Presidente da Junta de Santar/Moreira em rota de colisão com Borges da Silva

FOTO : NelasObscura

Reproduzimos, na parceria que firmámos com o Nelas Obscura, a intervenção de Jorge Abreu, presidente da Junta de Santar/Moreira (eleito pelo PS),na Assembleia Municipal de 26 de abril de 2019, onde lança duras críticas ao presidente da Câmara Municipal de Nelas. A mesma foi extraída da ata da sessão.

Abreu afirma que não representa partidos, mas sim a Comunidade que o elegeu. 

Intervenção integral de Jorge Abreu : 

O assunto que me traz aqui, como já em outras Assembleias, é, especificamente, referir aquilo que já fiz em outras alturas. Não represento Partidos Políticos, represento uma Comunidade, um conjunto de Cidadãos que me elegeu e por inerência, tenho lugar nesta Assembleia.
E, irei colocar aqui um conjunto de assuntos, alguns deles de forma repetitiva, mas que, como diz o Poeta: Até que a voz se canse e que espero, nunca se canse.Irei colocar um conjunto de questões, que serão, concerteza, destinadas ao Senhor Presidente da Câmara Municipal, como figura máxima da Autarquia e penso que terá todas as condições para que, de uma forma pública, pôr fim a um diz que disse, uma incerteza, um conjunto de situações que levam a que se viva, neste Concelho, mas, em particular, falo na Freguesia que presido, num ambiente de discórdia, de desânimo, de má vontade, de alguma tristeza, de arrependimento, de angústia, de mágoa, de sentido de falta de palavra e que acho que há temas que, como dizia uma criança, na Escola de Santar: a palavra do meu pai para mim vale muito.
E começo por colocar uma questão muito objetiva ao Senhor Presidente da Câmara relativamente à questão do CAVES. Desde a última reunião que tivemos até esta data já deveria ter havido mais duas reuniões para, neste momento, termos já o projeto final para estar a ser analisado e termos um ponto de determinação no início de maio, coisa que, até ao momento, não existe.
Coloco um pedido, ou faço um pedido, coloco a questão ao Senhor Presidente da Câmara para que diga a esta Assembleia, claramente, se pretende, ou não pretende, cumprir a palavra e o compromisso que assumiu, de construir o Projeto CAVES, em Santar, seja nos moldes que já estava, ou seja nos moldes de um projeto que seja encontrado em conjunto com a Câmara Municipal, Junta de Freguesia e as Associações que dela precisam, no mesmo sentido que eu continuo a acreditar que seja possível esta mesma realização, pois, tem sido tema em reunião de Câmara, muito se tem falado sobre isso e acho que é este o local também, sob o ponto de vista público, onde este assunto deve ser, de uma forma geral, esclarecido.
Dizer também que a grande tristeza, ou uma das grandes tristezas, que mais uma vez senti, é que desde que sou, penso que no sexto ano que decorre o mandato, tenho, a primeira atividade que fiz enquanto Presidente de Junta de Freguesia, para ir visitar as Escolas, onde encontrei aquilo que já disse, um terror, algo desolador, hoje, remediado, mas não resolvido.
E aquilo que procurei fazer, ou procuro fazer, em conjunto com os meus colegas Autarcas, com as dificuldades que se põem ao Executivo, com as dificuldades que são reconhecidas a qualquer Junta, mas a Páscoa, o Natal, as Férias, o fim de aulas, tem sido sempre partilhado entre a Junta de Freguesia e as crianças.
E este ano, mais uma vez, houve o chamado levar o Folar, o Folar e as amêndoas a essas crianças, e ao levar o Folar a essas crianças há uma criança que se dirige a mim e que me dá quase que um murro no estômago e que me pergunta: mas porque é que eu não tenho umas casas de banho condignas? Porque é que eu não tenho direito a uma Escola arranjada? É esta questão que lhe deixo.
É como quando os nossos filhos nos perguntam do porquê de na nossa casa não ter as condições, como a casa do vizinho tem. E deixo esta questão em aberto: para quando o projeto? que já está executado há tanto tempo, o compromisso que foi assumido perante os pais, perante as crianças, perante o próprio empreiteiro da obra, e que, até ao momento, em que nas Férias da Páscoa a obra estaria concluída, ou esta fase da obra, isso não aconteceu mais uma vez. E, isto na minha terra chama-se falta de palavra.
