Micro Fórum do Rio Dão : “Há muito a fazer para conservar e valorizar o Rio Dão”

Nos últimos dias foi publicamente assumido pelo Governo e pelos municípios interessados que o rio Dão, nas próximas décadas, através da Barragem de Fagilde e da sua reconstrução, continuará a ser o grande garante do abastecimento de água a Viseu e toda uma região envolvente com aproximadamente 150 mil habitantes.

De facto, o rio Dão tem de ser assumido como o esteio de uma bacia com mais de 1300km2 e atravessando 10 concelhos. Contudo a notoriedade e projeção do próprio rio Dão e a sua bacia é muito reduzida junto dos agentes públicos e da população em geral.

Nesse sentido, decorreu em Viseu, no passado dia 6 de julho, o Micro-Fórum do Rio Dão. O evento reuniu diversos académicos, empreendedores, autarcas e associações da bacia do rio Dão com uma forte ligação ao Rio.

A principal conclusão da reunião foi que muito há a fazer para conservar e valorizar o rio Dão; a começar pela qualidade da água, o seu ecossistema e o enquadramento ambiental e paisagístico. Algumas das linhas de água significativas afluentes ao rio Dão estão poluídas; comprometendo a qualidade da água e o estado ecológico do rio, por exemplo ao nível piscícola. A resiliência do ecossistema no corredor ecológico do vale precisa de ser estudado para que possa ser salvaguardado e forneça todos os seus serviços inestimáveis, como promover o ciclo da água, prevenir e abrandar os incêndios florestais e aumentar atratividade para a população, turistas e atividades económicas sustentáveis.

A desertificação territorial e demográfica está a afetar de sobremaneira esta região do interior. As consequências das Alterações Climática que já se fizeram sentir particularmente na região – vejam-se a seca extrema prolongada e os incêndios de 2017 –, obrigam igualmente a uma nova abordagem das dinâmicas económicas, seja na produção e transformação florestal, seja ao nível turístico – o turismo próximo da natureza tem de mais e melhor explorado – ou ao nível da agricultura. Na reunião foram apresentados casos concretos de novos empreendimentos de ecoturismo e atividade agroflorestal na bacia do rio Dão. 

O património histórico cultural e rural em torno do rio Dão é vastíssimo, muito está-se a perde, muito há a fazer para o preservar, valorizar e divulgar. 

De modo não massificado, é fundamental trazer as pessoas ao rio Dão. As praias fluviais devidamente equipadas – área com grande carência na região – é elementar. Por exemplo, aguarda-se a conclusão de algumas Estações de Tratamento de Água, em projeto ou construção, para que a qualidade da água permita que a população e os visitantes usufruam realmente do Rio.

A definição de trilhos e percursos pedestres, atualmente com muita aceitação pela população, é igualmente muito relevante. As instituições têm de estar mais atentas ao modo como abordam o rio Dão. Por exemplo, como foi assinalado na reunião, não é compreensível que no mapeamento e divulgação da Rota dos Vinhos do Dão, o rio que lhe dá nome, não esteja no mapa.

Em diferentes dimensões, tem de verificar-se uma maior articulação e sinergia entre os diversos agentes sejam institucionais, cidadãos, empreendedores ou associações. Tem de se promover um trabalho em rede que sirva um objetivo comum; melhorar as condições para vida na bacia hidrográfica do rio Dão.

Pelo imenso interesse e incentivo dos participantes, pelo potencial do rio Dão e pelo muito que há a fazer, o coletivo dos promotores do Micro-Fórum do Rio Dão vão agora continuar o seu trabalho. Sempre numa lógica desinteressada, endógena e de cidadania e em articulação estreita com todos, irão agora desenvolver uma Ideia Base para o desenvolvimento sustentável do rio Dão.

Organização do Micro-Forúm: Diego Garcia, Freya van Dien, Pedro Baila Antunes

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