OS DEUSES DEVEM ESTAR LOUCOS. Opinião por Francisco Cardoso

Francisco Cardoso
Francisco Cardoso

Não vou falar do filme sobre os bosquímanos, senhores do Calaári. Nem da garrafa de Coca-Cola que encontraram perto da aldeia, que todos queriam, todos rejeitavam e ninguém sabia para que servia, acabando por ser um meio de discórdia, o que levou o chefe a devolve- la aos confins da terra, de onde provavelmente veio.

Desde algum tempo, tem-se discutido em tudo o que é meio de comunicação, o problema da prospecção e extracção de lítio. Então nas redes sociais a coisa tomou tamanha dimensão que não há gato-sapato que não opine.

De um momento para o outro todos são especialistas no assunto, vociferam contra o aquecimento global, berram contra as emissões de CO2, põe-se em causa os sacos de plástico, o consumo de produtos derivados do petróleo, o uso de fertilizantes, pesticidas, e sementes transgénicas, viva a agricultura biológica, abaixo os telhados de Cimianto, que a afinal são de Fibrocimento, o mercúrio e o chumbo que envenenam, o tungsténio que só serve para a guerra, e agora é o berreiro contra a prospecção e possível extracção de lítio; que algumas cabeças iluminadas pela estupidez já ligam aos incêndios florestais.

Vou ouvido aqui, ali, acolá e no intervalo dos berreiros vou pensando: Ou sou eu que perdi o comboio do progresso e vivo de saudades do equilíbrio perdido, ou então esta rapaziada está cega, não porque não veja, mas porque não quer ou não lhe convém ver o que de facto está a acontecer.

Berram contra o plástico e não sabem, ou não querem saber que os governos dos países desenvolvidos em vez de o reciclar, enche os bolsos de dólares e de euros aos governantes dos países subdesenvolvidos para o despachar para as florestas, rios e oceanos

Berram contra o aquecimento global, mas sobre o consumo de hidrocarbonetos nada. Sabem que o grande emissor de CO2 para a atmosfera são os milhares de milhões de automóveis e camiões, mas em vez de insurgirem contra os motores de combustão e as negociatas de compra e venda das emissões, insurgem-se contra a prospecção e possível extracção de lítio, que como se sabe é o metal mais leve do mundo e grande catalisador de electricidade e serve para a fabricação de bateria de longa duração e de fácil acumulação

Há uns anos os ditos cujos descobriram que as telhas das escolas eram, dizem eles de Cimianto, e vá de instrumentalizarem as famílias dos alunos para os acompanharem no berreiro. Abaixo o amianto. Abaixo o amianto. Ora o Cimianto há dezenas de anos que não se fabrica pois era caro, em sua vez passou-se a fabricar telhas de fibrocimento. Isto é telhas de cimento misturado com fibras vegetais. Não digo que algumas telhas, principalmente as que foram fabricadas pela Lusalite, não tenham amianto incorporado, mas mediu-se tudo pela mesma rasa.

Há muitos anos um amigo meu que já partiu disse-me: Cardoso, estamos num país de tesos armados em ricos, eu acho que ele tinha razão, ou “OS DEUSES DEVEM ESTAR LOUCOS”.

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