Depois, falar sobre a questão das ETAR,s. Foi-nos transmitido que o mês de abril seria a finalização da ETAR de Santar e, se não estou enganado e o Senhor Vice-Presidente poder-me-á corrigir, se o entender, penso que junho era a data limite para entrega da ETAR de Casal Sancho. Fui hoje à ETAR de Casal Sancho, mais uma vez, na expetativa de que estivesse já com um elevado desenvolvimento, e fiquei, deveras, desolado porque, mesmo nos documentos que nós recebemos e as imagens que lá estão espelhadas, nada têm a ver com a realidade que hoje encontramos naquele local. E pergunto: para quando o empreiteiro se compromete a entregar e a ter este equipamento a funcionar em condições condignas?
Depois, perguntar também, no seguimento da pavimentação dos passeios na Avenida da Soma, em Santar, se, de seguida, também os passeios, de quem vem de Moreira, na primeira parte da Estrada Moreira – Nelas, se têm já previsto arrancar no imediato, ou que isso, de facto, não consta.
Depois, colocar uma questão muito objetiva e que muito me surpreendeu. Uma carta que recebemos e que passo a ler, um ofício dirigido à Junta de Freguesia de Santar, vindo da Santa Casa da Misericórdia de Santar, onde o assunto é: Corte de árvores. E, se me permitem, passo a ler:
“A Santa Casa da Misericórdia de Santar vem por este meio solicitar a V. Ex.ª que mande proceder a um corte de 4 árvores, 3 em frente às futuras instalações da Cruz Vermelha, bem como à árvore da entrada principal do Lar, junto ao Jardim da Nossa Senhora das Misericórdias.
Este pedido prende-se com a obra que está a ser executada, conforme processo de licenciamento n.º 64/2016.
A Santa Casa da Misericórdia de Santar propõe-se oferecer um número igual de árvores desta espécie, ou de outras que entenda por bem darmos como referência, para serem plantadas noutro local da Freguesia que a Junta entender utilizar.
Certos da colaboração que queira dar ao assunto solicitado supracitado.
Com os melhores cumprimentos.
A Senhora Provedora”
Com base neste ofício que, na ausência do Senhor Presidente, dei conhecimento ao Senhor Vice-Presidente, que deu entrada do mesmo e, quando se pede aqui e quando é reafirmado aqui que é no seguimento do processo de licenciamento n.º 64/2016, a questão que coloco aqui é, se, de facto, aquando das várias alterações do projeto que já deram entrada na Câmara Municipal e que não sei se foram, se estão, ou não estão aprovadas, se constava este, ou se estava contemplado o abate de 4 árvores, com mais de 60 anos, que fazem parte do postal ilustrado de Santar.
E que não nos basta, que isto fique bem claro, que nós, eu, e nós, Junta de Freguesia de Santar, somos eternos defensores de todos os equipamentos de Ação Social e outros, mas, principalmente, do Cuidado Continuado, porque tem havido uma grande deturpação sobre este tema. Não temos nada contra a Santa Casa da Misericórdia. Não temos nada contra a construção do Lar. Temos sim e entendemos que temos uma palavra a dizer sobre aquilo e como se constrói numa Vila histórica de Santar, porque eu não posso esquecer das primeiras conversas em que falava com o Senhor Presidente da Câmara, em tornar Santar num pequeno centro editorial e, de facto, hoje temos ali um mamarracho de betão, que caiu de uma forma muito pouco adequada e que quebrou, completamente e destruiu a entrada de Santar do ponto de vista paisagístico.
O que, com o abate de árvores com mais de 50, ou 60 anos, como pude aperceber-me, será um crime, um crime sobre a destruição paisagística e do património se se vier a verificar.
Constatei, também, que a entrada que foi aberta e que aqui é citada, foi aberta à revelia de qualquer tipo de requerimento colocado na Câmara Municipal. E as dimensões que existem, de momento, não cumprem aquilo que foi depois participado à Câmara Municipal. Por isso, pedia mais uma vez, porque, lamentavelmente, eu tenho um enorme respeito por todos os trabalhadores em geral, mas acho que o nosso Concelho e os Serviços Municipais, infelizmente e lamentavelmente, pecam muito sob o ponto de vista da fiscalidade.
