilizas por dia para a mesma? Qual o teu autor e género literário preferido?

Tenho vários géneros literários com os quais me identifico. O romance histórico, o policial e o dramático são os que mais aprecio. No primeiro, procuro a história e o conhecimento sobre novos temas; no segundo, exercito a mente e o último, escolho-o para uma pausa em que, em determinado momento, o meu estado de espírito para aí se inclina. Normalmente não leio todos os dias. A vida escolar condiciona muito os meus hábitos, mas, em média, dedico cerca de uma hora por dia a esta atividade.
Como disse acima, o romance é o estilo que mais me agrada – procuro sempre aprender um pouco mais com o livro que estou a ler. A boa leitura deve facultar-nos novos temas e assuntos, incutir- nos conhecimentos – assim sendo, a minha escolha recai sobre José Rodrigues dos Santos. Admiro a sua capacidade de introduzir tanta cultura num romance sem que a sua leitura deixe de ser interessante.

Foste ou não influenciada por algum professor para ler?

Não, é certo que me foram dadas dicas de leitura ao longo do meu percurso escolar, mas não posso dizer que algum professor me tenha incutido o gosto que hoje possuo.
O que te levou a participar no XIII Concurso Manuel Maria Barbosa du Bocage?
A história é caricata: a minha participação no concurso aconteceu principalmente como uma espécie de “treino”. O meu objetivo principal era familiarizar-me com e aprender as regras a que devia obedecer um trabalho a ser apresentado a concurso. Talvez por isso tenha sido tão “desleixada” ao ponto de nem sequer enviar a minha morada em anexo.

Aquando do Concurso e no grupo de concorrentes, sentiste que poderias ser um dos vencedores?

Antes de enviar o meu trabalho, pesquisei sobre os anteriores vencedores e quais os géneros literários que o júri exigia. A verdade é que essas pesquisas foram infrutíferas: a informação disponibilizada era muito escassa e os textos vencedores não se encontravam em suporte digital, pelo que decidi enviar o que tinha, quase “às cegas”. Sabia apenas que a modalidade a que concorria abrangia jovens com idades até aos 20 anos e que os trabalhos apresentados rondavam, em média, anualmente, as duas centenas e meia. É obvio que imaginei o que faria se ganhasse, mas, dado o número alargado de participações, nunca depositei muita confiança na ideia.

O que sentiste quando soubeste que tinhas sido a vencedora?

Fui contactada pela direção do concurso, devido à falta de informações que deviam acompanhar o meu trabalho. Estava à procura de esclarecimentos quando decidi consultar o meu e-mail, verificar se tinha algum correio. Quando abri e li o mail que me havia sido enviado, fiquei perplexa. Pensei que se haviam enganado ao abrir os envelopes, não senti que fosse uma informação credível. Ansiava por acreditar, mas, ao mesmo tempo, lutava contra isso: se tivesse sido mesmo engano e tivesse acreditado, quando mo dissessem ficaria realmente muito desiludida.
Estava sozinha nesse momento, ainda ensonada e de pijama. Quis gritar mas não consegui emitir qualquer som. Depois, a adrenalina despertou, senti uma vontade imensa de expulsar a energia que se acumulava no meu corpo. Quando dei por mim estava já a correr sem dar conta, pelo que só voltei a casa algum tempo depois, enquanto na minha mente apenas uma questão se erguia: “E agora, o que é que eu faço?!”

Como reagiu a tua família a este prémio?

