A situação não é crítica, é muito crítica!

É PRECISO PARAR!
A situação não é crítica, é muito crítica!…
Nunca é fácil falarmos sobre nós próprios e expor a nossa vida, aquilo que no mundo de hoje ainda conseguimos manter privado, aquilo que é só nosso e dos nossos.
Hoje venho falar-vos também de uma situação mais pessoal na esperança de conseguir passar melhor a mensagem que precisa, urgentemente, de ser entendida por todos.
Em ambiente hospitalar e durante aquele que é o dia a dia do meu trabalho no centro de saúde, num momento de infortúnio, vi-me numa situação de contacto de risco com uma pessoa positiva para a COVID-19.
Apesar de levarmos já meses de pandemia, ainda nunca tinha acontecido e o desejável a todos, mas principalmente aos profissionais de saúde, é que nunca ocorra. Infelizmente, acabamos por ser aqueles que mais expostos estamos, apesar de o cumprimento dos cuidados ser permanente e uma das preocupações constantes.
Mais do que nunca, exijo a mim mesmo estar bem para ter condições de conseguir chegar a todos aqueles que de mim precisem.
Após um período de isolamento e da realização do teste, chegou o tão esperado resultado negativo, ao qual, por uma questão de segurança absoluta, se seguem ainda alguns dias sem realizar consultas presenciais, cumprindo assim as recomendações da DGS, tal como todos devemos fazer.
Iniciámos um novo confinamento, que rapidamente foi alvo de várias críticas, das quais partilho. Na verdade, as excepções ao confinamento são tantas que parece que não existe confinamento.
Mas mais do que criticar, é preciso que as pessoas cumpram as recomendações que são feitas desde o início da pandemia.
Não são as excepções no confinamento que agora foi decretado pelo Governo que aumentam o número de infecções, todos os dias, nas últimas semanas. São os nossos comportamentos!!! E enquanto os Portugueses não perceberem isto, não vamos conseguir achatar a curva, não vamos conseguir salvar empregos. Pior que tudo… não vamos conseguir salvar vidas!
A generalidade dos Portugueses tem vindo a encarar este novo confinamento com uma descontração que só posso classificar de assustadora, descontração essa que nem os números absolutamente aterradores das últimas semanas parecem alterar. O medo inicial do vírus, que levou a uma postura estóica e responsável da generalidade dos Portugueses no primeiro confinamento, desapareceu. O perigoso nesta situação é que existem muitas mais razões para se ter medo agora.
É pública a situação em que os hospitais de todo o país se encontram: ruptura eminente!
São cenários absolutamente dramáticos, que só quem os vive consegue perceber a dimensão do que estamos a enfrentar.
A taxa de mortalidade das pessoas que necessitaram de cuidados intensivos aumentou de cerca de 15% para cerca de 40% na última semana. Morre-se mais do dobro nos cuidados intensivos.
Ao nível do nosso concelho, faleceram já 5 pessoas e, infelizmente, temos várias pessoas internadas em estado muito grave, com o número de casos activos a ultrapassar a centena.
Tudo isto deve merecer uma reflexão de todos nós, não só ao nível individual, mas também de fiscalização do próximo e responsabilização colectiva.
Por favor, não vão ao Centro de Saúde e/ou Serviço de Urgência se não for estritamente necessário! Em situações agudas, telefonem e avaliem da necessidade de se expor a riscos face à situação diagnosticada.
Protejam-se, sejam responsáveis e não saiam de casa!
Se precisarem MESMO de sair, cumpram todas as recomendações: usem sempre e corretamente a máscara, mantenham sempre o distanciamento social, higienizem as mãos de forma regular e cumpram a etiqueta respiratória.
Como se tudo já não bastasse, estamos numa altura do ano típica com infecções respiratórias. Se tiverem algum sintoma associado a qualquer destas situações não facilitem, podem estar perante um caso de COVID-19, facilmente contagiável a algum familiar, que poderá desenvolver sintomatologia grave da doença.
Portugal vive um momento desesperante e triste. Os números diários de pessoas infectadas com COVID-19 são absolutamente esmagadores ao nível mundial e incomportáveis para qualquer Sistema de Saúde.
Já estivemos entre números que nos podiam dar alento… hoje, em termos percentuais, que é o que realmente nos mostra a situação real do país, somos o PRIMEIRO país com mais novos casos de infecção do mundo e o QUARTO em número de mortes.
Os números falam por si… não é preciso dizer mais nada.
Só me fica uma pergunta: o que é que nos aconteceu?!
Está nas mãos de todos nós invertermos este rumo e começarmos a salvar vidas!
Da minha parte, ainda que em isolamento, continuarei a trabalhar e completamente disponível para ajudar todos aqueles que de mim precisem!
Paulo Catalino