Não confundam liberdade com….IRRESPONSABILIDADE! Opinião por Vítor Santos

A liberdade é a expressão genuína da essência humana. Nascemos livres, mas desde a infância somos moldados pelo meio que nos rodeia, por influências tais como a educação, o ambiente espiritual, ético, religioso e ideológico em que crescemos, bem como pelas circunstâncias nacionais, sociais, políticas e culturais em que vivemos.

O momento que atravessamos é dos mais exigentes em termos da liberdade pessoal. Se para alguns liberdade é o «posso fazer tudo», para muitos mais liberdade é responsabilidade.

Os tempos difíceis que vivemos, em clima de pandemia, reclamam a valorização da liberdade enquanto recurso humano único, de respeito e solidariedade. Nós não vivemos sozinhos. Mantemos imensas relações o tempo todo – com a família, com os amigos, com colegas de trabalho, entre outras. Todos nós somos singulares: temos vontades, pensamentos e modos de expressão diferentes. Para possibilitar a vida em comunidade, ou seja, a vida em sociedade, apareceu a noção de ética. Esta pretende que o homem se aproprie de valores e atitudes para que viva bem e melhore a sua vida e da sua comunidade.

O uso que se faz do valor Liberdade nem sempre é consentâneo com a ética e o respeito pelo outro. Diariamente assistimos a falta de respeito pelo outro e pelo bem comum. Hoje existe uma ideia de que ser livre é poder agir para desfrutar de um prazer imediato, alimentando o próprio ego. Esquecem-se de que toda a ação provoca uma reação, fazer o que se quer sem pensar nas consequências não torna ninguém mais livre nem garante a felicidade eterna.

O homem é um ser inacabado e vai fazendo escolhas durante todo o seu percurso de vida. Somos livres porque podemos fazer e alterar essas escolhas sempre que desejarmos. E como é bom podermos fazer essas escolhas, definindo o próprio caminho, traçando os próprios planos! O Ser Humano não faz o que quer, deve traçar a realização de metas e o caminho para alcançá-las, e isso define o seu espaço de liberdade. Fora disso, já está em entrar no caminho do outro.

É verdade que nada na vida compensa o preço de ser livre. O que seria de nós, neste mundo globalizado, se não pudéssemos expressar-nos livremente? Não existia debate, pensamento livre, e até a ciência, que depende fortemente de que se possa dizer, do que se pensa (hipóteses) e do que se encontra (evidências), seria gravemente afetada. A internet uniu o mundo em rede, facilitando a nossa comunicação e permitindo dessa forma excessos em que a própria liberdade é usada contra si mesma.

A liberdade é sinónimo de dever. A liberdade de expressão exige sempre uma elevada responsabilidade, já que aquilo que dizemos, ou escrevemos, pode causar dor a nós mesmos e/ou ao próximo. A liberdade sem regras pode parecer «fixe», mas acaba sempre por acarretar riscos desnecessários que colocam a nossa vida e a dos outros em perigo.

23 de janeiro – Dia Mundial da Liberdade

A data foi criada pela ONU e proclamada pela UNESCO. A liberdade é um direito fundamental de todos os seres humanos que lhes permite realizarem as suas próprias escolhas, traçando o seu futuro e decidindo as suas opções de vida.

Liberdade na Declaração Universal dos Direitos Humanos

A Declaração Universal dos Direitos Humanos contempla a liberdade no Artigo 1.º: «Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade».

Já o Artigo 2.º refere que «Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação».

Texto de Vitor Santos

(Embaixador do PNED)

Desenho de Paulo Medeiros