Diagnóstico do setor do turismo/hotelaria : Os empresários instalados (Parte II)

Isabel Pires no seu Bem Haja apresentando o Capão

O turismo tem longa tradição no concelho de Nelas e passa indelevelmente pelas Caldas da Felgueira e o seu Balneário Termal. É no começo do século XIX que se inicia a utilização das águas medicinais das Caldas da Felgueira. Isabel Pires faz parte da segunda geração da família que ali começou a desenvolver os seus negócios na área da hotelaria e restauração. A empresária é atualmente também proprietária do restaurante Bem Haja e “wine bar” Senta Aí, situados em Nelas. 

Instada pelo nosso jornal a falar do passado, presente e futuro do turismo na região, assume a defesa do turismo interno, devendo-se para o efeito criar condições para o potenciar na região: “Nelas é um território onde passam muitos turistas, desde logo por ser um acesso à Serra da Estrela (há uns anos passavam muito mais, quando não havia auto estradas),em que, no Inverno, quando a Neve chegava era uma correria – entupia a estrada de acesso à Serra, e a lotação vinha compor a taxa de ocupação.Mas,andávamos felizes. Passado 20/30anos, a neve aparece quando quer e pouco, a correria à Serra continua, mas muito menos, há mais oferta, a estrada é a mesma, o drama de acesso é o mesmo. O diamante Serra da Estrela,está lá, mas o acesso para todos não é fácil. A dinâmica tinha que ser em conjunto dos vários municípios (incluindo o de Nelas)”, explica. Outro dos fatores de atração é o Rio Mondego que “nasce na Serra da Estrela e percorre todo este vale e montanhas” – é “maravilhoso”, considera, lembrando que “todos os dias vejo este Rio, faz parte da minha existência, nasci com ele aos pés, aprendi a nadar, namorisquei com ele, grandes lanches já fiz à beira do Rio Mondego, quando a Aldeia Termal Caldas da Felgueira recebia centenas de jovens de toda a parte do país, para se curar (sim, as termas curam), onde combinávamos jogos de futebol e brincadeiras”. Na época, Isabel Pires lembra com saudade que “a ALDEIA estava viva, os Turistas percorriam as Caldas da Felgueira e eu, nas minhas reuniões de Turismo (há 25 anos), lutava por caminhos pedestres, bicicletas (consegui seis) e sinalização, sempre com um discurso para se analisar o turismo estrangeiro e o que estavam a fazer (dizia eu, vejam o caso de Espanha)”.

“Hoje temos, sem dúvida, a região Demarcada do Dão, temos de louvar a qualidade dos nossos vinhos do Dão,o que traz imensa gente, turistas interessados e consumidores e que ficam dois ou mais dias”, reconhece, assumindo que “cada vez mais temos que trabalhar o produto externo, mas temos de melhorar mais e melhor o interno, onde temos regiões que estão muito bem, pois souberam acompanhar os tempos, estando atentas ao que se passa no MUNDO”.

“No turismo tem que haver parcerias, desde o produto termal, no caso o concelho de Nelas tem, que é positivo, sendo uma mais valia, mas deve ser trabalhado em rede com os vários operadores turísticos”, sustenta, acrescentando “acredito que nas próximas gerações haverá uma mudança, aproveitando-se os recursos naturais, as paisagens mais verdes, tudo com mais limpeza urbanística”.

Caldas da Felgueira : uma requalificação paisagística e urbanística é necessária

No seu entendimento “o turismo termal é importante para a região, pois a média de estadia é de 7 a 14 dias, consome no hotel, consome fora do Hotel, compra vinhos ,queijos, visita museus, comunica com os habitantes, enfim fica um AMIGO da região. Por isso, enfatiza : “É necessário requalificar a Felgueira”.

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