MAAVIM fala em “operação de sucesso” na retirada do indigente de Lisboa

Movimento de Apoio aos Lesados dos Incêndios de Outubro de 2017, rejeita acusação do presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, de ter avançado com “fake news” nas redes sociais e Nuno Pereira (porta voz) deixa um aviso :

“Estarei na minha livre função, de em sede própria agir judicialmente, contra quem me difamou a mim e à associação Maavim e aos seus elementos e associados, bem como todos os lesados dos Incêndios de Outubro de 2017”

Esclarecimento enviado à nossa redação :

Eu, Nuno Fernando Tavares Pereira, que também sou Porta-Voz da Maavim, venho dar o esclarecimento da retirada do cidadão Jan Andre Rooseboom, das ruas de Lisboa.

Infelizmente gostaríamos que fossem fake news, mas não são.

No dia 20 de Novembro, pelas 21h30m fui contactado por um fotógrafo, através de uma mensagem com uma foto, onde me questionou se conhecia um “sem abrigo” com quem estava em Lisboa. Falou-me que tinha ficado sem a sua habitação e os seus haveres, nos incêndios de Outubro de 2017, em Oliveira do Hospital.
Após ter visto a foto, imediatamente confirmei que era o Jan, que tinha a sua habitação na zona da Quinta do Pisão, em Oliveira do Hospital, o qual nas primeiras semanas após o incêndio de Outubro de 2017, foi ás nossas instalações em Midões, solicitar apoio, tendo levada alguns bens (documento 1), para ficar a dormir provisoriamente.
O Jan, no dia 20, encontrava-se sem telemóvel e tinha somente uma mochila. Referiu inclusivé que, uns dias antes tinha sido alvo de pancadaria por uns cidadãos que o maltrataram. Ora, esse era logo um factor para que estivesse também sem contacto com a família e qualquer outra pessoa que o tentasse contactar.
Após uma publicação no Facebook pelo fotógrafo por volta das 22h e logo de seguida por mim, tentámos explicar a situação que encontrámos e que queríamos resolver. Rapidamente a história se tornou viral no dia seguinte.
Na Quinta-Feira, dia 21, fui contactado por um meio de comunicação social, que também contactou o Sr. Presidente do município.
Fui ainda contactado pela madrasta, que se intitulou como estar a falar pelo pai. Nesse momento, estava com esse órgão de comunicação social e a conversação iniciou-se, dizendo que Jan já tinha problemas antes dos incêndios, e que durante a altura do incêndio estava na Bélgica. Facto que confirmei com o próprio, que na altura se encontrava a trabalhar em jardinagem na Bélgica e que inclusive, já tinha bilhete comprado para Portugal antes do dia 15 de Outubro de 2017.
A Sra. disse que tinham duas habitações onde Jan, poderia ficar. Facto ao qual logo questionei, se estariam na disposição de o receber no dia seguinte, tendo imediatamente respondido que não.
Ora após esta afirmação e depois de ir verificar o estado da habitação onde Jan morava, que estava na mesma situação que estava à 10 meses atrás. A diferença era que agora o terreno estava vedado.
Relembro que este mesmo caso já estava referenciado desde o início do ano por não ter tido apoio, mesmo sabendo que vieram apoios da UE, através do FSUE para este tipo de situações, no sentido de apoiar no alojamento temporário :

