O IMPACTO DURADOURO DO CORONAVÍRUS

A permanência de sintomas da covid-19 é classificada como “Covid-19 prolongada” e traduz-se no impacto continuado da infeção pelo coronavírus que afeta a respiração, o cérebro, o coração, o sistema cardiovascular, os rins, o fígado e até a pele. Paralelamente a todos estes sintomas do coronavírus, surge a pandemia do medo, da insegurança, do stress constante e da depressão.

As drásticas alterações económicas que acompanham a pandemia perspetivam uma recessão global. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que o mundo entrará na maior crise desde 1929, ano em que ocorreu a quebra da bolsa de valores de Nova York, nos Estados Unidos. Normalmente, os colapsos económicos afetam gravemente a saúde mental das populações culminando num aumento das taxas de suicídio.

Infelizmente, são raros os governantes que se importam com essa questão. Por mais que digam que o tema da saúde mental é prioridade, poucos fazem algo concreto para evitar os surtos de ansiedade e depressão que se desenrolam a partir das dificuldades financeiras. A tendência é que tenhamos uma avalanche de doenças psiquiátricas nos próximos tempos.

Para enfrentar esse desafio, o primeiro passo é entender e consciencializar toda a gente que as emoções são parte fundamental da saúde. É vital reforçar a mensagem de que as doenças psiquiátricas não são “manias”, muito menos “coisa de louco” — um preconceito que ainda existe.

As doenças psiquiátricas devem ser diagnosticadas e tratadas com o mesmo respeito e seriedade de qualquer outra doença. Sentir-se mal diante do atual cenário é compreensível e até esperado. Entre os sintomas de alerta estão o cansaço extremo, o desanimo recorrente, a preocupação exagerada com tudo e pensamentos sobre tragédias ou morte que não saem da cabeça. O stress social e psicológico gera ansiedade, depressão e medo podendo ativar ou agravar uma grande variedade de doenças e distúrbios, como os padrões de sono, o sistema digestivo, a diabetes mellitus, hipertensão arterial e enxaqueca. A interação mente-corpo é uma via de duas faixas. Não só os fatores psicológicos podem contribuir para o início ou o agravamento de vários distúrbios físicos, como as doenças orgânicas podem afetar a forma de pensar ou o estado de ânimo. A depressão também pode inibir o sistema imunológico e tornar uma pessoa mais propensa a determinadas infeções, que, em situação normal seriam menos comuns e fáceis de debelar. Nas pessoas com doenças físicas de risco, recorrentes ou crônicas, a depressão pode piorar os efeitos da doença física, aumentando os problemas do indivíduo.

Por tudo isto, o diagnóstico das perturbações mentais deve ser feito o mais precocemente possível de modo a que se garanta um tratamento mais tranquilo e eficaz.

A grande aprendizagem que podemos tirar de toda esta crise é entender que felicidade e saúde dependem do convívio social.  Se as pessoas se tornarem mais solidárias e conscientes sobre a saúde e os sentimentos, está garantida a nossa herança às futuras gerações.

Helena Baptista

(Farmacêutica)

Abril de 2021