“Esta pandemia tem sido cruel para a cultura”

Como surgiu a ideia de criar o Grupo HÁBITOS,tão eclético,que vai desde as artes circenses,a saltimbancos e Teatro?

O Teatro Hábitos surge da conexão entre duas pessoas com interesses e ligações comuns às artes, e com vontade de criar algo diferente.

Nasce numa altura em que o concelho de Nelas vivia uma fase cultural um pouco mais estagnada, principalmente o teatro.

Foi apresentado o projeto no final do verão de 2012 na altura numa forma experimental, que visava um espetáculo de teatro de rua com comunidade, em parceria com a associação “os Carvalhenses”, que logo muito cedo o apadrinhou.

A peça estreia em novembro, dois meses depois em Carvalhal Redondo, o sucesso foi tal que ultrapassou todas as expectativas, o nível de impacto e aceitação foi enorme, e isso veio a refletir o trabalho a união e o querer de todos os seus participantes.

A partir daí já foram os próprios interveniente que quiseram dar continuidade ao projeto e no início de 2013 surge Associação Cultural Juvenil Teatro Hábitos.

Numa fase inicial basicamente só explorávamos o teatro de rua e performativo, mas com o tempo começaram a surgir novas visões e houve a necessidade de integrar e incentivar mais os jovens e surge então as artes circenses e a acrobacia. O teatro clássico veio depois complementar o projeto satisfazendo assim todas as faixas etárias, adaptando se a todos os gostos e aptidões.

Em 2014 sentimos a necessidade de ter voz e palco, já que as oportunidades não estavam a ser muitas, e surge então o festival de Artes Habitua-te, pioneiro e único mais uma vez no concelho. Premiado em 2019 pela revista Anima`Arte com evento cultural do ano, que nos encheu de orgulho e vontade de continuar com o projecto.

Nestes oito anos podemos dizer que já produzimos dezenas de espetáculos, fizemos mais de uma centena de apresentações e já trabalhámos com centenas de pessoas. Felizmente temos atuado um pouco por todo país, o reconhecimento externo tem sido extraordinário, já marcámos presença em vários eventos de grande referência a nível nacional, e é isso que nos faz alimentar o sonho, e dizer que valeu a pena, todo o esforço e muitas vezes o sacrifício é recompensado quando nos abrem estas portas.

Como estão a viver a atual pandemia e que grandes desafios enfrentam? 

Infelizmente esta pandemia tem sido cruel para a cultura, e a nós particularmente veio travar todo o trabalho até então feito, este ano estávamos com a agenda cheia de espetáculos, seria o ano de recolher alguns dos frutos de todo o trabalho feito, o investimento estava finalmente a ser rentabilizado e foi completamente frustrante ver a nossa vida mais uma vez andar para trás, completamente desmotivadora tal situação.

Com que apoios têm contado e qual a vossa programação para os próximos tempos?

Felizmente tivemos o apoio da Camara Municipal de Nelas, que nos veio suportar algumas das nossas despesas, foi extraordinário ter acontecido e da União de Freguesias Carvalhal Redondo e Aguieira. Em relação á programação este ano só conseguimos fazer um pequeno apontamento no festival Habitua-te, algo simbólico para marcar o evento. Vamos ter uma pequena atuação agora no natal, e basicamente estamos na expectativa e ansiosos para nos deixarem novamente trabalhar.

As plataformas digitais têm ajudado a manter o contacto com o vosso público, em tempos de confinamento?

Numa fase inicial usávamos as redes sociais só para postar vídeos de apoio e com mensagens de solidariedade á sociedade e para com o nosso publico, mas basicamente desde o inicio da pandemia que a associação está quase completamente parada, temos respeitado as normas de segurança, fizemos questão de evitar qualquer tipo de ajuntamento, e como o Hábitos é um projeto que vive da comunidade e de muitas pessoas é quase impossível criarmos qualquer tipo de atividade nesta fase, mesmo que seja para passar na internet. Na altura mais calma da pandemia no verão conseguimos repor só os treinos circenses e fazer um ou outro espetáculo, mais direcionados para os mais jovens, mas evitámos ter algum contacto com as pessoas mais velhas, algo que tivemos que voltar novamente a cancelar no final do verão por causa da evolução da pandemia. Infelizmente as associações como a nossa ficaram mesmo com as mãos e os pés atados. Resta-nos trabalhar a nossa evolução pessoal, ensaiar e treinar sozinhos e esperar por melhores dias.