BE reafirma : “Centenas de utentes lesados no CH Tondela-Viseu”

Mais uma vez, assistimos a utentes lesados do Centro Hospitalar Tondela-Viseu por uma constante falta de interesse num serviço que deveria ser tomado como de especial importância.

No distrito de Viseu, doentes transplantados por insuficiência renal e pacientes com esclerose múltipla não podem ter acompanhamento no próprio Centro Hospitalar. Estas pessoas, além das consequências da própria doença, enfrentaram e enfrentam uma realidade difícil que o Centro Hospitalar tem responsabilidade de minimizar.

Devido à antiguidade do equipamento existente no Centro Hospitalar, também quem necessita de realizar mamografias (cerca de 300 utentes por mês) tem desde há um ano vindo a ser encaminhado para outros hospitais da região ou mesmo unidades de saúde privadas. Foi alugado um outro mamógrafo, mas que não permite realizar todos os exames.

É impensável que se obriguem pacientes com doenças crónicas e redutoras de mobilidade a deslocarem-se a Coimbra de forma a obterem o tratamento que necessitam apenas com a razão de se evitarem despesas. Qualquer uma destas condições de saúde implica um conjunto de cuidados e obrigações que são redobrados mediante esta obrigação, pondo em causa o acompanhamento e tratamento destas pessoas.

Podemos concluir pelas declarações de Carlos Silva, da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, que apesar da administração do Centro Hospitalar Tondela-Viseu reconhecer que não assegura estes tratamentos por falta de recursos financeiros que os suportem, o Ministério da Saúde refere que esta não é a realidade, sendo portanto necessário averiguar as razões que levam esta administração a justificar o injustificável, interesse na qualidade de vida e sobrevivência destas pessoas, com razões económicas que não parecem corresponder totalmente à realidade. Falamos de técnicas terapêuticas necessárias para a manutenção e melhoramento das condições de vida destas pessoas e que lhes garantam o mínimo de dor e o máximo de autonomia possível tendo em conta as limitações da própria situação.

Há muito tempo que as regiões do interior, e em específico utentes abrangidos por este Centro Hospitalar, suas respectivas extensões e centros de saúde se veem confrontadas com uma contínua falta de interesse na escassez de recursos humanos e materiais e necessidade de investimento, que garantam que estas pessoas tenham possibilidades de acesso a terapêuticas dentro de um limite razoável de distância. Há condições que têm de ser garantidas a toda a gente, sendo especialmente importante quando falamos de doenças crónicas, limitativas, que envolvem muita fadiga e dor, assim como tratamentos essenciais e que devem ser realizados com continuidade.

Saúde: Um Bem Sem Preço

O Centro Hospitalar Tondela-Viseu é o reflexo de uma aposta errada no liberalismo que vê o Serviço Nacional de Saúde (SNS) como um alvo a abater, em prol do cada vez mais rentável negócio privado da saúde. Desde a inclusão das Parcerias Público Privadas (PPP) na Lei de Bases da Saúde de Cavaco Silva (PSD), alterações aprovadas pelo governo de Durão Barroso (PSD), passando pelo maior desinvestimento de sempre do orçamento de estado, durante a governação CDS/PSD de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, sem esquecer e branquear as cativações de Mário Centeno (PS).

No interior vemos Centros de Saúde, Serviços de Atendimento Permanente e Extensões de Saúde a serem encerradas. Vemos valências dos hospitais a desaparecer, como é o caso do Hospital de Lamego, e a gradual decadência na qualidade dos serviços ainda existentes, como relatamos acima. O compromisso do Bloco de Esquerda é a garantia de menos privilégios para os privados e mais Serviço Nacional de Saúde.

A Comissão Coordenadora Distrital de Viseu do Bloco de Esquerda

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