Sabemos que a habitação onde habitava Jan, estava em nome de seu pai, embora tendo sido reconstruída pelo Jan, onde morava hà mais de 20 anos.
Entendemos que o Sr. Presidente do município de Oliveira do Hospital queira tirar aproveitamento político destas situações, como tem sido habitual desde hà dois anos a esta parte por diversas entidades oficiais. Aliás alguns municípios e entidades nacionais continuam regularmente a tirarem partido das fragilidades das populações que perderam os seus bens nesse fatídico dia, com inaugurações, execução de obras e uso de donativos dos portugueses para continuarem ainda hoje a andarem “a dar”, o que outros enviaram para as populações na altura, à mais de 2 anos. E temos consciência que vai continuar, pelo menos até 2021, pela quantidade de dinheiros ainda nas contas solidárias de várias autarquias, pelos materiais e pelas obras lançadas, por exemplo para colocar alcatrão, que vai ser financiado pelo FSUE, mas que numa primeira instância foi enviado para Portugal, pela UE para assistência à população, como a própria UE nos informou em 12 de Março de 2019.
Independentemente de qualquer que seja a origem, religião ou estrato social, a nenhum cidadão pode ser negado o apoio. Ora o Jan desde o primeiro contacto com a Maavim, teve o nosso pequeno apoio com alguns materiais que também nos doaram, como por exemplo um colchão do grupo “Esposende com Pedrogão no coração”, umas árvores doadas pela população de “Sancti-Spiritus (Salamanca)”, paletes nossas e diversos utensílios de outros voluntários anónimos.
Em casos de uma situação de abandono de um ser humano, não estão em causa quaisquer situações de discriminação, sejam elas por que motivo sejam. 
A ultima vez que tinha tido contacto acerca de Jan, foi-me informado, pelo amigo dele, (que também ficou sem a sua habitação e haveres no mesmo incêndio), que Jan estava em Azeitão, onde lhe teriam arranjado um local para trabalhar e também para dormir/viver. Foi esse o local onde fomos retirar algumas coisas que o Jan tinha, na passada Sexta-feira (documento 5).
O Jan foi acompanhado nos primeiros tempos, para que se precisasse de alguma coisa, nos solicitar, tempo inclusivé o mesmo nos dito que esteve no município e que falou pessoalmente com o presidente, a pedir ajuda após tudo ter perdido
Esta sinalização foi também comunicada pela Maavim, para a provedora de Justiça em 25 de Abril de 2019 (documento 3), e sabemos que o caso dele, como o de outras pessoas que não tiveram apoio, quer em Oliveira do Hospital, quer em outros concelhos afetados pelos incêndios de Outubro de 2017, têm sido alvo de análise especial pelas entidades competentes. No entanto são ainda muitos os casos por resolver os quais continuamos a acompanhar e a tentar ajudar.
Este documento será comunicado ao Sr. Presidente da República que tem uma sensibilidade especial com casos de abandono de pessoas, para que todos em conjunto possam encontrar uma solução para esta realidade do Jan. Também será remetida uma cópia para a UE, onde decorre um inquérito desde Janeiro de 2019 (documento 4), para os casos das populações que foram abandonadas, com esta nova informação.
Não fiz o comunicado antes porque a prioridade era, a de estabelecer o Jan em Oliveira do Hospital, preservando o seu querer e a sua vontade.
Neste momento está bem, está onde gosta e terá acompanhamento por mim e pela Maavim, dentro das nossas humildes possibilidades e enquanto o Jan bem entender.
Este ex. “Sem Abrigo”, que por coincidência também foi um dos lesados dos Incêndios de Outubro de 2017, tendo ficado sem nada, tem agora, como o próprio diz “mais força”, porque tem gente amiga. 
Agradeço o apoio de todos os voluntários e anónimos que nos tentaram contactar para ajudar o Jan, mas que por uma questão de proteção e melhor monitorização do caso, não podemos aceitar.
Aliás, logo no dia após o primeiro contacto, que foi efetuado pelo fotógrafo, que foi sem dúvida um herói ao tentar ajudar um sem abrigo, no dia seguinte o Jan foi acompanhado por um técnica de grande experiência no terreno que logo o conseguiu convencer a regressar a Oliveira do Hospital, onde o poderíamos ajudar no que ele entendesse, para poder estabilizar a sua vida.
Para todas estas pessoas o meu obrigado e na devida altura mencionarei em detalhe toda esta “operação” que foi um sucesso, na retirada de um cidadão das ruas de Lisboa.
Estarei na minha livre função, de em sede própria agir judicialmente, contra quem me difamou a mim e à associação Maavim e aos seus elementos e associados, bem como todos os lesados dos Incêndios de Outubro de 2017.
Nuno Fernando Tavares Pereira

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