Mesa de Lemos e Diogo Rocha conquistam uma estrela no Guia Michellin

A Casa de Chá da Boa Nova, do chef Rui Paula, ascende ao exclusivo clube duas estrelas Michelin, ao mesmo tempo que a lista de restaurantes com o desejado símbolo do famoso guia passa a ter também quatro novos restaurantes portugueses.

Sem grandes surpresas, mas com o nosso país a assumir-se cada vez mais como protagonista, a edição 2020 do Guia Michelin foi lançada na noite desta quarta-feira, em Sevilha, num cenário de grande acontecimento e com a envolvente do histórico Teatro Lope de Vega. Ao contrário do que acontecia ainda há alguns anos, a gastronomia portuguesa atrai hoje o foco das atenções, e os 27 restaurantes estrelados – sete já com duas estrelas – assim o justificam.

E se a consagração de Rui Paula já era um segredo de polichinelo – a surpresa seria mesmo se não se confirmasse –, o mesmo se pode dizer também em relação aos novos estrelados. Com o Mesa de Lemos, o guia consagra não só a valia e qualidade do trabalho culinário que Diogo Rocha ali pratica há um punhado de anos, mas também a tendência crescente do turismo e experiências gastronómicas associadas às quintas e produtores de vinho.

E se é possível olhar para Diogo Rocha como estreante – o distrito de Viseu também nunca tinha tido honras Michelin –, já no caso dos outros três trata-se de cozinhas comandadas por velhos conhecidos dos inspectores. Com a estrela do Fifty Seconds, o restaurante da Torre Vasco da Gama, no Parque Expo, Martin Berasategui soma agora um total de doze estrelas outorgadas pelo guia, enquanto a consagração do projecto pessoal de Vincent Farges – o Epur – surge depois de o chef ter esperado em vão pela segunda estrela no Fortaleza do Guincho.

Embora com currículo ainda mais curto, o trabalho de Rui Silvestre já não era também desconhecido para os inspectores, que há quatro anos o consagraram – então sim, com surpresa – com a atribuição da estrela ao restaurante Bon Bon. No Vistas, o restaurante do Monte Rei Golf & Country Club, nas Sesmarias, Albufeira, onde chegou há coisa de dois anos, reconhecem não só a valia da sua cozinha como também o potencial de desenvolvimento do projecto associado ao empreendimento. É também prémio e inspiração para a região do Sotavento, desde sempre dissociada do êxito e glamour associado à alta restauração do Algarve. 

O director internacional dos Guias Michelin, Gwendal Poullennec, fala mesmo “numa consolidação da alta cozinha” e, referindo-se a Portugal e Espanha, de um “nível gastronómico que segue em alta e com a criatividade dos chefs em constante evolução”.

Na nota que apresenta as novidades da edição de 2020, o guia destaca, naturalmente, a entrada do restaurante de Rui Paula para a elite das duas estrelas. “Para nosso deleite, estamos encantados por outorgar a segunda estrela Michelin ao restaurante Casa de Chá da Boa Nova, já que cativou os inspectores tanto pela selvagem naturalidade do estabelecimento, sobre as rochas da praia da Boa Nova, como pela intensidade da proposta do chef, que joga com a memória, as técnicas mais actuais e a cozinha de proximidade para transmitir aos seus pratos o autêntico sabor do Atlântico”.

O reconhecimento chega poucos meses depois – quando o guia estaria já certamente fechado – de Ferran Adrià ter dito que a Casa de Chá da Boa Nova “é o restaurante mais bonito do mundo”. “É incrível, de fazer chorar, todas as pessoas que amam a gastronomia têm de lá ir”, disse o mítico chef do elBulli. Rui Paula nem em sonhos o terá imaginado.

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