A minha mãe foi a primeira a saber, na mesma manhã em que recebi a notícia. Não deu crédito algum à ideia, tomou-a simplesmente por uma partida. Começou lentamente a assimilar quando viu a minha expressão corporal, sobretudo as minhas pernas que tremiam descontroladamente. Tive que recontar tudo, desde a minha primeira abordagem ao Regulamento até ao contacto nesse mesmo dia. Embora lhe tivesse contado tudo acerca do mesmo, tem por hábito não se envolver nas atividades em que usualmente participo. Já o meu pai acreditou apenas quando chegou o convite formal da entidade promotora do concurso, através de carta. Não fiquei surpreendida, afinal, ele pratica regularmente o “isso nunca nos acontece a nós”.
Como reagiram os teus colegas de turma/escola e amigos a todo este protagonismo?
Apenas dois colegas souberam do concurso e depois tiveram conhecimento do prémio. A meu ver, penso que ficaram simultaneamente surpresos e felizes, porque sabiam que a escrita é algo que me realiza. Depois, quando divulgado na escola, alguns felicitaram-me. Parece bizarro, mas fiquei satisfeita: o protagonismo não é algo que encaixe muito bem na minha personalidade.

Pretendes continuar a escrever e a tomar este tipo de iniciativa?

Sim, sempre que possível. Como já disse, a escrita é algo que me realiza, e vou certamente continuar a fazê-lo.

Gostarias, um dia, de ser uma escritora conceituada? Rumarias a um país estrangeiro, se houvesse necessidade de afirmar a tua escrita?

Para quem escreve e põe algo de si na escrita, é extremamente gratificante quando o trabalho que realizamos é finalmente reconhecido, o que, aliás, aconteceu comigo. Sermos portadores de um estilo que se revela único e merecedor de distinção é um prazer enorme e se, no futuro, o meu nome fosse associado a um bom livro, sentir-me-ia decerto muito honrada.
Luto sempre por aquilo que defendo, o que, naturalmente, se revela na escrita. Assim sendo, sentir-me-ia na obrigação de defender e afirmar o que é meu com toda a certeza, independentemente do lugar onde o mesmo tivesse que ser feito.

Já algum dia te imaginaste a assinar livros? E a vê-los expostos numa biblioteca?

A ideia é um pouco vaga, ainda, mas não a descarto de todo. Nunca me imaginei a fazê-lo, associo-o a alguém mais sábio e com mais maturidade.

Para mais informações consultar os seguintes links:
• O jornal “O Setubalense”
http://www.osetubalense.pt/noticia.asp?idEdicao=688&id=23184&idSeccao=5061&Action=noticia
• A opinião do júri sobre os trabalhos vencedores
http://nestahora.blogspot.com/2011/09/premio-literario-bocage-entregue-pela.html

Câmara de Nelas avança com cortes “drásticos” no desporto

É o corte mais drástico dos últimos anos, e é para ser aplicado já na próxima época desportiva no concelho de Nelas. O executivo camarário de Isaura Pedro, aprovou esta semana uma redução de 40% dos subsídios atribuídos aos clubes e associações desportivas do concelho, tendo em conta a conjuntura que se vive actualmente, de cortes das transferências do Orçamento de Estado para as autarquias e da própria quebra de receitas municipais. Apesar de ser o primeiro a reconhecer que os cortes são severos, o vereador do desporto, Osvaldo Seixas, deu a entender que esta era uma inevitabilidade tendo em conta a “época complicada” que se atravessa. “Este contrato implica cortes grandes, os clubes sabem disso, mas não é comportável continuar a pagar valores exorbitantes que, muitas vezes, não têm correspondência em termos receitas”, considerou o autarca, sublinhando, ainda assim, um reforço do apoio aos clubes com maior número de equipas e atletas de formação. A presidente da Câmara, Isaura Pedro, adiantou todavia que a autarquia não pode ir mais longe nas reduções dos subsídios, já que isso seria “inviabilizar a própria actividade” dos clubes, que para sobreviverem vão agora ter que adotar uma gestão “muito rigorosa” dos dinheiros, afirmou. Embora tenha votado favoravelmente, o vereador da oposição, Adelino Amaral, entende que estas reduções não são mais que o “preço a pagar” pelas “loucuras cometidas em anos anteriores”, e que “criaram expectativas nos clubes que não são agora possíveis de manter”. “Houve aqui épocas em que os valores prometidos criaram falsas expetativas”, referiu ainda o vereador do PS, propondo a partir de agora uma calendarização dos pagamentos aos clubes, de forma a não criar ainda mais dificuldades nas respectivas tesourarias. Quem votou favoravelmente, mas não convencido foi o vice presidente da Câmara, Manuel Marques, entendendo acima de tudo que “estes valores não correspondem às necessidades dos clubes”. “Votei sob coação” fez questão de sublinhar o autarca, numa declaração de voto, onde justifica o seu voto favorável com as mesmas razões dos restantes vereadores, isto é, as dificuldades económicas que o país atravessa.

