Exposição em Bordéus marca o 80º aniversário de Aristides de Sousa Mendes na cidade

Abre ao público esta segunda-feira, 12 de outubro, em Bordéus, no sudoeste da França, uma exposição para assinalar o octogésimo aniversário da concessão por Aristides de Sousa Mendes, cônsul de Portugal nesta cidade entre 1938 e 1940, que entre 17 e 25 de Junho de 1940, concedeu mais de 30.000 vistos a cidadãos perseguidos, judeus e não só, à revelia das ordens de Salazar, que o demitiu por desobediência.

Abriu ao público em Bordéus, embora sem inauguração formal nesta segunda-feira, 12 de outubro, uma exposição em homenagem à memória de Aristides de Sousa Mendes, um aristocrata, monárquico e católico, cônsul-geral de Portugal em Bordéus entre 1938 e 1940, ano em que a Alemanha nazi invadiu a França e se exacerbaram as perseguições.

Mas já a partir de 1939 o antigo cônsul concedeu passaportes falsos e vistos a pessoas perseguidas, mas o apogeu ocorreu entre 17 e 25 de junho de 1940, período durante o qual “inspirado por um poder divino” Aristides Sousa Mendes atribuiu mais de 30.000 vistos indiscriminadamente a todos os que lho pedissem, cidadãos refugiados ou perseguidos, mulheres, homens, velhos e crianças, entre os quais cerca de 10.000 judeus.

A 8 de julho de 1940 Aristides Sousa Mendes regressa a Portugal, onde foi submetido ao conselho de disciplina, o Ministério Público pediu que ele fosse retrogradado na carreira diplomática, mas Salazar infligiu-lhe uma pena mais leve, no entanto o diplomata faleceu em condições de extrema precaridade a 3 de abril de 1954.

Declarado “Justo entre as Nações” em 1966 pelo Memorial do Holocausto Yad Vashem em Jerusalém, só 20 anos mais tarde e 16 após a morte de Salazar, a 15 de novembro de 1986 é que Portugal o reabilitou, o então Presidente da República Mário Soares condecorou-o a título póstumo com a “Ordem da Liberdade”, foi-lhe atribuido o grau de “Oficial” e a sua família recebeu um pedido de desculpas públicas.

Mas só em 1987 e por pressão internacional é que teve lugar em Portugal a primeira homenagem pública a Aristides Sousa Mendes, com a entrega à sua família da Ordem da Liberdade.

No início de outubro de 2020, o parlamento português criou um grupo de trabalho para organizar a trasladação para o Panteão dos restos mortais de Aristides Sousa Mendes, na sequência de uma proposta aprovada por unânimidada, apresentada a 3 de julho pela deputada origem guineense Joacine Katar Moreira não inscrita, mas eleita pelo partido Livre.

Neste grupo participam representantes de todas as bancadas parlamentares, com excepção de André Ventura, o único deputado do partido de extrema-direita Chega, que se auto-excluiu do mesmo.

Para nos falar de Aristides Sousa Mendes, ouvimos Mário Gomes cônsul-geral de Portugal em Bordéus, cidade onde desde 1994 existe uma rua com o nome de Aristides Sousa Gomes, uma escola, um busto e associações para homenagear a sua memória, caso do Comité Sousa Mendes, um dos organizadores desta exposição, patente ao público até ao final de 2020 para homenagear o “herói de Bordéus”.

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