25 de Abril: Liberdade com mais pobreza e austeridade? E onde fica o combate à corrupção?

Óbvia e naturalmente celebrar Abril é uma obrigação de cada um de nós, por dois motivos distintos: pela excelência do alcançado ao longo do caminho percorrido, assim como pelo ainda muito que falta fazer e conquistar, por forma a que saibamos que os responsáveis pela revolução dos cravos, se possam orgulhar das gerações vindouras, que aplaudiram o conseguido e se debatem para cumprir e fazer cumprir o que ainda permanece em falta.

É por demais evidente que temos um orgulho imenso por tudo o muito que o Partido Socialista ajudou a construir pelo alcance dos ideais da democracia, no entanto não queremos fazer o papel da “avestruz que enfia a cabeça na areia” e não lutar pelo ainda alcance pleno da igualdade e do cumprimento dos anseios perspetivados pela utopia sonhada.

O ato de reflexão/questionamento sobre o alcance e implementação dos ideais de Abril, é salutar, fundamental e por maioria de razão necessário. Importa, no entanto, ter bem presente o ponto de partida. O que era Portugal e o que éramos nós Portugueses antes da revolução. Um País progressista, pleno de liberdade e igualdade, onde a educação, a saúde, a habitação, o sustento alimentar, o desenvolvimento global, as vias de comunicação, a literacia, o desenvolvimento tecnológico, entre tantos outros fatores estavam amplamente assegurados, naturalmente que a resposta é óbvia e automática: um redondo e sonoro NÃO. Esta clarividência é absolutamente primordial para tudo o que possamos pensar e analisar de forma crítica, relacionado com o 25 de Abril de 1974.

Feita esta ressalva, como ponto prévio de análise, eis-nos imbuídos de capacidade analítica de clarividência, para dar resposta concreta, às questões elencadas: 25 de Abril: Liberdade com mais pobreza e austeridade? E onde fica o combate à corrupção?

A liberdade, por si só, adquire um estatuto tão sublimar de importância que, quando alcançada (e não tenhamos a mínima dúvida que o foi na sua plenitude) tem a capacidade de colocar num lugar subalterno, todas as outras questiúnculas que se lhe possam associar, de forma subliminar ou até, com um grau substantivo de colagem forçada. Pelo exposto, com relativa facilidade se pode intuir que pecará por uma análise torpe e disforme da realidade equacionar-se que os eventuais níveis quer de pobreza, quer de austeridade sejam equacionadas em termos comparativos, com o Portugal anterior à revolução. Importa naturalmente perceber que o ideal está ainda longe de ser alcançado, existe ainda um longo caminho a percorrer por forma a que na bitola de análise a utilizar, caibam cada vez mais famílias, ou se se quiser, que cada vez menos sejam não incluídas nesse limiar de qualidade.    

No que à temática da corrupção diz respeito, parece-nos importante ressalvar dois pontos prévios: não existe em nenhuma sociedade efetiva evolução sem as “inevitáveis”, ainda que não desejáveis dores de crescimento e a corrupção entrará neste rol, por outro lado, entre o que se diz, muitas vezes de forma potenciada, pode não ter e, muitas vezes efetivamente não tem correspondência na realidade. Invariavelmente ocorre, porém que o destaque dado às suspeitas é substancialmente maior do que posteriormente é atribuído quando estas não são confirmadas. Ainda no capítulo da justiça será primordial encurtar os prazos e estancar de forma radical as fugas de informação, ocorridas ao longo do processo. Quer pelo necessário respeito pela presunção de inocência, quer pelos entraves que as fugas de informação originam ao processo, aos arguidos e à morosidade.    

Com o esforço acrescido de cada um de nós, com os diferenciados graus de responsabilidade pessoal, profissional e política a título individual e/ou institucional, haveremos de ter engenho e arte de conseguir tornar concretizável a utopia sonhada.

Paulo Catalino

Presidente da Comissão Política do PS Carregal do Sal