Cândido Marques sai de cena amargurado

Associação do Cimo do Povo tem nova direção

A Associação do Cimo do Povo, fundada em 1979, atualmente com cerca de 500 associados, tem uma nova direção, encabeçada por André João, que é assim agora o novo presidente da coletividade.
Foi no passado dia 15 de Outubro que a Assembleia Geral elegeu os novos corpos sociais.
“As dificuldades com que se encontra o País, e como é evidente também o Concelho de Nelas, possivelmente vai levar a cortes nos subsídios por parte da Autarquia, quer aos Clubes, quer às Associações, mas isso é um assunto para a nova Direção resolver”, disse ao nosso jornal na hora da despedida, Cândido Marques.
“Quero lembrar os Sócios da Associação que de alguns anos para cá o subsídio anual (protocolo atribuído em 2000) por parte da Autarquia de Nelas para as várias atividades é de 25 000 euros, valor este que não tem dado para pagar as despesas do carnaval, no ano de 2011 o carnaval ficou em 24 500 euros”, adianta ainda o ex presidente do Cimo do Povo, que aproveita para agradecer a colaboração das seguintes entidades: “Câmara Municipal de Nelas, Junta de Freguesia de Nelas, Junta de Freguesia de Senhorim, Junta de Freguesia de Lapa do Lobo, todas as empresas que colaboraram com a Associação e todas as pessoas que durante estes dois últimos anos ajudaram nas várias atividades levadas a cabo pela Associação, assim como aos meus colegas de Direção mesmo aqueles que nada fizeram e que nem sequer se dignaram aparecer”.
“Quero também agradecer a algumas pessoas de Nelas, que tudo fizeram para que as várias atividades organizadas pela Associação fossem um fiasco – nalguns casos conseguiram, parabéns peço-vos que façam igual ou melhor”, atira Cândido Marques, que se mostra amargurado com algumas pessoas: “parece que infelizmente há alguém preocupado que eu, Cândido Marques, faça parte de algum órgão para alguma coletividade do meu Concelho”. “Aproveito para esclarecer que não me vou envolver em nenhuma dessas coletividades, vou aproveitar para descansar, como tal deixo o caminho livre para que essas pessoas possam fazer igual ou melhor, estou cá para ver, mas também o meu obrigado a estes Senhores”, conclui.

Nelas sem iluminação de Natal

A contenção de despesas por parte da Câmara Municipal, levou o executivo a decidir, pela primeira vez desde que está no poder, não instalar a tradicional iluminação de Natal.
Esta medida, embora compreendida pelos comerciantes, devido à situação financeira do país, será mais um fator desfavorável para a época natalícia que se avizinha, onde se esperam “grandes dificuldades, também devido ao corte no subsídio de Natal”, confessa-nos um comerciante, que se mostra “pessimista” para o futuro próximo.

