Baco em Agosto.Dão com alma em Castro Daire

Um evento intimista, numa noite fresca de Verão, teve lugar ontem, 31 de agosto, no Centro Cultural de Castro Daire, um concelho ávido por conhecer os vinhos do Dão.
Foi num atmosfera marcada pela música Jazz, humor e literatura, que diversos enólogos conceituados da região demarcada do Dão,tiveram oportunidade de debater o atual momento do setor e os seus grandes desafios, dando a conhecer, simultaneamente, alguns dos seus melhores vinhos, desenhados para todo o ano e com grande versatilidade gastronómica.

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A alma do vinho foi o primeiro tema abordado. Têm ou não alma os vinhos do Dão? Pedro Borges (Três Maninhos), afirmou claramente que sim, explicando que se trata de uma bebida com grande ligação “espiritual”; desde os tempos Romanos, sendo usada na igreja católica – o vinho do missa. Patrícia Santos, que criou o seu Alfrocheiro Rosa da Mata, em homenagem à sua avó, referiu que este vinho “corporiza a pessoa mais importante na minha vida”, logo com grande alma. Carlos Lucas e Joana Cunha corroboraram esta ideia.
Alterações climáticas e o árduo trabalho na vinha e na Adega foram tópicos que suscitaram também alguma unanimidade. Carlos Lucas defendeu que “ao invés de tantas queixas, falta quem trabalhe mais, a sério, com competência”, até para fazer face a um dos grandes desafios para o setor, particularmente na região – as alterações climáticas. “De que adianta nós andarmos a pensar em carros elétricos e outras formas de minimizar as emissões de CO2 e outros gases poluentes se Donald Trump carrega num botão e permite, por exemplo, o regresso de centrais de carvão?”, questionou o enólogo e produtor.
Joana Cunha realçou que “falta união na região, para alcançarmos outra dimensão”.
Os néctares provados foram de eleição : Desde os vinhos vinificados com uvas de cepas centenárias dos “Três Maninhos” de Nelas, ao seletos “Munda” das Caldas da Felgueira, passando pela grande elegância, aromas intensos e frescura do “Rosa da Mata” Alfrocheiro de Patrícia Santos, até aos longevos “Quinta de Lemos” de Hugo Chaves, que saem para o mercado com um mínimo de cinco anos após vinificação.
O jantar vínico teve lugar no Restaurante Rocha, num ambiente de saudável convívio, onde até registámos o reencontro de Hugo Chaves com Pedro Borges, que estudaram juntos Engenharia Alimentar, no Politécnico de Viseu.
Organização : Bilblioteca Municipal de Castro Daire por ocasião do seu 18º aniversário
Moderação do debate : José Luís Araújo

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