Câmara de Viseu. Propostas dos Vereadores do PS

Historicamente, associado à sua génese e relevância continuada, Viseu sempre foi um cruzamento de vias, nos sentidos litoral-interior e norte-centro. De facto, no norte-centro de Portugal, entre o litoral e o interior, entre o mar e Espanha, a cidade de Viseu dispõe de uma localização geoestratégica charneira extremamente relevante.

Ao seu redor, numa distância aproximada de 30 quilómetros e/ou num tempo de viagem de 30 minutos, Viseu dispõe de uma população próxima de 300 mil habitantes, onde se incluem municípios com polos industriais significativos.

Em termos do desenvolvimento urbano e territorial e da promoção da atividade económica, esta é uma grande vantagem comparativa, única em Portugal, face a outras cidades médias, capitais de distrito.

Como é bem patente em múltiplos episódios, o atual executivo municipal do PSD, com uma estratégia política que designou de “Viseu Primeiro”, está de “costas voltadas” para a CIM Viseu Dão Lafões e os municípios vizinhos. Não é sequer conhecida uma política concertada para o território.

Apesar das sucessivas promessas de Almeida Henriques, não há grandes obras municipais para apresentar em Viseu. Como é público, inclusive entre figuras históricas do PSD, o Presidente da Câmara é criticado por não ter avançado com obras estruturantes, como a construção de mais troços da segunda circular.

Está à vista de todos os viseenses que no Rossio, de há 5 anos a esta parte, despontaram outras prioridades. Implementam-se essencialmente políticas imateriais, festivas, muito proclamatórias, baseadas em marketing territorial, qual propaganda municipal, quase sempre inconsequentes.

Os vereadores do Partido Socialista têm expressado uma visão estratégica para o concelho de Viseu. Matricial nesta estratégia é a projeção da Cidade para com o seu território vizinho.

No urbanismo, nas plantas radioconcêntricas das cidades várias vias radiais divergem de um centro, ligando-se entre si por vias concêntricas/circulares. Historicamente, o planeamento e o desenho urbano do território de Viseu há muito já perspetiva a concretização de um esquema radioconcêntrico.

Como pode ser visto no primeiro mapa da figura, em Viseu já está implantada a estrada da circunvalação. Porém, a segunda circular ainda está muito incompleta. As autoestradas A25 e A24 e o IP5 definem já implicitamente uma terceira circular, carecendo o IP5 da devida requalificação-repavimentação.

A partir destas, algumas entradas estão já implantadas com dupla faixa de rodagem, contudo, acessos estruturantes, com tráfego significativo, como a EN16 na entrada este e a entrada pela EN229 ainda não estão duplicadas.

A estruturação, o desenvolvimento e o ordenamento urbano necessitam de visão e desígnios. Pese um ou outro erro no ordenamento e construção de alguns bairros na envolvente à Circunvalação, Viseu tem dado cartas nesta matéria. De facto, há muito que o planeamento urbano já prevê estas obras rodoviárias. Contudo, o atual executivo PSD, face às outras preferências e gastos decorrentes, parece ter “metido na gaveta” a conclusão da rede rodoviária estruturante de Viseu.

A competitividade e a atratividade dos territórios está hoje muito dependente do aproveitamento de fatores endógenos – a começar na natureza do território -, a que deve ser adicionado valor, fazendo-se assumir as vantagens comparativas do território. Num mundo globalizado só assim se consegue ser diferenciador e competitivo.

Historicamente, a matriz ambiental-territorial – permitindo qualidade de vida – do centro da cidade de Viseu é um fator evidentemente competitivo e atrativo. Mas não basta, Viseu tem de ganhar mais escala e potenciar um maior dinamismo socioeconómico.

Na visão estratégica para o concelho de Viseu dos vereadores do PS a localização da cidade de Viseu e a articulação com os municípios vizinhos adjacentes é assim vital. É uma mais-valia muito pouco explorada.

Concertadamente com dinâmicas emergentes dos tempos atuais ao nível da mobilidade e acessibilidades, Viseu tem de saber exponenciar as suas mais-valias neste domínio, efetuando uma projeção radial mais expressiva do território pelo seu espaço envolvente.

Assim, na próxima reunião de câmara os vereadores do PS vão propor ao Executivo Municipal a elaboração do “ Plano de Ação VISEU a 360o”. Plano de ação para a conclusão da rede rodoviária estruturante de Viseu, consolidando o seu esquema radioconcêntrico e a sua projeção estratégica pelo território envolvente.

 

Abrangendo certamente vários mandatos autárquicos, a concretização de um plano desta natureza, terá de ser realizada por fases/troços de estrada, exigindo o estabelecimento de prioridades para os primeiros troços a concretizar – num total próximo de 20 km – como é recomendado na proposta.

 

Viseu, 2 de abril de 2019,

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(Lúcia Araújo Silva) (Pedro Baila Antunes) (José Pedro Gomes)

 

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