Incêndios 2017 : MAAVIM reafirma que região está abandonada há 25 meses

Imagem de Arquivo

 A MAAVIM, em defesa dos direitos dos Lesados e Vitimas dos Incêndios de Outubro de 2017, vem, 25 meses após o maior incêndio ocorrido em Portugal, alertar para que ninguém esqueça quem tudo perdeu nesses dias. 

Existem milhares de pessoas que nunca receberam nenhum dos apoios anunciados. E se muitos dizem que no interior não existem populações é porque não conhecem a realidade e nos querem calar. Mas só exigimos o que a lei determinou, por negligência e abandono do Estado.

Na Agricultura e Floresta:

Existem milhares de agricultores que nunca receberam os apoios prometidos, mesmo tendo feito o requerimento indicado pelo MAFDR;

– Estão Milhões de Euros por entregar do valor que o MAFDR disse que tinha pago;

– Existem ainda candidaturas por validar do 6.2.2., outras a serem chumbadas, passados 2 anos;

– Existem candidaturas por abrir, principalmente para o Restabelecimento do Potencial Produtivo da Floresta e apoio na Agricultura;

– Não existe programação para a nossa floresta e já temos o dobro das plantações de eucaliptos e acácias, que tínhamos antes de Outubro de 2017;

– Mais de 200 Milhões de Euros vieram da EU para ajudar nas perdas dos proprietários e onde estão aplicados???;

– O último relatório dos valores aprovados data de Agosto de 2018. Nunca mais foi atualizado e tem valores aprovadas para empresas fora das zonas afetadas dos incêndios e sem nada atingido pelos incêndios, conforme a listagem do Vitis para os Incêndios. 

No Planeamento e Infraestruturas:

– Ainda não foram pagos 50% das candidaturas aprovadas na área da Industria, passados 2 anos;

– Existem candidaturas de empresas com perdas, que foram chumbadas;

– Foram utilizados mais de 200 milhões do Feder para apoiar a região, mas ao tecido empresarial nem metade ainda chegou.. – Estão mais de 1000 pessoas sem casa, que em Outubro de 2017 perderam tudo e a CCDRC chumbou os seus processos, enquanto outros têm habitações onde anteriormente não existiam; E se a desculpa é a legalização, então como foram outras construídas exatamente com os mesmos problemas, utilizando como desculpa para reprovar quem ficou sem nada a legalização?

– Existem famílias que ficaram com a reconstrução a seu cargo e não recebem as despesas à meses tendo muitas das despesas sido consideradas ilegíveis;

– Existem crianças que desde Outubro de 2017, ficaram sem casa e nunca mais foram para a Escola;

 – Existem idosos que ficaram sem habitação e foram colocadas em lares, para não serem um “encargo”;

 – Estão agora as Autarquias a usar milhões da EU que eram para os Lesados dos Incêndios, para fazerem projetos, que serão inaugurados até Outubro de 2021 em verdadeiras campanhas politicas;ñ com dinheiro do FSUE; 

– São centenas de kilómetros de alcatrão, que não ardeu a ser aplicado com dinheiro do FSUE; 

– As infraestruturas e o património estão completamente abandonados, mesmo estando previsto para isso apoios comunitários. Mas passaram 25 meses e continuamos com placas queimadas e estradas a cair por causa dos Incêndios de 2017. Existem outros edifícios e infraestruturas que estavam abandonados e agora são alvo de recuperações com dinheiro para os incêndios de 2017… 

Se o FSUE é de 56 milhões, se a Ccdr fala em 27,7 milhões empregues, maioritariamente em alcatrão que não ardeu, mais os 26,5 milhões para a Agricultura e Floresta, como o caso para maquinaria que se encontra no armazém em Poiares. 

Qual é o critério???? Não estarão em primeiro lugar as populações?

Em suma, queremos o apuramento da verdade, do que realmente foi gasto e de quem foi apoiado. 

Mas o nosso foco sempre foram as pessoas que nunca receberam ajuda. 

Quem tinha, não tem e quem não tinha, tem.  

Queremos JUSTIÇA CONTRA OS CULPADOS.

Não aceitamos que a região e o país pareça que acabou de sair de uma guerra. 

Continuamos sem ter culpados. Nós não somos culpados, somos vítimas.

Nuno Tavares Pereira

Porta-Voz MAAVIM

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