IC6 continua a ser uma miragem?

A notícia caiu como uma bomba no meio político de Oliveira do Hospital. O Governo retirou do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a famosa “bazuca Europeia”, diversas obras estruturantes, nomeadamente no âmbito da rede rodoviária.Entre elas a ligação Tábua-Folhadosa (continuação do IC6), que finalmente faria com que esta estrada, que como a imagem comprova termina numa zona de mato (a escassos kilómetros da cidade de Oliveira do Hospital), servisse uma cidade e concelho, que nos agora apelidados “territórios de baixa densidade”, é dos mais duramente castigados em Portugal. 

A coligação PSD/CDS de Oliveira do Hospital, reagiu à notícia, criticando de forma veemente esta exclusão. Liderada por Francisco Rodrigues, candidato a presidente da Câmara, começa por referir que esta é uma questão “apartidária, do interesse de todos”, lê no comunicado que os PSD fez chegar à nossa redação. A coligação “Unidos para Construir o Futuro”, faz o histórico deste rocambolesco processo: 

“Em 2006, o então secretário de estado Paulo Campos, garantiu que o IC6 arrancava em 2007 e que quando chegou ao governo o IC6 não tinha sequer projeto de execução. 15 anos depois ainda não tem. O atual Presidente da Câmara de Oliveira do Hospital foi eleito sob a bandeira da conclusão do IC6, prometendo mesmo que se demitiria caso não fosse cumprida essa promessa. Fez depender a sua recandidatura da conclusão desta obra. Não obstante, recandidatou-se duas vezes, sem que um metro deste itinerário tivesse avançado, ou sequer tivesse havido qualquer garantia da sua execução. Em 2017, em plena campanha eleitoral autárquica, fez uma conferência de imprensa em conjunto com outros autarcas, onde deu como garantida a conclusão do IC6, “Está assumido”, eram estas as suas palavras naquela data.“.

“Mais recentemente na preparação do PRR, o Partido Socialista local e nacional, deram como garantida a inclusão da ansiada obra de conclusão do IC6. Na última Assembleia Municipal o PSD apresentou uma moção para corroborar e reforçar o interesse de todo o Município na conclusão desta obra.  Como resposta o Presidente do Município e a Presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, declararam que essa moção não deveria ser aprovada, pois poderia deitar por terra as negociações já realizadas com o Prof. José Carlos Alexandrino, enquanto Presidente do Município e também enquanto Presidente da CIM de Coimbra, redundando no chumbo dessa moção com os votos contra dos eleitos do PS.”, explica a Coligação, questionando: Onde tem estado José Carlos Alexandrino, como Presidente da câmara e como Presidente da CIM-Região de Coimbra?”

PSD e CDS de Oliveira do Hospital, concluem que :

“Três conclusões, devem ser tiradas pelos oliveirenses: Cai a máscara dos protagonistas e eleitos socialistas em Oliveira do Hospital, que 12 anos depois e com um governo da mesma cor política, não conseguiram impor um projeto de elevada relevância estratégica para o concelho e para a regiãoEsteve bem a representação do PSD na Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital quando propôs uma moção de reivindicação acerca da escassez de projetos para o território regional no PRR e reclamava a inclusão, em concreto e não apenas disfarçada de promessa eleitoral, da conclusão do IC6;  Por último, ao contrário do que é tantas vezes proclamado, para o PS palavra dada não é palavra honrada.”

Entretanto numa nota de imprensa do Gabinete do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, a que tivemos acesso, é realçado que os projetos, agora retirados do PRR, não “deixarão de ser executados”. Na comunicação, o Governo adianta que o PPR, que foi ontem entregue pelo Governo à Comissão Europeia, resultou de um “processo intenso de trabalhos preparatórios realizados nos últimos meses, onde se procurou alinhar a resposta nacional à prioridade europeia conferida às transições climática e digital”.

De acordo com o Governo, tiveram que ser feitas “alterações”, sendo necessário “retirar alguns investimentos para dar cumprimento a uma redução de 20% do valor desta componente”.

Partindo destas informações, o nosso jornal solicitou, via mensagem, uma tomada de posição ao candidato do PS à presidência da Câmara de Oliveira do Hospital, Francisco Rolo, que até ao momento não nos respondeu. Pretendemos indagar para quando está prevista pelo Governo a referida “execução da obra”, e se será feita somente a partir do Orçamento de Estado, o que resultaria numa situação, no mínimo, atípica, tendo em conta as “más contas” nacionais: Portugal tinha, em 2018, a terceira maior dívida pública do mundo (isto num momento que até era de alguma forma de “vacas gordas”): https://expresso.pt/economia/2018-04-18-Portugal-tem-a-terceira-divida-total-do-Estado-mais-alta-do-mundo.

Conteúdo com Opinião Política

José Miguel Silva

DIRETOR