ANAM apela a uma maior participação dos jovens na política

No âmbito da iniciativa “ANAM em diálogo 2. R – No caminho das regiões”, os jovens e o seu papel diferenciador na vida política estiveram em destaque num evento que reuniu vários convidados e participantes no Auditório Municipal de Gaia. Estimular a juventude para a causa pública e política, assim como sensibilizá-la para uma participação mais ativa foram o mote para uma manhã de debate e troca de ideias.

A abertura dos trabalhos iniciou-se com uma saudação especial do presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, direccionada aos jovens, referenciando-os como «elementos estruturantes e de fortalecimento da democracia, cidadania e educação».

António Cunha, presidente da CCDR-N, principiou com o salientar do trabalho das Assembleias Municipais «em prol da consolidação democrática e como um pilar fundamental do poder local, executando um trabalho meritório que deve ser aplaudido.» Após uma apresentação sobre os projectos a desenvolver para a região Norte, nomeadamente tendo em conta o contributo e participação dos jovens, enumerou vários pontos da estrutura da coordenação da CCDR-N, no âmbito do programa “Portugal 2030”, do futuro, das pessoas e da valorização do território. «Teremos na ANAM um parceiro de eleição e que nos ajudará a implementar esta nossa estratégia, um projeto onde os jovens vão ser protagonistas e atores de destaque», finalizou o presidente da CCDR-N.

A terminar a sessão de abertura, o Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, realçou-se a importância das Assembleias Municipais como um órgão essencial ao poder local democrático. «Através das Assembleias Municipais têm-se feito a formação de muitos jovens autarcas que depois acabam por assumir responsabilidades nas juntas de freguesias, nas câmaras municipais ou mesmo no governo central.

Salientando o teor da iniciativa da ANAM assim como o trabalho a desenvolver com o IPDJ e com a FNAJ, o Ministro da Educação chamou a atenção para as AM jovens como «verdadeiras escolas de cidadania, cidadania que ser quer consciente, critica e participativa.»

Deixando como principal destaque a máxima “nada para os jovens sem os jovens”, Tiago Brandão Rodrigues referiu que a mesma tem sido levada a cabo em várias instituições mas também com o poder local que «tantas e tantas vezes tem lançado um conjunto de iniciativas especialmente vocacionadas para os jovens. Cada vez mais assistimos a vereadores verdadeiramente ativos nas políticas de juventude municipais, cada vez vemos mais escolas secundárias e básicas mas também do ensino universitário e politécnico, a apelar para que a participação dos jovens possa ser mais dinâmica. As próprias AM estão mais abertas aos jovens, quer seja pela integração nas listas, mas também pela existência de AM jovens estabelecidas um pouco por todo o país, cada vez com mais qualidade e mais participadas.»

O painel de oradores convidados iniciou-se com a apresentação de Miguel Coelho, professor de Ciência Política, que pautou a sua exposição por um profundo e esclarecedor enquadramento histórico sobre os partidos políticos em Portugal e as suas origens, defendendo que a «democracia tem que ser feita com base na estruturação da opinião pública, nomeadamente através do debate plural.»

Abordando temáticas tão diversas como o debate politico e ideológico, a lei de ferro, a igualdade de género, a lei da paridade, os vários tipos de partidos destacando os partidos plataforma, a importância da democracia e das escolhas dos dirigentes partidários, falou dos jovens na política e de como é positiva a sua presença em locais de referência como AM, Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia. «O problema dos jovens é que na maioria das vezes querem ser velhos e por isso deixam-se, propositadamente, instrumentalizar e isso é o que pode tornar a política pouco atrativa e desmotivadora para a nossa juventude», explicou. No entanto, o professor referiu que «já se sentem sinais de mudança e a participação dos jovens, hoje em dia, é muito diferente de há 10 ou 15 anos. Existe aqui um processo que tem ser feito por todos, que deve ser implementado não só pelos jovens, mas também por todos os que fazem política, para que lutem por novos procedimentos e novas formas de estar.»