Urgeiriça assiste à “morte lenta” do bairro

Há cada vez mais casas de antigos mineiros vazias e os que resistem recordam com saudade os tempos áureos das minas

Porta sim, porta sim existe uma história de vida ligada à antiga Empresa Nacional de Urânio. Quase duas décadas depois do desmantelamento da exploração mineira na Urgeiriça, Canas de Senhorim, o bairro onde outrora não faltava nada, encontra-se agora em franca decadência, pese embora os projectos de requalificação ambiental que a ENU tem vindo a desenvolver no local. “Isto hoje mais parece a terra de ninguém”, lamenta um antigo funcionários dos laboratórios, pedindo para não ser identificado, que critica o abandono a que a Urgeiriça chegou, e o “bairro triste”em que se transformou nos últimos anos. São cada vez mais as casas vazias ou com a placa “vende-se” no bairro, e se não estão vagas, muitas são habitadas apenas pelas viúvas dos mineiros, cuja morte foi acelerada, possivelmente, pela exposição à radiação provocada pelo contacto com o urânio. “Eles não sabiam no que mexiam, e nós também não, comíamos as batatas, os feijões, tínhamos uma horta aqui em baixo e nunca pensámos nisso” conta a viúva de um antigo mineiro, falecido há sete anos com uma doença no pâncreas, provavelmente “provocada pelas minas”, diz. “Infelizmente aqui é uma tristeza, só nesta rua, são seis casas, quatro viúvas”, relata, não tendo dúvidas em relacionar os problemas de saúde dos antigos mineiros com o facto destes terem tido uma actividade, agora reconhecida, como sendo de alto risco. “Estou convencido que muitos dos problemas começam agora a manifestar-se na geração dos 50/60 anos”, considera outro antigo funcionário das minas, apontando o caso da morte, ainda recente, de mais um antigo trabalhador da Urgeiriça, vítima de doença cancerígena. “Também aqui há muita gente com muita longevidade e que nunca teve problema nenhum ”contrapõe, todavia, o ex trabalhador, julgando que existe algum alarmismo em torno desta questão, o que tem contribuído para afastar ainda mais as pessoas do bairro. Dos filhos dos antigos mineiros poucos foram aliás os que ficaram. Por um lado, porque “não há emprego, e por outro, com receio da contaminação dos terrenos e das próprias casas que nalguns casos apresentam níveis de radioactividade preocupantes. “Os mais novos tiveram que ir embora daqui”, garante uma das viúvas que prefere desvalorizar os riscos para a saúde, até porque “há tanta gente que não tem nada a ver com isto e também tem estas doenças”. Os mais novos saíram porque não tinham alternativas, adianta, porque “vivíamos aqui muito bem”. “Vivemos os melhores anos das nossas vidas aqui na Urgeiriça”, conta, quase a emocionar-se, por ver o bairro a degradar-se aos poucos, mas também por não “haver vida” nas ruas. “Quem via esta Urgeiriça, o movimento disto e quem vê agora, aqui não há nada para fazer agora”, recorda, com tristeza, os tempos em que no bairro “não faltava nada”. “Tínhamos cinema, teatro, jardim de infância para os filhos, cantina, até um campo de golfe existia aqui, no tempo dos ingleses”, diz, temendo que a Urgeiriça se torne cada vez mais um bairro “fantasma”, por falta de infra-estruturas capazes de atrair novos moradores. “Não é verdade que as pessoas não querem vir para a Urgeiriça”, afirmam ainda assim os poucos resistentes, que criticam a forma espaçada como estão a decorrer as intervenções de requalificação de toda a zona antigamente ocupada pelas minas e o próprio bairro. “Estão a fazer isto aos bochechos”, acusam os moradores, queixando-se de não existir uma “continuidade nos trabalhos”, e da descontaminação das ruas e espaços públicos estar a ser feita de forma a apenas “a tapar o sol com a peneira”. Além de que os espaços entretanto requalificados denotam também algum abandono, o que os moradores não deixam de lamentar, tendo em conta os vários milhões de euros que foram ali investidos e que prometiam dar uma nova vida à Urgeiriça. O proprietário da “cantina”, hoje o supermercado do bairro, também é o rosto da desolação, pois “nem a entrada deste local arranjam e as coisas são feitas sem nenhuma programação – veja-se o espaço de lazer aqui em frente”.

