O meu colaborador à espera de cirurgia nos HUC (Coimbra). Jornalismo da VERDADE

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Teve um acidente grave de bicicleta no passado dia 4 de agosto de 2019 e vive esta saga :

8.9.2019

Cá continuo por Coimbra à espera de ser operado. Se tiver sorte, lá para o fim da semana, mas não sei. Bem falam do SNS, mas isto é uma autêntica vergonha. Se ouvisse o que eu já ouvi de muitos que aqui estão internados, até se benzia. Nunca pensei isto nos HUC, mas se calhar é a ponta do icebergue. Há pessoas com mais de quinze dias à espera de operação, todos esfrangalhados nos ossos sem se poderem mexer. É triste, de facto… mas este SNS é lastimável.

Já foi operado ? Eu para o meu colaborador …

Não, não fui. Nem sei quando vou ser. O pior é que nem vem ninguém dar informações. Não sei se passam hoje os médicos a vistoriar, mas acho que sim… Um colega de quarto está agora com o responsável dos enfermeiros a criticar dois enfermeiros que o deixaram todo sujo. Está bonito, está…
Há aqui muita falta de comunicação entre setores. Mas já soube que isto é prática corrente, depois de vários amigos me terem relatado casos semelhantes.
10.9.2019

Bom, veja lá que esse amigo que está aqui ao lado,  só agora soube que teve traumatismo craniano, passado 15 dias. E porque sem querer o enfermeiro chefe lhe falou nisso. Eu já falei com ele também. Só à sexta feira há um médico bom para operar ancas. O meu amigo precisa disso. E como ele esteve de férias, não houve operações.

Que descoordenação… Veio aqui o médico, não sabe dizer nada do tempo de operação, afinal disse ao meu colega de quarto precisamente o contrário que lhe disse o enfermeiro chefe. Era para operar a anca, o médico diz que não. Que confusão… Ninguém sabe nada. Anda tudo confuso.

11.9.2019

Hoje mudaram-me para a ala de ortopedia em Celas. Eu vou correndo os espaços todos. Sem ser operado, claro. Perguntei o que vinha cá fazer e não me souberam dizer. Aliás, a amnésia deve ser uma doença muito vulgar nestes espaços. Cheguei a um pré-fabricado em Celas, com “quartos” de 6 camas divididos por um pladur, e encontrei uns homens das obras a porem janelas e persianas. Surreal… O que me pareceu é que o aperto é tal nos HUC, que tiveram que encontrar à pressa algum local para colocarem doentes. Respostas é que ninguém dá ou quer dar. Amanhã tenho consulta de maxilo-facial aqui à tarde, e logo vou ver o que se vai passar. A situação é tão preocupante, que os próprios funcionários, no caminho curto de passagem de um lado para o outro, só falavam em “autêntica vergonha”. O caos é total e nada ou ninguém parece estar com vontade de mudar algo. Há muita falta de coordenação entre setores e alguma saturação dos funcionários.

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