Amarelo Silvestre apresenta “Uma ideia de Diário de uma República*”

Olhar é uma motivação maior da Amarelo Silvestre.

Olhar para ver.

Olhar com o corpo todo. Cansar o corpo, caminhando, caminhando, contrariando o que já sabemos, contrariando o que vemos por ver. O que vemos sem querer. Disponibilizar o corpo para olhar por querer.

Ter a sensação de que nunca vimos o que estamos a ver.

Sair para a rua com as perguntas todas: Como é que? O que é que? Para que é que? Porque é que? Onde é que? Quando é que?

Olhar e ouvir.

Perguntar para não se saber tudo. Continuar a perguntar antes que se saiba tudo. Contrariar o perigo de se saber tudo colocando mais perguntas. Quando se souber tudo, nada mais há para perguntar. Seria uma pena.

Perguntar por querer.

Não dar respostas. Dar perguntas. A boca não diz, a boca pergunta. A língua que a boca fala é a interrogação.

Olhar por querer.

Fotografar para prolongar o olhar. E o tempo. Levar fotografias para o palco do Teatro e continuar a olhar e a dar perguntas. Quando o espectáculo terminar, não terminam as fotografias. E as perguntas tampouco. O que é aquilo? E aquilo? Enquanto não pararmos de dar perguntas estaremos a olhar.

*A propósito da criação em curso da companhia de teatro Amarelo Silvestre. Diário de uma República é um projecto de Teatro e Fotografia enquanto espectadores da vida quotidiana durante uma década. Uma reflexão artística sobre o que vão sendo as pessoas e as paisagens de Portugal entre 2020 e 2030. 

A primeira edição deste projecto estreia em Junho de 2021, no Cine-Teatro Louletano.

Esta é uma co-produção Cine-Teatro Louletano e Teatro Viriato,  com apoio da Direcção-Geral das Artes e da Câmara Municipal de Nelas.

Fernando Giestas

Co-Director Artístico da Amarelo Silvestre

FOTO: Nelson d’Aires