Dia Mundial do Ambiente: Pulmão do planeta ameaçado

Um total de 1.180 km2 foram desflorestados na Amazónia brasileira, em maio deste ano,o que representa um aumento de 41% em face ao período homólogo de 2020, e um recorde para o mês de maio, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A floresta Amazónica deve hoje, Dia Mundial do Ambiente, ser lembrada pelo que representa para o equilíbrio ambiental,para a preservação da biodiversidade e principalmente para o papel que tem na mitigação do sobreaquecimento, dado ser o maior absorsor de dióxido de carbono do planeta (estudos ciêntificos indicam que a floresta ajuda no combate ao aquecimento global – enquanto árvores vivas absorvem CO2, árvores mortas emitem o gás), com grande importância também na preservação do ciclo da água.

Este é o terceiro mês consecutivo de recordes mensais, o que coloca em causa as promessas do atual governo brasileiro, liderado Jair Bolsonaro,de contribuir decisivamente para a descarbonização.

“O dado é preocupante, porque o mês de maio marca o início da estação seca, quando a devastação se intensifica, em grande parte da região amazónica”, chama a atenção a rede de Organização Não Governamentais, Observatório do Clima, muito crítica à gestão ambiental do governo. Lembramos que o país vive a sua pior seca de sempre, com particular destaque para as regiões Oeste, Sul e Sudeste, que podem afetar inclusivamente o fornecimento de energia elétrica, dado que as barragens nunca estiveram com tão pouca água. Faltam recursos hídricos para a produção de energia e para a agricultura.

Ministro brasileiro do Ambiente pode ser responsabilizado e preso por obstruir investigação sobre comércio ilegal de madeira.

A devastação da Amazônia, em ritmo acelerado, trouxe em 2020 um aumento de 77% de queimadas em terras indígenas, num total de 11.088 km quadrados de devastação de floresta. Um juiz do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, determinou ontem, 4 de junho, que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o possível afastamento e prisão de Ricardo Salles, Ministro do Ambiente, por obstruir uma investigação sobre desflorestação e comércio ilegal de madeiras da Amazónia (Operação Akuanduba).

José Miguel Silva

DIRETOR

Imagem: Revista Isto é (digital)