Endividamento e Obras Executadas. A dicotomia na gestão autárquica de Nelas dos últimos três anos. Que comentário lhe merece?

Em 2017 o Partido Socialista apresentou um candidato, Dr. Borges da Silva, uma equipa, e um programa ao eleitorado do concelho de Nelas que mereceu uma grande vitória.

No programa apresentado ao eleitorado era constituído por duas traves mestras: a defesa e manutenção de umas finanças equilibradas, e a realização de um conjunto de investimentos estruturantes, na aérea económica, social, ambiental e da saúde, que permitissem ao concelho enfrentar os desafios que esta nova década que se avizinha nos apresentará.

Com o desiderato de atingir este último objectivo, a Câmara, com o apoio do Partido Socialista, conseguiu aprovar, em sede de Assembleia Municipal, várias candidaturas a fundos europeus e nacionais, bem como, por forma a suprimir as necessidades do financiamento da componente municipal, a aprovação de um empréstimo no ano de 2018 no valor de 5.5 milhões de euros, dos quais 450.000 euros se destinavam a financiar um conjunto de outros investimentos para levar a cabo em todas as Freguesias do concelho. De salientar que 82% dos empréstimos aprovados destinaram-se a obras de valor muito superior, apoiadas com fundos europeus ou nacionais pelo que, tais empréstimos, tiveram um benefício para as populações, muito superior ao valor dos empréstimos.

Acresce ainda referir que por uma questão de opção política, e quanto a nós bem, ocorreu uma redução substancial do valor do IMI, com a consequente perda de receitas e em simultâneo a inclusão no quadro dos chamados “contratos precários”, o que levou a um aumento da despesa.
Se a estes dois últimos factos, associarmos o valor do empréstimo contraído, impunha-se uma governação extremamente rigorosa da autarquia.

No entanto, que temos visto nos 3 anos de mandato já cumpridos? Aparentemente, a gestão do município tem sido tudo menos criteriosa.

A Câmara passou a contar com mais um vereador e 2 assessores e, se isto não fosse já suficiente assistimos ainda à requisição, de um chefe de Gabinete (este entre Outubro de 2018 e Agosto de 2020). Tais nomeações foram da exclusiva responsabilidade do Sr. Presidente da Câmara, não tendo sido mais ninguém ouvido e achado sobre o assunto em epígrafe.

Aparentemente, na base da decisão deste significativo acréscimo de despesa com pessoal político, estaria a necessidade de levar por diante a execução do plano tão ambicioso mas, infelizmente a execução orçamental de 2019 demonstrou uma vez mais a grande dificuldade no cumprimento de tal programa.

Do valor orçamentado para despesas de investimento, mesmo apesar de estarem garantidas à partida, as fontes de financiamento, quer pelos fundos europeus quer pelos empréstimos disponíveis, apenas foram executados cerca de 35%.
Nem sempre a abundância de dinheiro é um bom sinal, pois muito mais do que dinheiro, precisamos de inteligência e critério na gestão dos meios disponíveis!

A governação do Partido Socialista a nível nacional foi um bom exemplo de que com poucos recursos disponíveis, era possível equilibrar as finanças públicas, executar obra e crescer em convergência com o resto da Europa.Para conseguir atingir este resultado, foi necessária uma gestão extremamente criteriosa e inteligente dos poucos recursos existentes, bem como uma excelente gestão de expectativas, mostrando ao nosso povo, que após todos os sacrifícios que tínhamos feito existia uma luz ao fundo do túnel.

Uma vez mais enfrentamos uma nova crise, esta sanitária com terríveis consequências económicas. Mas uma vez mais, e como já demonstrou o nosso governo, é essencial tomarmos todas as medidas enquanto cidadãos e povo para debelar esta pandemia e prepararmo-nos para voltar a recuperar a actividade económica.

Para a mesma ser bem sucedida é fundamental no momento que vivemos uma gestão extremamente rigorosa e criteriosa, da coisa pública, por forma a que quando formos bafejados pelo novo plano de revitalização da economia europeia estarmos preparados financeiramente para a acompanhar. Certamente que nenhuma catástrofe poderá durar a vida toda. Depois da tempestade virá a bonança. Temos que ser cautelosos em tempo de incerteza preparando-nos para as oportunidades que virão depois.

O Primeiro Ministro já deu o exemplo ao afirmar que só quer ter acesso a fundos e não a empréstimos, pois na sua memória ainda estará bem vivo o que foi feito ao nosso pais em 2011.

O nosso país e o nosso município não merecem e não querem, uma vez mais a humilhação de uma intervenção externa nas suas contas, com a consequente perda de autonomia.
Por isso mesmo é essencial seguir uma política de boas contas públicas, por forma a não perdermos oportunidades que se avizinham e hipotecarmos o futuro das novas gerações.

O povo do concelho de Nelas poderá sempre contar com uma atitude responsável por parte Partido Socialista, mesmo que por vezes a mesma não seja popular, nem populista, para nós estarão sempre em primeiro lugar os superiores interesses da população do nosso concelho.

Juntos, em grande unidade, dentro da diversidade, certamente poderemos ultrapassar tudo.

Pedro Marques Borges, Presidente da Comissão Política Concelhia do PS

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