Endividamento e Obras Executadas. A dicotomia na gestão autárquica de Nelas dos últimos três anos. Que comentário lhe merece?

Um Leilão ao Contrário

Um milhão e seiscentos mil, 1.6 M€, dez projetos por 1.6 M€, valor da parada…menos, aquele senhor do PS dá menos? 800 Mil euros?

Corre, corre para 800 Mil euros! Projetos? Quais obras a financiar? São 800 Mil, são 800…Está bem. Três, 3 obras por 800 Mil euros. Ora 1.6 M€ para 10 obras, 800 Mil dá para 3, noves fora…mas duas das obras inflacionaram 13% e 35%? Passaram 5 dias, normal. Siga, são 800, são 800 Mil!

E assim se chega à aprovação do 3º empréstimo do presente mandato, perfazendo 5,3 M€ (2.2 M€ + 2.3 milhões setembro M€ em 2018 e agora 800 mil euros).

Atropelam-se procedimentos, aprovam-se documentos com erros grosseiros de datas, não se fazem novas consultas a bancos, porque o importante é em 3 semanas passar-se de um empréstimo de 1.6 M€, chumbado, para um de 800 Mil euros, aprovado (Pelo PS, as juntas e uma abstenção do CDS).

Ups! Afinal é preciso ir à Reunião de Câmara para aprovação da não renegociação com os bancos…Não APROVADO! Afinal a forma conta Sr. Presidente, não se podem atropelar procedimentos.

E agora? O que fica para trás ou mais em atraso? As ETAR eternamente em construção? Quantas entraram em funcionamento? Malgrado as promessas salta-se de prorrogações em prorrogações de prazo, com as consequentes verbas adicionais, qual sumidouro de recursos.

Ou ficam por fazer a tão “urgente” rotunda do Chão do Pisco (130 mil dentro do ora empréstimo, + 13%), O CAVES (400 mil) a saturar papéis, qual malabarista os deixe cair? Avança a Remodelação de redes de abastecimento de saneamento e de águas no concelho (270 mil dentro do ora empréstimo, + 35%)? São 800 mil euros, são 800 Mil.

Ou será que sofrem as dívidas a fornecedores ou quaisquer despesas correntes? É que tanta pressa numa aprovação de empréstimo, com tanta trapalhada, é mais sintoma de aflição do que qualquer projeto sob intenção.

Em três anos de mandato não se nega a necessidade de obras fundamentais que o marcam, as ETAR e o depósito de águas. O que se discute é o seu atraso contínuo, de mês para mês, já de ano para ano. O que se discute são os sucessivos empréstimos quando se vê a demasia em cargos políticos que, não se lhe conhecendo obra ou fundamentos para reconhecimento de necessidade, induzem o pagamento de favores políticos para os quais todos contribuímos. O que se discute são necessidades questionáveis de algumas consultorias. O que se discute é a gestão política, em detrimento da gestão estratégica.

Maria João Ribeiro

Deputada Municipal PSD Nelas

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