Museu Mineiro da Urgeiriça vai ser uma realidade

Depoimento de Pedro Baila Antunes (IPV) que coordena a equipa de criação do espaço museológico: 
Ontem, 4 de dezembro, dia de Santa Bárbara, padroeira dos mineiros, e Dia da festa anual da família mineira da Urgeiriça – da qual já me sinto um filho adotivo -, foi apresentado online, em primeira mão para os ex-trabalhadores das minas de urânio, o projeto do Museu Mineiro da Urgeiriça.
Trabalhando em conjunto com o João Paiva e a Liliana Garcia, coordeno a Comissão Técnica Especializada para a Criação do Museu Mineiro, promovida pela ATMU – Associação dos Ex-Trabalhadores das Minas de Urânio .

A ATMU – Associação de ex-Trabalhadores das Minas de Urânio e a AZU – Associação das Zonas Uraníferas lideradas pelo incansável

Antonio Candido Minhoto Minhoto, têm realizado um trabalho excecional em prol dos direitos laborais e sociais dos ex-trabalhadores das minas de urânio (p.e. as indemnizações no caso de morte ou doença profissional dos antigos mineiros), das suas condições de vida (descontaminação das habitações do Bairro Mineiro da Urgeiriça, em vias de ser realizada) e da defesa do ambiente (vide a recuperação ambiental da área mineira da Urgeiriça e outras minas).
Depois desse enorme Passivo, é mais que tempo para se dar uma inversão, impulsionando o grande Ativo potencial da Urgeiriça, com a sua geologia e natureza particular, a sua história, as estruturas de arqueologia industrial, o acervo de equipamentos e documentação, a ciência e o conhecimento inerentes, o Bairro Mineiro e as suas habitações e a comunidade associada à exploração mineira de todo o Séc. XX.
Grandes projetos, “de milhões…”, foram já aventados para o local (p.e. Centro Interpretativo, Centro Rádio Natura ou Escola Profissional).
Na verdade, bom, na verdade(!) a geração mineira, sofrida pelo Passivo, envelhecida e perecida por neoplasias…, não vê nada no terreno ou mesmo em projeto.
Num processo muito endógeno, sustentado e em várias fases, que decorre há dois anos, através de uma parceria estabelecida com o Instituto Politécnico de Viseu,foi entretanto elaborada a Proposta de Programa Museológico, elaborada pela Liliana Castilho.
Cumprindo as premissas iniciais, este é um Projeto, que rapidamente pode ser implantado, que emerge muito articulado com os ex-trabalhadores das minas de urânio, que tem um custo reduzido, sustentável no seu investimento e exploração, que aproveita instalações e que recupera materiais e artefactos dispersos na comunidade, apenas com alguns apontamentos tecnológicos, mas que não prescinde de uma interação-experimentação científica dos visitantes no final da visita.