EDITORIAL.O desnorte de Borges da Silva

José Miguel Silva DIRETOR

O presidente da Câmara Municipal de Nelas está sem rumo, a navegar à vista. Talvez pela minha formação profissional – sou Economista de formação, Jornalista de paixão – não suporto a mentira e a falta de rigor. Por isso, como referi em entrevista recente que dei a uma estagiária de jornalismo, a política, em geral, é uma podridão. Borges da Silva tem contribuído muito para esta minha opinião. Mas vamos aos factos, que comprovam que este autarca falta permanentemente à verdade, criando falsas expectativas à população e até a alguns potenciais investidores.

1. Dossier Fornos Elétricos. O conceituado jornalista Amadeu Araújo foi por mim contratado para fazer, durante alguns meses, pré e campanha eleitoral das autárquicas de 2017. Graças a ele, o nosso jornal fez, em primeira mão, um grande trabalho sobre o tema. Acordo firmado para a compra à CGD, por 400 mil euros, a pagar em 10 anos e promessa de na altura ter financiamento (programa comunitário) para remoção dos metais pesados, para se resolver este grave passivo ambiental. Na campanha placa colocada a dizer VENDIDO. O Vereador Manuel Marques, assumiu, nesta última reunião de Câmara, que foi do seu punho que saiu no cartaz o escrito MENTIRA.

2. Loureiro&Filhos (ligação com Fornos Elétricos). Então o sr. presidente da Câmara, quando anunciou a assinatura do protocolo – até publicou foto – com a empresa de Beijós (Carregal do Sal), para se instalar nos terrenos dos Fornos Elétricos, não teria que ter a certeza que iria comprar, pelos referidos 400 mil euros, toda aquela área? Anunciou com toda a pompa, como é seu apanágio, que ali iria ser instalado um Centro Empresarial, e assim esta seria a primeira empresa a implantar-se. Mais : dizem as más (ou boas) línguas, que alegadamente o sr. andou a assediar empresas de Carregal do Sal para se instalarem em Nelas. Um logro. A empresa Loureiro&Filhos, teve que recuar e voltar à ideia inicial de se instalar no Parque Industrial de Oliveirinha. Ficou muito mal na fotografia. E os empresários o que pensaram ? Certamente que este presidente de Câmara mentiu politicamente. E mais – o presidente da Câmara de Carregal do Sal já nos enviou um parecer da CCDRC, que noticiámos, sinalizando uma legalidade muito duvidosa de se fazer “dumping” (preço abaixo do custo), com terrenos em Parques Industriais – Nelas vende a 50 cêntimos o m2, terrenos cujo custo m2, para o erário municipal, é muito superior. Sou totalmente a favor da industrialização – mas não a qualquer preço -, e fazendo uma concorrência desleal em relação aos concelhos vizinhos.

3. Covercar. Outro dossier que temos insistido neste último ano e sabemos do que falamos. Fontes totalmente seguras de dentro da empresa, sempre nos deram conta da situação caótica vivida, com despedimentos em massa (mais de 100), e falta de condições de trabalho – inclusive não cumpriam a lei em matéria de higiene e segurança no trabalho. Fiquei estupefacto, nesta última reunião de Câmara, quando Borges da Silva diz que a informação que tem da empresa é de “80 trabalhadores ao serviço”. Sabemos (e o sr. também sabe) que é mentira, e nem procurámos confirmar. Foi uma costureira, corajosa, que nos ligou a relatar tudo o que se passa atualmente. Sr. presidente da Câmara – são 38 efetivos e uns poucos mais a prazo, que a curto prazo, deverão sair quase todos. Então e os incentivos concedidos e pagos ? A autarquia não vai ser ressarcida ? Ou o sr. tem mesmo interesses pessoais na empresa, dado que a sua esposa é a advogada da Covercar ? Os Nelenses e Canenses querem um esclarecimento cabal. Isto para não falar, que se comenta, que o investimento que a autarquia fez em infra estruturas, alegadamente ascendeu a mais de 400 mil euros. Investe assim para empresas que poucos anos ficam no concelho? Não há mecanismos jurídicos para salvaguardar estas situações?

4. ETAR´s Carregal do Sal. Nesta última reunião de Câmara, Borges da Silva resolve partir para um ataque cerrado ao seu colega vizinho (eleito como independente também pelo PS),Rogério Abrantes, num sinal de total desnorte. Então o sr. não sabe que Carregal tem várias ETAR´s aprovadas no programa POSEUR (nós já noticiámos, não só hoje, mas há vários meses) e que vão arrancar com as obras em breve? E, como referimos, a autarquia de Carregal do Sal é das mais sólidas financeiramente das 308 do país e não precisa de recorrer a empréstimos. Pois é sr. presidente, “pela boca morre o peixe” – o sr. gere uma das 20 piores do país em termos financeiros, e ao invés de a melhorar financeiramente, em seis anos, nada tem feito para isso. Constrói as ETAR´s, mas nem tem dinheiro para 15% do seu valor, tendo que recorrer a empréstimos para financiar esta reduzida parte do investimento.

Com o PS local totalmente fraturado, porque Borges da Silva, diz a “vox populi”, não ouve ninguém : diz amiúde “eu é que MANDO”, chegam-nos também informações que alegadamente se intensificou a berraria nos Paços do Concelho – a última vítima terá sido a técnica superior do desporto, Sónia Batista, que nos dizem estar de saída da autarquia. E o processo Célia Tavares? Então o sr. presidente “despacha” uma técnica altamente competente, fortemente defensora do rigor e da legalidade, e que era,há décadas, a responsável administrativa e financeira ? O sinal que passou é que alegadamente não defende a legalidade e o rigor. E dizem as más (ou boas) línguas, que o sr, passava a vida aos gritos com Célia Tavares.

No início do seu primeiro mandato, neste mesmo espaço da responsabilidade do Diretor, elogiei o que poderia ser um mandato “progressista e com gestão financeira equilibrada”.Enalteço quando tenho que o fazer. Escrevi muitas vezes que resolver o grave problema ambiental do concelho, é um grande desígnio que concretiza (se o conseguir fazer até 2021 – e mesmo assim já vai com atraso, pois em declarações frequentes durante o primeiro mandato, sempre disse que seria um enorme falhanço – nesse mandato – não o resolver). Mas cada vez mais sou levado a concluir, por tudo, e muito mais que poderia escrever, que esse início de primeiro mandato foi apenas um estado de graça, que durou pouco tempo.

O DIRETOR

José Miguel Silva

 

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