Assembleias de Freguesia de Lapa do Lobo e Vilar Seco aprovam moções contra extinção das suas freguesias

A Assembleia de Freguesia de Lapa do Lobo acaba de aprovar uma moção contra a extinção da freguesia, uma vez que é apontada, na proposta de reforma administrativa, como uma das freguesias do concelho de Nelas que poderá “desaparecer” do mapa. Na última reunião do executivo camarário, Isaura Pedro, deu conta da posição tomada pelo órgão máximo da freguesia de Lapa do Lobo, entendendo também a autarca que “não faz sentido que a reforma administrativa seja aplicada como está a ser”, prevendo o encerramento de algumas juntas consideradas de pequena dimensão. Dizendo discordar da extinção de qualquer freguesia no seu concelho, a presidente da Câmara de Nelas lembrou que ainda domingo passado, a propósito da visita do Presidente da República, Cavaco Silva, ao concelho, teve oportunidade de “sensibilizar” o chefe de Estado para esta questão, entregando ainda um memorando ao secretário de Estado da Administração Local, que o acompanhou nesta deslocação a Nelas. No documento subscrito pela presidente da autarquia de Nelas e pelos presidentes das nove juntas de freguesia do concelho, os autarcas chamam a atenção sobretudo para a ameaça de “tumulto social” que representa esta proposta, pois “coloca em causa todo o trabalho desenvolvido nos últimos anos para a pacificação e unidade do concelho em alguns casos mais conhecidos”, argumentam, numa clara referência à freguesia de Canas de Senhorim, que durante anos esteve de costas voltadas com Nelas, reclamando a sua autonomia como concelho. Ora, se essa é uma guerra do passado, que o seu executivo conseguiu travar, Isaura Pedro teme que ao mexer-se novamente nestas questões, se voltem a abrir feridas entre as populações. “ Não há necessidade de voltar a mexer no território, estamos bem assim”, garante a presidente da Câmara, para quem qualquer “desenho” do concelho que seja diferente do actual “não interessa a Nelas” nem às suas nove freguesias. “Não é pelo facto de haver muitos concelhos a serem mexidos, que nós também temos que sofrer alterações” sustenta ainda a autarca, disposta a lutar e a “fazer o que for preciso” pela manutenção do actual mapa concelhio. Para já, encontra-se a aguardar a audiência com o secretário de Estado, Paulo Júlio, que prometeu receber na mesma reunião, todos os presidentes de Junta de freguesia, com o objectivo de os ouvir sobre a proposta da reforma da administração local, que em Nelas coloca “em risco” mais trêsfreguesias além de Lapa do Lobo – Aguieira, Moreira e Vilar Seco. Nesta última foi já constituído um movimento em defesa da manutenção da freguesia, tendo também sido aprovada uma moção na Assembleia de Freguesia do passado fim de semana, para reforçar esta luta. Esta moção será enviada ao governo, e alguns membros do movimento deram conta ao nosso jornal, que “tudo está ainda em aberto e não temos dúvidas que esta discussão que agora começou terá como consequência a manutenção da freguesia de Vilar Seco”.

Dois mortos em acidente violento na EN 234

Foi no passado Sábado, que na reta das Pedras Altas (EN234), junto ao entroncamento da Urgeiriça, no sentido Canas – Nelas, que um acidente violento, fez com que o trânsito estivesse interrompido por mais de três horas. A colisão frontal deu-se entre dois ligeiros de passageiros, um dos quais onde seguia, sozinho, Delfim Martins, 68 anos, da Guarda, que morreu no local, tendo-se despistado após embater numa ambulância, e o outro,onde circulava uma família de Lisboa: Celso Laires, condutor, 61 anos, que ficou ferido, bem como a mulher, de 58 anos. No banco de trás ia a mãe de um deles, Alzira dos Santos, de 87 anos, que faleceu.
Os ocupantes das duas viaturas ligeiras ficaram encarcerados, o que obrigou à intervenção de dois carros de desencarceramento das corporações de bombeiros de Nelas e Canas de Senhorim.
Os bombeiros, que circulavam na ambulância dos voluntários de Brasfemes, não sofreram nenhuma lesão grave.
A dimensão do aparatoso acidente, mobilizou para o local 18 Bombeiros e 6 viaturas dos Bombeiros de Canas e 5 viaturas e 10 Bombeiros dos Bombeiros de Nelas, coadjuvados por 2 viaturas médicas e 1 helicóptero do INEM.

