ANCOSE não marca presença na Feira do Vinho do Dão e Produtor lança fortes críticas ao evento

O presidente da direção da Ancose, Manuel Marques, revelou ao nosso jornal que a associação, presente há longos anos no certame dedicado ao Vinho do Dão, não vai estar presente na edição 2019, que se realiza entre 6 e 8 de setembro em Nelas.

O também Vereador do CDS/PP na Câmara de Nelas, que lidera a instituição responsável pelo melhoramento de ovinos Serra da Estrela, e que tem uma queijaria de excelência na região do Queijo Serra da Estrela DOP, justifica esta decisão com “o elevado custo dos stands, que tem vindo a aumentar muito”. “Teríamos que pagar 300€ e pouco queijo vendemos”, afiança.

Entretanto o Enólogo e Produtor (3 Maninhos), Pedro Borges, critica, na sua página no Facebook, a forma como o evento está a ser organizado, sob a coordenação do Chefe de Gabinete do presidente da Câmara, Luís Pinheiro :

Surreal!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Recebi hoje na minha caixa de correio o seguinte email da parte do Municipio de Nelas que passo a transcrever para que o mesmo seja do conhecimento público:

Exmo. Sr. Produtor
Agradecendo desde já a participação de V.ª Ex.ª nesta edição da 28ª Feira do Vinho do Dão de Nelas como Produtor, contribuindo, mais uma vez, de forma decisiva para que este certame seja uma referência Regional e Nacional da promoção do Nosso Vinho do Dão, gostaríamos, conforme foi acordado aquando a visita dos nossos serviços, de convidá-lo para uma reunião de formalização de sorteio dos lugares a ocupar nos stands a realizar no dia 14 de agosto pelas 14.30h no Pavilhão Multiusos, com as seguintes regras a aplicar:

1 – Os espaços 1,2,3 (espaço de 3m cada) estão já ocupados por acordo formalizado em patrocínio previamente acordado com a organização;

2 – Os restantes espaços serão sorteados pelo número de stands alugados e pagos até à data começando de forma decrescente de 6 para 1, que escolherão, depois de tirar o seu número, os lugar(es) a confirmar de imediato em power point para uma visualização geral do espaço.

Aguardamos a melhor atenção/participação para esta reunião que, por questões de agenda da montagem dos stands, teve de ser antecipada para a data acima designada e que será efetuada com qualquer número de presentes, deixando as restantes ocupações a cargo da Organização.

Com os melhores cumprimentos

O Coordenador da organização da Feira Vinho do Dão

Luís Pinheiro

O que me apraz comentar sobre o referido email é o seguinte:

– No primeiro ponto solicitam a presença dos agentes económicos de toda a Região “para formalizarem o sorteio dos lugares”, no mínimo pode se afirmar que certamente se trata dum “lapsos lingue”, de português pois se é para formalizar é porque oficiosamente algo já foi negociado. Mas afinal não é nenhum erro de fonética nem de construção frásica pois logo de seguida passam explicar que, “Os espaços 1,2,3 (espaço de 3m cada) estão já ocupados por acordo formalizado em patrocínio previamente acordado com a organização”, ou seja quem é grande e têm dinheiro escolhe onde, como e quem quer ter por vizinho. Se isto é sorteio, podemos apelidá-lo no mínimo de condicionado;

– No segundo ponto afirma-se basicamente, num português macarrónico que os outros tenham paciência mas ficam com os restos, tendo o privilégio imediato de pela primeira vez na historia visualizar em power point o seu lugar na feira. Sempre fui um adepto acérrimo do sorteio mas para o mesmo ser sério tem que ser feito sem condicionamentos de qualquer tipo ou forma e com a maior transparência possível;

– Por ultimo como não podia faltar a “cereja no topo do bolo” o referido email não é assinado pelo Senhor Presidente da Câmara, nem pelo Senhor Vice-Presidente, nem por nenhum vereador a tempo inteiro,demonstrando a importância que dão ao maior cartaz turístico do concelho é sim assinada por um individuo que se intitula de
“O Coordenador da organização da Feira Vinho do Dão”.

A esta Feira têm que se lhe dar obrigatoriamente a importância que ela têm no Pais, na Região e no Concelho, à frente da sua organização têm que estar obrigatoriamente o mais alto magistrado concelhio imbuído de uma autoridade que o voto popular lhe conferi-o e não um qualquer “Boy” politico. Apesar de muitos não quererem a começar pela “quinta coluna” existente dentro da Câmara Municipal de Nelas esta é a Feira da Região Demarcada do Vinho do Dão, esta é a Feira que com todas as suas virtudes e com todos os seus defeitos é transversal a todas as pseudo sub-regiões, a todas as pseudo capitais vinhateiras e a todos os pseudo caciques políticos e que portanto fruto dessa verdadeira transversalidade têm uma aceitação generalizada por parte da grande maioria dos agentes económicos da Região. Assim a sua organização têm que passar para um patamar deveras profissional e não pode ser entregue a amadores.
A Feira do Vinho do Dão passa por uma serie de desafios prementes de modernização, que têm que ser ultrapassados rapidamente ou será trucidada por quem bem próximo, têm tentado com o triplo do orçamento, o triplo da publicidade o triplo do poder politico criar um evento alternativo, porque já lá diz o velho adágio popular “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura” e eles não se cansam de bater.
Uma das opiniões mais importantes a ter em conta para esta modernização necessária deverá ser a auscultação dos agentes económicos pois eles são o coração da Feira sem eles a Feira não existe no entanto o ouvir de tal opiniões e sugestões deve ser feito com um mínimo seis meses, antecedência em relação á realização da mesma pois só com esta distancia temporal é que algumas sugestões poderiam surtir efeito.
Outra sugestão seria a criação de um grupo de trabalho multidisciplinar e sectorial que corra o pais e o mundo para abrir os olhos e perceber como à nossa escala podemos fazer mais e melhor, pelo futuro da Feira do Vinho do Dão.
Que nunca nos esqueçamos de um a coisa o Vinho do Dão é dos poucos recursos endógenos do concelho que apesar de aparentemente não gerar muito emprego nem riqueza tem uma serie de vantagens extraordinárias face a outra tipo de actividade industrial, a sua pegada ecológica é residual, auxilia no ordenamento do território, auxilia na prevenção e controlo de incêndios, auxilia na fixação de alguma população jovem letrada e acima de tudo não é deslocalizável para nenhum pais de terceiro mundo de mão obra barata.
Por isso saibamos engrandecer a Feira do Vinho do Dão para que esta geração e as futuras possam aproveitar as vantagens competitivas desta fileira que ainda tanto têm por explorar.

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