Lusco – Fusco. Opinião por Jorge Correia

Jorge Correia
A Feira Medieval de Cannas de Senhorym já se alcandorou à posição de segundo grande acontecimento da nossa terra. Para alguns rivaliza até com o ancestral e famigerado Carnaval de Canas. É uma feira/festa que se vem impondo na Região. O número de visitantes tem vindo a aumentar, pese o facto de não haver registos do número de visitantes. Atraindo grupos de teatro de várias proveniências da região centro, bem como grupos de saltimbancos e outros especializados neste tipo de eventos, tal como comerciantes das mais variadas regiões do pais. Não faltam os ovos moles da região de Aveiro, o famoso pão-de-ló húmido de Ovar, as fogaças da cidade da Feira, a ginginha de Óbidos, etc. As filigranas de Gondomar são uma presença obrigatória, ourives da zona de Coimbra, artesãos e artesãs de Viseu, Tábua, etc.  Relativamente aos artesãos e artesãs locais, de destacar as obras de arte em ferro do Luis Almeida, as peças dos Cacos &Farrapos, entre outros. 
A Feira Medieval de Canas releva tudo o que há-de melhor no espírito associativo dos Canenses, que fazem questão de receber bem, em clima de festa (espera-se que o tempo ajude!), os milhares de visitantes. Seja ao nível da organização por parte da Junta de Freguesia,  sejam na representatividade das várias associações, desde logo as tendas das várias escolas, dos jardins-de-infância público e privados, ao Ensino Básico, ao Secundário, passando pelo Ensino Profissionalizante, com os docentes vestidos a preceito da época medieval, todos se esforçam para o sucesso da Feira. Tal como nas tradicionais tasquinhas medievais da Associação do Paço, da Associação do Rossio, das Casas do Sporting e do Benfica*, a maçã do amor do Tó Fraga, ou o licor de limoncelo do Zé Tó também são incontornáveis. E o pão-com-chouriço em forno de lenha, salvo erro de Cabanas de Viriato, também vai bem.
@  Acabei de ser informado que o GDR, desta feita, também vai estar presente com uma tasquinha medieval.
 
 – FUSCO 
 
* Depois da ópera-bufa-da-“compra”-dos-terrenos-dos-antigos-Fornos-Eléctricos por parte do Edil da CMN na véspera das eleições  autárquicas de Outubro de 2017 , as quais, como é sabido de todos, redundaram na sua re-eleição. Não acreditando em acasos em política, é no mínimo curioso que novamente em vésperas de eleições, desta feita as legislativas do próximo dia 6, a CGD, proprietária dos antigos terrenos dos Fornos Eléctricos deu início à limpeza/ desconta minação dos velhos armazéns, onde se acumularam enormes quantidades de lixo industrial.  Longe vão os tempos em que os Fornos Eléctricos eram visita obrigatória para todas as forças políticas aquando das campanhas eleitorais. Por agora reina o silêncio, mas não é difícil de vaticinar que nas próximas autárquicas de 2021 a farsa encenada à volta dos terrenos dos Fornos não poderá repetir-se, o que irá “marcar” a campanha, pelo menos, em Canas.       
 
* A situação da Covercar continua a agravar-se. O grosso da produção foi transferido para a Zona franca de Tânger, Marrocos. Zona Franca essa onde as Empresas não pagam impostos, com a condição de empregarem trabalhadores locais. Há reporte de que em Canas ficou apenas o controle de qualidade e pouco mais, pelo que o número de trabalhadore/as continuou  a diminuir. Os resistentes temiam que no regresso de férias, o seu posto de trabalho pudesse estar até extinto. Aparentemente, perante o silêncio ensurdecedor das diversas forças políticas. A empresa instalada na ZI da Ribeirinha foi inaugurada  há pouco mais de dois anos, com pompa e circunstância. Houve descerramento de lápide por Ministro e tudo. Tenho ideia que os empresários, oriundos da Catalunha, receberam financiamento de fundos europeus, para além do investimento camarário, designadamente, em infra-estruturas, pelo que fica difícil de entender todo o manto de silêncio, sobretudo por parte da oposição, em volta desta situação em particular e dos chamados investimentos beduínos em geral, que se julgavam em vias de extinção, mas que afinal continuam, como o comprova a situação desta empresa.                 
*  As três dezenas de brasileiros que durante os meses de Verão se foram instalando em Canas, pelos vistos, já debandaram, quiçá para as vindimas do Douro. A cadeira do barbeiro já foi retirada e, pelo que me apercebi, restam dois ou três casais, um deles com crianças em idade escolar.  
 
Raposeira, 28 de Setembro de 2019

Este portal utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização Saiba mais sobre privacidade e cookies