Canas de Senhorim mantém-se freguesia

Mudança nos critérios do Livro Verde garante manutenção da freguesia de Canas, depois de numa primeira abordagem ter estado iminente a sua extinção

A recente alteração de critérios feita no Livro Verde da Reforma Administrativa do Poder Local, que consta no portal do Governo, “salvou” da extinção a freguesia de Canas de Senhorim, que durante décadas lutou para ser elevada a concelho e estava em risco agora de desaparecer do mapa autárquico.
Com 14 mil habitantes e 125 quilómetros quadrados, o concelho de Nelas tem nove freguesias, duas das quais consideradas Áreas Predominantemente Urbanas (APU): a da sede de concelho, com 4.704 habitantes, e a de Canas de Senhorim, com 3.458 habitantes.
Segundo os critérios inicialmente enunciados no Documento Verde, Nelas (considerado de nível 3), não ficaria com APU fora da sede de concelho, ou seja, a freguesia de Canas desapareceria. “Não faria qualquer sentido. Só podia ser uma brincadeira de mau gosto”, afirmou à agência Lusa Luís Pinheiro, presidente da Junta de Freguesia e líder do Movimento de Restauração do Concelho de Canas de Senhorim.
Com a alteração aos critérios de organização territorial introduzida a semana passada, Canas de Senhorim pode continuar a ser APU. “Neste momento, posso afirmar com toda a certeza que é uma freguesia para ficar”, garantiu. Luís Pinheiro não escondeu que na freguesia tenha havido quem defendesse que o melhor era partir para a luta, como nos tempos em que a população ia para a rua defender o concelho de Canas de Senhorim. “O Livro Verde permite negociar, permite algumas transformações. Já teve esta primeira, fruto também do nosso trabalho, da nossa dedicação à freguesia, embora em silêncio para não estar a levantar qualquer tipo de suspeitas que não faziam sentido”, explicou.
Na opinião do atual presidente da Junta de Freguesia, “o silêncio é uma forma também de se lutar pelas coisas e de se atingir os fins, sem estar a fazer levantamentos populares”. “É óbvio que o Livro Verde era um bocado demolidor para nós, mas acho que soubemos tratar das coisas com calma, com silêncio e com pacificação e, acima de tudo, com alguma inteligência que eu acho que é a necessária nestas coisas”, considerou.
Luís Pinheiro disse, no entanto, que todos os presidentes de Junta do concelho estão unidos e a trabalhar para manter as nove freguesias.
O mesmo disse à Lusa a presidente da Câmara, Isaura Pedro, que lembrou as especificidades do concelho, que além de Nelas e Canas de Senhorim (APU), tem as freguesias de Aguieira, Lapa do Lobo, Moreira, Santar e Vilar Seco (Área Maioritariamente Urbana) e Carvalhal Redondo e Senhorim (Área Predominantemente Rural). “Perderíamos cinco freguesias: Canas de Senhorim e Vilar Seco, e mais três, Aguieira, Lapa e Moreira”, explicou. Na opinião da autarca de Nelas, “deve haver poucos concelhos de nível 3 que têm duas freguesias da dimensão de Nelas e Canas de Senhorim, portanto, não faria qualquer sentido” a extinção desta, considerando que “não passou de uma correção que foi feita ao livro”.
Com a freguesia de Canas de Senhorim salva pela recente alteração, a autarca preocupa-se com as restantes, nomeadamente Aguieira, Lapa e Moreira, que “foram criadas há cerca de 20 anos”, e Vilar Seco, uma das mais antigas do concelho.
“Vamos lutar até ao fim para que no concelho, que a partir de 2005 ficou único, coeso e pacificado, se mantenha o atual desenho do território”, afirmou, contando que as assembleias de freguesia já aprovaram moções a “repudiar qualquer tipo de agregação ou fusão”.
“Para breve está prevista uma reunião com o secretário de Estado da Administração Local”, acrescentou.

