História de vida : Francesa Nathalie Chazot mora há 20 anos em Nelas e sofreu violência doméstica

Pertence à grande família do maior Clube do distrito de Viseu – em sócios e títulos e é ali que se sente feliz. Nathalie, atualmente com 49 anos, chegou a Portugal há precisamente 20 – ou seja, em 1999.
Conta-nos que a sua vivência em terras Lusitanas, está “está recheada de coisas boas e más, mas estas se calhar não conto”. Mas no desenrolar da conversar acaba por confidenciar o horror que viveu, precisamente numa semana em que a violência doméstica é lembrada. Comecemos pela adaptação ao nosso país. O “choque de culturas”,  surpreendeu e foi algo que a fascinou : “Via a minha ex “sogra” fazer o comer para os animais, ou sopa, na Lareira ,na panela de barro e ir buscar água na Fonte com os cântaros. Nunca tinha visto isso”. Um Portugal que há 20 anos sentiu que era um pouco “antiquado”, opinião que mantém na atualidade, nomeadamente ao nível de desenvolvimento humano e cuidados de um Estado que se diz social. “Os salários são muito baixos comparado com outros países. A nível de saúde nem se fala. Fiquei chocada com o sistema de saúde, que tem vindo a deteriorar-se”, diz-nos.

Na sua longa história no concelho de Nelas, começou por nos dizer que conheceu o pai do filho, Lucas, em França e começaram a namorar. “Ele, português, regressou ao seu país em 1996, e dois anos depois mandou-me vir morar com ele aqui, na casa da sua mãe, numa aldeia pequena, meio muito pequeno, onde toda a gente fala da vida dos outros – não estou habituada e claro que me apontaram o dedo sendo estrangeira”, relata. Nathalie desde logo quis aprender o idioma – essencial para estar confortável – e decidiu fazê-la da forma mais rápida possível – comprou um “méthode assimile”.
Mas nem tudo foi um mar de rosas nesta aventura. Em 2005 separa-se do companheiro, devido a “violência doméstica”.

“Fui viver sozinha com o Lucas e em 2009 tive cancro da mama, tirei um peito, entretanto fiz reconstrução e está tudo bem desde então”, conta, explicando que, de alguma forma, entrou depois na melhor fase da sua vida em Nelas : “O Lucas entrou no ABC de Nelas,  tinha 7 anos e como eu o  acompanhava sempre,o Mister Jorge Coelho perguntou se queria fazer parte da direção. Claro que aceitei, porque representava mais um desafio para mim. Comecei com três escalões, e desde então nunca mais quis outra coisa. Em 2015 entrei como funcionária do Clube (claro que trabalhei antes, como na Movecho ou na SFPC Capacetes).

Termina enaltecendo o nosso país “Portugal tem praias lindas e Serras lindas, monumentos cheios de história. O sol e calor no verão, não muito frio no Inverno. Adoro viver cá. Quando tenho um fim de semana de livre, aproveito e vou sem destino, descobrir os encantos deste país”, claro tudo isto na companhia do atual e “inseparável” companheiro.

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