Os Resultados das Presidenciais.Opinião por Manuel Henriques

Das eleições do passado dia 24 de janeiro resulta um cenário por todos esperado, numa vitória retumbante do incumbente Marcelo Rebelo de Sousa. Em abono da verdade ninguém, por um só minuto, acreditou que estas eleições seriam verdadeiramente disputadas dada a disparidade de credibilidade entre o Presidente e os demais candidatos.

No que concerne ao CDS-PP, venceu o candidato formalmente apoiado pelo partido, tendo inclusivamente Marcelo assumido ser o candidato da  “direita social”. Os problemas estratégicos do partido permanecem os mesmos ( como revelaram os dias subsequentes), embora o foco agora devam ser as eleições autárquicas.

No meu caso pessoal votei Marcelo Rebelo Sousa mais pelo que ele pode ser no novo mandato e menos pelo papel que teve no mandato a cessar onde foi, tantas vezes, uma figura instrumental dos objetivos de política partidária do governo em funções. O meu voto foi, confesso, pouco entusiasmado.

Na minha opinião estas eleições ficaram definidas na célebre “comunicação da Autoeuropa”, em maio passado, em que o Primeiro Ministro selou o seu apoio à reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa. Da campanha, e além da previsível “gravitas” de Marcelo, assistiu-se a um debate ruidoso entre pequenos projetos de fação e pouco integradores.

Como era previsível, André Ventura ( que foi o segundo classificado no concelho de Nelas) tentou capitalizar algum descontentamento que existe na sociedade portuguesa com um discurso agressivo e populista. De salientar que este candidato foi fortemente combatido pelas suas opositoras à esquerda, também elas a puxar de argumentos populistas e inconstitucionais. Poderá Ventura, justamente, queixar-se de um bullying comunicacional. Por mais que discorde do estilo e projeto de Ventura, não posso deixar de me incomodar com a total parcialidade na cobertura da campanha em alguns órgãos de comunicação social (visível sobretudo em alguns debates e entrevistas).

As 3 candidaturas à esquerda demonstraram que pouco as diferenciava. A grande perdedora foi Marisa Matias na medida em teve uma quebra de 250 000 votos face a 2016. O Candidato João Ferreira – estrela cadente do partido comunista – tem um resultado muito modesto, acrescido da humilhação de ficar reduzido a um terceiro lugar nas praças fortes de Beja e Évora. A prova dos nove quanto à resiliência do PCP virá nas próximas autárquicas.

Ana Gomes conduziu a campanha de forma muito desastrada. No dia em que chamou “múmia” ao ex-Presidente Cavaco perdeu o Centro Político. Ao mostrar simpatia pelo famoso hacker Rui Pinto (entre outros episódios) revelou, a meu ver, falta de seriedade para a função e um certo desprezo pelo estado-de-direito.

A maior surpresa, para mim, foi o Liberal Tiago Mayan. Apresentou-se como o homem comum, livre para expor as suas ideias liberais. Terá sido talvez o último ato que a Iniciativa Liberal vai a jogo omitindo parte do ideário. Algum eleitorado à direita votou neste candidato sem perceber que a agenda de costumes é similar à do Bloco de Esquerda (na Eutanásia, por exemplo).

A grande dúvida agora é que Marcelo Rebelo de Sousa iremos ter neste mandato. O da sua base política de origem ? Ou o coadjuvante do Governo? O primeiro teste ( a lei da eutanásia) está aí para se confirmar qual é a agenda “social” do Presidente reeleito.

Manuel Alexandre Henriques