PCP preocupado com atraso na recuperação ambiental da Urgeiriça

No passado dia 4 de Março, o Grupo Parlamentar do PCP, recebeu na Assembleia da República a Direcção da ATMU (Associação dos ex-Trabalhadores da Minas de Urânio), que transmitiu um conjunto de preocupações sobre o atraso na recuperação do passivo ambiental vivido no couto mineiro da Urgeiriça, que perduram no tempo com elevado nível de perigosidade, derivado do potencial radioativo do minério que ali era explorado.

No rol de queixas que a ATMU apresentou ao GP do PCP, constam a exigência à EDM (entidade gestora das áreas mineiras estatais) da descontaminação química e radiológica, bem como a requalificação ambiental de todo o perímetro circundante à antiga mina e a retirada da Urgeiriça do Urânio que ali continua armazenado.

A lentidão das obras de recuperação ambiental das habitações no Bairro mineiro da Urgeiriça, tem gerado a preocupação e a indignação dos moradores e ex-trabalhadores. É oportuno lembrar que a descontaminação das casas é necessária, dado que elas foram construídas com pedras vindas da mina, com altos teores de radioatividade.

Nas sucessivas reuniões que a ATMU tem mantido com o GP do PCP, foi também colocada a necessidade de perpectuar em estrutura museológica adequada a memória e a importância social, antropológica e económica que se desenvolveu em torno da exploração do Urânio.

O PCP defende que a Urgeiriça, os seus moradores e a família mineira, que envolve os outros locais de exploração, nomeadamente no Concelho de Mangualde, na Guarda e em Niza, têm direito a viver em zonas ambientalmente sadias e que o Governo tem o dever de tomar todas as medidas para que isso seja realidade o mais rápido possível.

Lembrar que foi o PCP quem primeiro apresentou os projectos de lei que conduziram ao reconhecimento de todos os funcionários da ENU como trabalhadores de “fundo de mina”, o que lhes permitiu ter acesso à antecipação da reforma, que garantiu a monitorização médica aos ex-trabalhadores da ENU e seus familiares para despistar doenças provocadas pela exposição à radioatividade e por fim o direito dos familiares a indemnizações pelo Estado quando comprovadamente os ex-trabalhadores morreram vitimados por doenças causadas pela actividade na laboração do Urânio.

Ana Mesquita, deputada do PCP na Assembleia da República, em consequência da reunião com a ATMU, endereçou ao Governo, através do Ministro do Ambiente e Ação Climática, 7 perguntas exigindo resposta sobre a “evolução da recuperação das habitações”, sobre “quantas habitações está previsto recuperar”, “que valores radioativos foram medidos nas casas já recuperadas”, “porque ainda não foi feita a recuperação das zonas envolventes às habitações”, “quando vai ser removido o stock de urânio armazenado na Urgeiriça”, qual o “ ponto de situação sobre o estudo epidemiológico à população cujas casas ainda não foram descontaminadas”, e, por fim, “ que medidas vai o Governo tomar para apoiar a instalação da estrutura de tipo museológico na Urgeiriça”?

O PCP insere esta iniciativa na campanha nacional do Centenário (1921-2021) que decorre sobre o lema: “Sempre com os trabalhadores e o povo, basta de exploração e injustiças, o futuro não pode esperar.”