Freguesias a extinguir serão conhecidas no final de Janeiro

O Governo vai reformar o poder local em quatro eixos prioritários. Um deles é a organização do território, e a intenção é mudar completamente o quadro que existe actualmente, de 4.260 freguesias. O Governo não se compromete com uma meta, mas o secretário de Estado da Administração Local, Paulo Júlio, afirmou recentemente que o resultado final não deve ser inferior a uma redução de mil freguesias.
O Jornal de Negócios analisou os dados da Associação Nacional de Freguesias (Anafre) e compilou-os, para concluir que Braga é o distrito em que vai haver uma maior redução de freguesias (83,9%, ou menos 432 que as actuais). Barcelos, por exemplo, que é o concelho com mais freguesias em todo o País – tem 89 – não vai poder manter nenhuma nos actuais moldes. As freguesias que não cumprem os critérios do Governo terão de se fundir.
Das 2.346 freguesias que não cumprem os critérios poderão “sobrar” mil, ou menos, conforme a fusão que aconteça: por exemplo, agregam-se duas a duas ou três a três. O resultado final é, ainda, desconhecido, porque o Governo vai estudar a realidade de cada um dos 308 municípios.
O período de discussão já se iniciou e irá terminar no final do mês de Janeiro de 2012, data em que deverão ficar definidas as freguesias a extinguir e a agregar. Somente no distrito de Viseu, poderá existir uma redução de 50% no número de freguesias, ou seja, passar de 372 para 186 freguesias.

Freguesia de Canas de Senhorim não cumpre critérios e poderá ser extinta

A informação de todas as freguesias do país que não cumprem os critérios do novo mapa de organização territorial das autarquias em Portugal, acaba de ser avançada pelo Jornal de Negócios on line. Na consulta que pode ser feita no site, verifica-se que a freguesia de Canas de Senhorim, como adiantámos na nossa última edição não cumpre os critérios definidos pelo governo e poderá mesmo vir a ser extinta e provalmente ser integrada em Nelas. A acontecer esta situação representa um duro golpe para o Movimento de Restauração do Concelho de Canas e promete fazer correr muita tinta nos próximos tempos. As outras 4 freguesias que poderão vir a ser extintas são Vilar Seco, Moreira, Aguieira e Lapa do Lobo.

Nelas poderá ficar com apenas 4 freguesias

A única certeza que a ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias) tem, de acordo com a sua interpretação do Livro Verde, relativamente à extinção de freguesias no concelho de Nelas é a manutenção das freguesias de Nelas, Santar, Senhorim e Carvalhal Redondo. As restantes freguesias, de acordo com a ANAFRE, serão agregadas. Entre elas está Canas de Senhorim. Além da segunda maior freguesia do concelho de Nelas, que tem 3 458 habitantes (segundo dados dos CENSUS de 2011), estão também nesta situação Moreira, Aguieira, Lapa do Lobo e Vilar Seco. A questão que fica em aberto, e promete uma acesa e ampla discussão nos próximos meses, é saber como se vai proceder à agregação das 5 freguesias mencionadas – se em torno das que segundo a ANAFRE se mantêm, ou entre elas. Certo é que o governo irá extinguir cerca de mil freguesias em todo o país, assumindo-se esta reforma como uma “prioridade, devendo ser encarada como um verdadeiro instrumento de política autárquica, capaz de melhorar o funcionamento interno da Administração Local, dando escala e valor adicional às novas freguesias”, como é referido no Livro Verde.