Gabriel Gonçalves, membro da Academia Política Apartidária, pautou a sua apresentação por destacar os jovens como imprescindíveis no futuro do país, sendo «fundamental aproximá-los da política para se seguir um caminho de cidadania responsável. Por outro lado, temos ainda que refletir sobre o facto de ainda existir a ideia, generalizada, de que as camadas mais jovens da população estão afastadas das questões cívicas. Pensar seriamente neste tema, em quem não está interessado em participar, encontrar soluções para esse afastamento e contribuir para a sua resolução. O protocolo hoje assinado com a ANAM é o primeiro passo nesse sentido. Tenho a certeza que esta parceria vai colocar os jovens e o poder local a trabalhar em conjunto como nunca foi feito neste país.»

Maria José Vicente, da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza, falou do papel preponderante dos jovens na batalha contra a pobreza e a exclusão social, «uma luta de todos e onde a participação de todos é essencial para a nossa missão. E nesse sentido, para nós, é importante que se fale cada vez mais da importância da participação e do envolvimento das pessoas. Ainda existe uma falta de cultura de participação na nossa sociedade e, neste momento, o nosso foco está no sentido dessa promoção. E aqui os jovens têm demonstrado um crescente interesse em ter um papel cada vez mais ativo na construção de uma sociedade mais justa e solidária.»

A vice-presidente do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), Sónia Paixão, destacou a «forte intenção do Governo e do IPDJ de incentivar e reforçar a participação, eficaz e consistente, dos jovens na sociedade e nas tomadas de decisão que afetam as suas vidas.» Apontando os órgãos autárquicos como fundamentais na execução das políticas municipais e intermunicipais de juventude, realçou a existência de uma cada vez maior participação dos jovens, nomeadamente nos processos de decisão política. «É reconhecida a importância do envolvimento dos jovens na formulação, execução, monitorização e avaliação das políticas de juventude. Neste contexto, é fundamental a adoção, pelos municípios e comunidades intermunicipais, de um mecanismo de cogestão em que os jovens assumam um papel ativo e interventivo na definição e implementação das políticas públicas de juventude a nível local e intermunicipal.»

 Apesar da relevância que os municípios e comunidades intermunicipais desempenham no desenvolvimento de políticas públicas de juventude de qualidade e proximidade, a vice-presidente do IPDJ lamentou o facto de a «maioria dos municípios não possuir um plano municipal de juventude e não ter uma unidade orgânica exclusivamente dedicada à intervenção nesta área.» Neste contexto, Sónia Paixão, insistiu na importância das autarquias estarem sensibilizadas para a relevância que a área da juventude assume no contexto das políticas municipais e intermunicipais e, «por isso mesmo é com particular regozijo que assinamos hoje este protocolo de cooperação com a ANAM e a FNAJ para que este seja mais um mecanismo para a concretização da participação dos jovens na vida democrática e no apoio ao seu envolvimento social e cívico».

O último dos oradores convidados, Tiago Rego, presidente da Federação Nacional das Associações Jovens, marcou o seu discurso pela abordagem às diferentes iniciativas jovens que têm apoiado, assim como para a importância de «trilhar um caminho com o poder local para o incentivo e a sensibilização da participação de jovens na actividade política nacional. É por isso que também desafiamos os municípios a incluírem os jovens nas suas ações, tendo em conta que fazer política para os jovens tem que ser algo planeado e estruturado para que dê frutos.»

Revelando que «apesar de no nosso país apenas 70% das autarquias possuírem conselhos municipais de juventude, o caminho é otimista, já que mesmo assim, em muitos concelhos, se consegue gerar uma participação efectiva de jovens em várias actividades. O nosso obetivo é continuar neste caminho, criar sinergias entre os municípios, implementar mais e melhores medidas direccionadas para os jovens, mantê-los informados e, acima de tudo, inseridos nas questões da cidadania e actividade política.»

O evento encerrou com a intervenção de Albino Almeida que apelou à atenção e à participação dos jovens na política, à partilha de ideias e ideais, e ao desafio de «com todos estes nossos novos parceiros fazer o que ainda não foi feito.» Em jeito de conclusão, o presidente da ANAM afirmou que «com novas formas de fazer e executar, com o que vamos ouvir dos jovens, com a sua sensibilização vamos com certeza superar este desafio e dar à juventude um ideal para lutarem. E nesse âmbito é preciso que os jovens façam o que há de melhor na política: pessoas a cuidar de pessoas!»

 Nota de imprensa de ANAM