A ameaça de estagflação e o caso da PSA (Mangualde)

Vivemos um período económico marcado pela incerteza, cujo ritmo é pautado pela evolução da pandemia provocada pelo novo coronavírus. As expectativas norteiam o investimento e o consumo e ainda estão longe de ser otimistas.

Há um fator neste momento que está a assombrar a recuperação económica e as perspetivas macro no médio e longo prazo:inflação.O movimento de alta generalizada dos preços pode ser acompanhado por estagnação económica. A isto se chama estagflação.

Muitos Economistas já falam de efeitos mais duradouros, quando se pensaria que seriam mais passageiros, derivados das grandes interrupções nas cadeias de abastecimento. O fenómeno está a durar no tempo e até a agudizar-se nalguns bens considerados essenciais, como é o caso dos semicondutores (chips). A sua importância, dado o grande salto tecnológico  que temos assistido, é transversal a toda a indústria. Neste momento, e com receio de falta desta componente,as empresas compram para armazenar, o que está a provocar grandes dificuldades de fornecimento.

Caso paradigmático é a paragem recente (duas semanas) na maior empresa do distrito de Viseu, situada em Mangualde – produtora de automóveis do Grupo Francês PSA.

Ontem,9 de junho,a atividade foi retomada, mas os receios são grandes, até por parte dos trabalhadores, de novas paragens, devido ao problema acima mencionado. Lembramos que emprega mais de 1 200 pessoas.

O caminho parece ser investir, até com impulsos e apoios fortes por parte dos Governos, em novas fábricas, que tornem cada país ou bloco económico, menos dependente de importações. Um exemplo é a Alemanha, que acaba de inaugurar uma das  mais modernas fábricas do mundo deste “pequeno” mas “gigante” produto – Bosch em Dresden.

Como nota final, este é um exemplo paradigmático de como a Pandemia da Covid-19 pode ter transformado as Economias: Mais voltadas para dentro,com maior protecionismo e uma clara tendência para um retrocesso na globalização.

José Miguel Silva

Economista