Alcoolismo : O combate a este flagelo

As drogas são substâncias capazes de provocar um estado de dependência.

Inúmeras pessoas, sobretudo adolescentes, recorrem a estas substâncias por necessidade de integração e identificação com o grupo de amigos, enquanto outras fazem-no devido a um profundo desejo de “fugir” à realidade. Das drogas com consumo mais frequente e com maior impacto, encontra-se o álcool.

O álcool, a nicotina e a cafeína são as substâncias mais consumidas em Portugal, sendo o álcool a mais destrutiva, com repercussões graves a nível da saúde, família, trabalho e na sociedade.

O alcoolismo é o conjunto de problemas relacionados ao consumo excessivo e prolongado do álcool. Doença de carácter progressivo, incurável e quase sempre fatal, é entendido como um vício de ingestão excessiva de bebidas alcoólicas, com todas as consequências decorrentes.

Foi definido pela Direção Geral de Saúde (DGS) como “a totalidade de problemas motivados pelo álcool, no indivíduo, estendendo-se em vários planos e causando perturbações orgânicas e psíquicas, perturbações da vida familiar, profissional e social, com as suas repercussões económicas, legais e morais”.

Mais de três milhões de pessoas no mundo morreram em 2016 devido ao consumo de álcool, sendo que os homens representam três quartos das mortes registadas. Uma em cada 20 mortes no mundo deveu-se ao consumo nocivo de álcool, correspondendo a 5% do conjunto das doenças a nível mundial. (OMS, 2018)

Em termos globais, estima-se que 237 milhões de homens e 46 milhões de mulheres sofram de problemas devido ao consumo de álcool, sendo que é maior a prevalência entre os homens e mulheres da região da Europa (14.8% e 3.5%, respetivamente). (OMS, 2018)

Sendo um problema de saúde pública, atualmente, o consumo excessivo e regular de álcool tem alcançado proporções massivas, estando o mesmo profundamente enraizado na cultura portuguesa.

Durante muitos anos, Portugal foi campeão mundial no consumo de álcool e nas respetivas consequências: acidentes (de viação e laborais), violência (familiar e social) e as múltiplas patologias daí resultantes. Portugal tem alguns dos vinhos mais apreciados do mundo e lidera também o ranking dos países que mais álcool consome. Se o primeiro facto nos enche de orgulho, o segundo, nem por isso…

Portugal possui uma longa e forte tradição vitivinícola, conhecido em todo o mundo pela distinta qualidade dos seus vinhos. Na região Centro encontramos o concelho de Carregal do Sal, onde a produção de vinhos de qualidade é sobejamente reconhecida internacionalmente.

Os dados, relativos a 2016, revelados pela OMS, colocam Portugal entre os países que mais álcool consomem. Em média, cada português consome 12,3 litros por ano.

Quando o álcool é consumido com moderação, o organismo pode recuperar dos seus efeitos nocivos. Contudo, quando consumido em excesso e de forma regular, pode provocar a dependência com todas as suas consequências, acabando os efeitos tóxicos por se manifestar, mais cedo ou mais tarde, sob a forma de doenças hepáticas, neurológicas, entre outras.

À sensação inicial de euforia e de desinibição, segue-se um estado de sonolência, turvação da visão, diminuição da capacidade de reação, fadiga muscular, diminuição da capacidade de atenção e compreensão, são alguns dos efeitos imediatos derivados do consumo de álcool. O álcool atua bloqueando o funcionamento do sistema cerebral, responsável pelo controlo das inibições. Estas, ao verem-se diminuídas, fazem com que o indivíduo se sinta eufórico e com uma falsa segurança em si que o poderá levar, em certas ocasiões, a adotar comportamentos perigosos. 

O excessivo consumo de álcool ainda produz acidez no estômago, vómito, diarreia, diminuição da temperatura corporal, sede, dor de cabeça, desidratação, falta de coordenação, lentidão dos reflexos, vertigens e mesmo visão dupla e perda do equilíbrio. Se as doses ingeridas forem muito elevadas, pode surgir depressão respiratória, coma etílico e, eventualmente, a morte.

Porém, o consumo regular e excessivo de bebidas alcoólicas durante um longo período costuma provocar uma série de lesões orgânicas, correspondentes a uma intoxicação alcoólica crónica, que dão origem a diversas repercussões significativas a nível afetivo, social e profissional. Contudo, estas lesões orgânicas e as suas manifestações podem levar entre 5 a 20 anos a evidenciarem-se, consoante a quantidade de álcool ingerida regularmente, a frequência das intoxicações agudas, o estado físico e nutricional do indivíduo e a sua relação com o meio que o rodeia.

Deste modo, quanto aos efeitos a longo prazo, o consumo crónico produz diversas alterações em diferentes órgãos vitais, tais como: Cérebro – deterioração e atrofia; Sangue – anemia, diminuição das defesas imunitárias; Coração – alterações cardíacas (miocardite); Fígado – hepatopatia, hepatite, cirrose; Estômago – gastrite, úlceras; Pâncreas – inflamação, deterioração; Intestino – transtornos na absorção de vitaminas, hidratos e gorduras, que provocam sintomas de carência.

Já o consumo habitual na mulher grávida pode dar lugar à síndrome alcoólica fetal, caraterizado por malformações no feto, baixo coeficiente intelectual, etc.

Por outro lado, a dependência do álcool, os problemas orgânicos provocados pela intoxicação alcoólica crónica e os eventuais episódios de intoxicação aguda acabam por deteriorar, de forma evidente, a relação do indivíduo com o ambiente afetivo, social e profissional. Deste modo, o álcool é responsável pela diminuição do rendimento laboral, aumento do absentismo e acidentalidade, pelas reformas prematuras, desemprego, perturbações no seio familiar, nas relações sociais e de ordem pública, delitos, atos violentos e criminalidade, vagabundagem, acidentes de viação e degradação da saúde e do nível de vida e bem-estar da Comunidade.

O tratamento passa pela eliminação total e definitiva do consumo de bebidas alcoólicas, devendo o indivíduo assumir a sua condição e consciencializar-se do seu desejo de se curar. O resultado vai depender sempre de numerosos fatores, dos quais sobressaem a motivação e o envolvimento do seu ambiente próximo no tratamento e reintegração sociofamiliar, laboral e comunitária.

Apesar do álcool ser considerado uma droga lícita, só é permitido o seu consumo a partir dos 18 anos, sendo criminalmente responsável quem o consome e quem o fornece. O consumo abaixo desta idade está intimamente relacionado com vários problemas de saúde, bem como com acidentes que representam a principal causa de morte neste grupo etário. Quanto menor a idade de início do consumo de álcool, maior o risco de consumo patológico e de dependência no futuro.

Não querendo prejudicar o mercado/negócio, mas sim, com este artigo consciencializar a população do perigo que advém do consumo regular e excessivo de álcool e apelar à moderação do seu consumo.

A DGS aconselha a comunidade a usufruir, de uma forma responsável e prudente, do consumo de álcool:

  • Se beber não conduza de todo;
  • Hidrate-se antes e enquanto beber;
  • Coma sempre antes de começar a beber;
  • Inicie e termine de preferência com a mesma bebida;
  • O álcool age diretamente em diversos órgãos, tais como o fígado, o coração, vasos sanguíneos e na parede do estômago.

Artigo elaborado por Maria Teresa Andrade Pega, aluna do 32º Curso de Enfermagem, da Escola Superior de Saúde de Viseu, no âmbito do Ensino Clínico IX – Saúde Comunitária, sob orientação da Enfermeira Joana Carvalho Lopes da UCC Aristides de Sousa Mendes.

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