O verdadeiro destino do novo empréstimo ou quando o lapsus não é linguae

Opinião por Joaquim Amaral, Vereador do PSD Nelas

Muitas vezes, o que parece é. E como fomos sempre dizendo desde o início, este novo empréstimo, com tanta pressa e sofreguidão, só poderia ser, como é, para resolver gravíssimos problemas de tesouraria deste executivo. Um executivo que gasta mais do que aquilo que tem, em particular em despesas supérfluas com avenças, pareceres, consultorias e pessoal político, que consomem até ao tutano as disponibilidades financeiras da autarquia. E como se gasta o que se não tem, só sobeja o endividamento. O planeamento estratégico não existe, muito menos o compromisso geracional. Sem prurido algum, para o executivo as próximas gerações que paguem a dívida.

É este o verdadeiro móbil de toda esta urgência do executivo com o novo empréstimo – o 3º neste mandato – o da míngua financeira para honrar compromissos, como se comprovou cabalmente na última reunião de câmara, quando o presidente da autarquia, quando confrontado com diversas questões, deixou escapar o que na essência resume o seu pensamento “A consignação – da Rotunda do Chão do Pisco/”Borgstena” – pode até ser no próximo ano”. Como se evidencia, a urgência do empréstimo é mesmo OUTRA.

Os atropelos legais e irregularidades de todo o histórico do processo do novo empréstimo, que passou de 1.6 milhões iniciais, para metade do valor poucos dias depois, de 10 para 3 empreitadas, das quais duas com valores inflacionados em 85 mil euros, resumem-se a isto: o assustador descontrole orçamental, que resultou em saldos negativos nos 3 últimos anos – 2017, 2018 e 2019 (total de 2.2 milhões negativos) – em tudo gerado por uma elevadíssima despesa corrente, muito dela de puro esbanjamento em compromissos políticos.

3 anos de mandato, 3 empréstimos. E ainda falta um ano, o de eleiçõesNo total, Borges da Silva e o seu executivo acrescentaram neste curto período dívida de 5.3 milhões de euros (e o valor não é mais avultado porque houve um chumbo pelo meio). Mas não poderiam ser feitos empréstimos? Poderiam. Mas não desta forma. Não misturando, de forma deliberada, projetos que subscreveríamos, como dissemos na altura e dizemos hoje, como as ETAR ou o reservatório de água, com outras empreitadas de utilidade e prioridade muito questionáveis, ou outras obras que estavam consignadas nos orçamentos municipais e por aí deveriam ter sido custeadas, e não o foram porque as avenças consumiram essas verbas.

essa é a linha do muito que nos separa: cortar nas anafadas despesas supérfluas para libertar tesouraria para investimentos de coesão e de aprovisionamento de verbas para as comparticipações da autarquia para obras co-financiadas, sem colocar em causa o equilíbrio e a sustentabilidade financeira, nem hipotecar e condicionar o futuro do nosso Concelho.

O executivo vai enviar documentos deste novo empréstimo, impregnado de atropelos e irregularidades, para o Tribunal de Contas. Nós faremos o mesmo.

Este portal utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização Saiba mais sobre privacidade e cookies