Vinícola de Nelas encerra por “falta de uvas” deixando nove trabalhadores no desemprego

A falta de matéria-prima de uvas esteve na origem do fecho da empresa produtora e engarrafadora mais antiga da região Demarcada do Dão, provocando o despedimento coletivo de nove funcionários, revelou hoje, 2 de outubro. o liquidatário.

“A empresa fechou portas, porque praticamente não há matéria-prima. As pessoas não estão a produzir e poucas vindimas há. É só ver as coisas aqui no Dão. Já só há quatro cooperativas e eram 10. As empresas todas, como a nossa, já fecharam, somos os últimos, embora tenha aparecido uma ou outra, noutro registo e com uma imagem um pouco mais recente”, assumiu Rui Henriques, ao Jornal do Centro.

Este responsável, antigo membro do conselho de administração e atual liquidatário da Vinícola de Nelas, contou que o encerramento da empresa que faria este ano 80  anos de vida é “também fruto da desertificação do interior e a região do Dão não é exceção”.

“A Vinícola de Nelas chegou a ter 700 fornecedores e agora tinha menos de 100. Chegámos a receber quatro milhões de quilos e no ano passado recebi 200 e poucos mil quilos. Num ano normal, recebia 500, 600 ou 700 mil quilos, mas para aquilo que era o nosso tipo de negócio só tínhamos uma solução, que era adquirir fora do país e não quisemos entrar nesse campo”, explicou.

Rui Henriques assume ainda que a idade dos fornecedores é outro fator que sustenta tudo o que se tem passado :  “Têm todos, ou cerca de 80% ou 90%, mais de 65 anos,” ou seja, “são tudo pessoas já com uma certa idade” que, agora, “deixarão as vinhas”. “Por experiência própria, metade vai abandonar. Já passei por este tipo de situação, ao contrário. Quando fechou a Cooperativa de Nelas, supostamente, podiam entregar aqui, que não havia mais ninguém. Mas não vi isso: o que eu vi, foi que fiquei com 10, 15 ou 20 pessoas, dos quais entregaram, na altura, 100 ou 200 toneladas [de uva] e os outros 600, 700 ou 800 dividiram-se e metade das pessoas abandonaram” as terras, explica.

A Vinícola de Nelas foi fundada em 1939 e “chegou a ter, há seis anos, 23 funcionários”, um número que reduziu no início de 2019 para 13 e, agora, “encerrou em setembro com nove funcionários a quem foi tudo pago”, revela, concluindo que “no fundo, o intuito de fechar é precisamente o de pagarmos a toda a gente e não ficarmos a dever, porque não é vergonha fechar, é vergonha ficar a dever”.

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