E, por isso pedia ao Senhor Presidente da Câmara, que caso não tenha essa informação, que nos fizesse chegar, o mais breve possível, porque já há algum tempo que entregámos, que fizemos chegar ao Senhor Vice-Presidente da Câmara e que, até ao momento, não recebemos qualquer decisão sobre isto, porque consideramos que é algo inconcebível e que, por vezes, é depois utilizado, de uma forma deturpada nas Assembleias da própria Instituição e até junto dos mais idosos que têm mais dificuldade em perceber, para tentarem, de uma forma enviesada, dizerem que estamos contra isto, ou contra aquilo.
Nós não estamos contra, não estamos contra é o equipamento. Estamos contra a forma como se fazem as coisas.
O Senhor Presidente da Assembleia:
– Senhor Presidente de Junta, agradecia que fosse terminando.
O Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Santar/Moreira, Jorge Manuel Tavares Abreu:
– Sim, vou terminar, vou terminar. Só duas pequenas coisas, um pouco, muito importantes, mas menos tempo que irei ocupar.
Falar sobre a questão do Pessoal dos Serviços Municipais. Nós passamos, principalmente, como Junta, num período, em que me recordo, da maior dificuldade de meios humanos na Freguesia de Santar /Moreira, porque não há pessoas que queiram trabalhar nos moldes em que estamos dispostos e podemos contratar pessoas, nem através de pessoas que estão a receber subsídio de desemprego, ou rendimento social de inserção, visto que até tínhamos duas candidaturas aprovadas, terminaram o prazo de 60 dias por não haver candidatos com condições para assegurarem esses serviços.
E, isso, de facto, faz-se sentir na nossa Freguesia pois tivemos muita dificuldade e continuamos a ter muita dificuldade. E temos pedido, insistentemente, aos Serviços competentes e a alguns funcionários para que nos ajudem a ter algumas condições.
O Senhor Presidente da Assembleia:
– Senhor Presidente de Junta, terminou o seu tempo.
O Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Santar/Moreira, Jorge Manuel Tavares Abreu:
– E a questão que coloco é muito objetiva: será que é do conhecimento do Senhor Presidente da Câmara que existem pessoas, há mais de um mandato, que passam 8 horas, ou 7 horas, neste caso, dentro dos Serviços da Câmara Municipal, em que não fazem rigorosamente nada, ligados a redes sociais, em que têm capacidade para exercer e prestar serviço à Comunidade e que estão encostados, ou o quer que seja?
Ontem, estivemos aqui numa sessão do 25 de Abril a falar de liberdade, e vai-me perdoar a minha expressão, mas se “castigar”, se isto é um castigo, castigar as pessoas é ser colocá-las a ter uma liberdade de não fazerem nada e depois serem Assistentes Operacionais, que poderiam, ou deveriam andar a fazer o serviço que lhe compete e a apoiar as pessoas que estão na rua, os Trabalhadores da Câmara Municipal, que arrogamos ter de melhor oferta e de melhor atendimento às populações, de facto, não posso concordar de maneira nenhuma, e o apelo que deixo é que o Senhor Presidente olhe para esta situação com um cuidado redobrado pois eu nem quero acreditar em algumas situações que se prendem, em que alguns equipamentos informáticos da Câmara Municipal são utilizados por várias contas de facebook e de outras redes sociais, anónimas, e que estejam, durante o período de trabalho para que estão a ser pagos e bem pagos, para estar a fazer critica, a lançar boato e em outras diversões. O apelo que reforço é sobre a necessidade do apoio às Freguesias.
O Senhor Presidente da Assembleia:
– Senhor Presidente, aconselho-o a terminar.
O Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Santar/Moreira, Jorge Manuel Tavares Abreu:
– Agradeço-lhe, Senhor Presidente da Assembleia, por me ter permitido usar da palavra. Penso que são assuntos de interesse de todos, de extrema necessidade do período em que vivemos e que me perdoando algumas pessoas que já aqui colocaram e fizeram as suas intervenções, eu já aqui passei horas a ouvir conversa política unicamente.
Esta é a conversa da necessidade do Cidadão que eu tenho a coragem de trazer aqui a este palanque e em que muitos outros terão essa necessidade também de o fazer.

Este portal utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização Saiba mais sobre privacidade e cookies