Quinta das Marias testa fermentação com extrato de grainha, eliminando o sulfuroso

Peter Eckert foi homenageado na Feira do Vinho do Dão

O produtor de Oliveira do Conde, reafirma que a Feira do Vinho do Dão “não pode ser uma Feira Popular”, reconhecendo que a situação “melhorou”. “O evento tem que ser um local de peregrinação, para abertura do ano vínico, promovendo-se mais a venda de vinhos novos, de pequenos produtores”, defende. Pelas 23h30 a Quinta das Marias fecha o stand “quando começa o ruído”. O seu Enólogo Luís Lopes considera que o atual modelo da Feira do Vinho do Dão “não funciona” e que poderá ter mesmo “os dias contados”.

Um ano de parceria com balanço “muito positivo” e com “inovação”

Colaboração “muito frutuosa”, com muita “realização”, é o balanço que Peter Eckert e Luís Lopes fazem de um ano de parceria. “O Peter é um estudioso, vai buscar a informação ao sítio certo e tem uma mente muito aberta”. Colher as uvas com 10 ou 15 dias de antecedência, fazer uma fermentação espontânea, muito vigorosa, com leveduras indígenas. Um ensaio com extrato de grainha, minimizando os sulfitos na fermentação,está em curso. “Um vinho com menos sulfuroso é mais do agrado do consumidor”, não colocando “em risco a conservação”, sustenta. Flor de castanheiro é outra opção que tem sido experimentada, nesta abordagem.

Recuperação de castas antigas, para fazer face às alterações climáticas, com o sobreaquecimento do planeta (lembramos o escaldão que as vinhas sofreram no ano passado). Verdelho, Barcelo, Uva Cão, Lusidio, Alvarelhão, Negro Moura, Alfrocheiro, Tinta Amarela e Baga, são alguns exemplos. “Poderão produzir vinhos menos consensuais, tendo o enólogo no trabalho da Adega que fazer o seu trabalho para os afinar”, afirma, constatando “cada vez mais a vindima é precoce, com menos água e mais calor nas videiras”.

Um estudo profundo dos solos foi também efetuado, por uma empresa Francesa, da Borgonha, especialista na área, visando diagnosticar as suas características, nomeadamente ao nível de “micro organismos e água”. “Em relação ao clima não podemos ter qualquer tipo de controlo – temos que fazer tudo o que está ao nosso alcance para atuar nas restantes variáveis, melhorando assim a qualidade das uvas”, explica o enólogo, que, após o estudo, sabe exatamente o que fazer para potenciar a qualidade da uva, através da melhoria dos solos: “Ações químicas e mecânicas, nomeadamente mudar a lavoura do terreno, cortá-los no início do Inverno, para entrar mais água e ar, mas não sendo drásticos, fazendo equilíbrio em termos minerais e de matéria orgânica, dado que o solo tem que ter vida suficiente, para os seus micro organismos, em vida, alimentarem as plantas”. Peter Eckert revela que o estudo confirmou “a elevada qualidade dos nossos solos, com potencial para produzir grandes vinhos”.

Vendas de vinho à porta de Adega, estão a aumentar: “Diariamente, principalmente no Verão, vendemos aqui muito vinho”, diz-nos Peter Eckert, que produz 60 mil garrafas por ano, em 12 hectares de vinha.

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