A influência da informação no público: o caso das eleições presidenciais no Brasil

Este ano, as eleições presidenciais do Brasil decorreram entre 15 de agosto e 28 de outubro. Jair Bolsonaro arrecadou a vitória, com 48% de votos a favor. O atual presidente do Brasil gerou controvérsia pela exposição das suas ideologias polémicas e minoritárias, que causaram um descontentamento da população a nível internacional.

É realçado o postergar dos seus princípios políticos, em detrimento da sua subjetividade, individualidade e consequente polémica. Toda esta temática foi retratada, maioritariamente, com ubiquidade, tanto pela população das mais diversas nações, como pelos meios de comunicação. A relevância deste assunto é evidente, devido às repercussões que ocorrerão no país, consequentes das ações políticas do mais recente presidente.

Quando o público coloca um meio de comunicação num altar informativo, hierarquicamente elevado, a suas decisões (por exemplo, a sua participação política) podem ser influenciadas. O preterir de determinadas informações ou perspetivas influencia o seu público, determinando a ubiquidade opinativa. Deste modo, as opiniões maioritárias na sociedade são influenciadas pela importância e relevância atribuída pelos meios de comunicação. A diversificação destes meios está presente, através da linguagem, da forma de tratamento da informação (por exemplo, a imparcialidade) e da preponderância atribuída à mesma. Na exposição deste assunto, pudemos presenciar a imparcialidade na rádio TSF, que, como é habitual, coloca questões caleidoscópicas à sua audiência e, posteriormente, divulga as opiniões de cada indivíduo, debatendo-as. Meios de comunicação como o jornal Expresso e a revista Visão, ambos de grande alcance nacional, demonstraram negatividade na abordagem da mesma temática, especulando um cenário distópico para o país e a sua população.

Devido ao tratamento da informação e posterior divulgação pelos meios de comunicação, o outrora candidato e atual presidente do Brasil foi julgado e classificado como uma figura maléfica, aquando do conhecimento das suas ideologias sociais. Anteriormente à vitória, a maioria da população tomou a decisão, subjetivamente, de se influenciar pelo retrato negativo do concorrente. Alheios às suas intenções políticas, e, por vezes, até às dos restantes candidatos, a população formulou o caráter de Jair Bolsonaro. Deste modo, surgiram muitos apoiantes, que partilham a mesma visão ideológica social, e muitos oponentes, revoltados com as mesmas. Assim, até a própria votação foi realizada consoante essas mesmas individualidades, que surtiram num apoio incessante ao candidato ou num repúdio total do mesmo. Após a sua vitória, é inquirido um futuro opressivo e totalitário ao país pela maioria dos meios de comunicação e, por ventura, pelos indivíduos.

Os meios de comunicação apresentam a (des)virtude de promover, articular ou deturpar a informação divulgada. Verifica-se que as informações relativas à partilha por minorias são omitidas, face às opiniões maioritárias. Deste modo, as minorias acabam silenciadas e as maiorias avultadas, mesmo que, respetivamente, umas estejam corretas e outras erradas. No desenvolvimento das eleições presidenciais brasileiras do corrente ano, verificou-se uma ubiquidade nas informações negativas, partilhadas pela maioria, e um silenciamento das ideologias apoiantes, tanto pelos meios de comunicação, como pelos indivíduos. Além disso, ocorreram ocultamentos dessas mesmas teorias minoritárias, em detrimento da divulgação de informações partilhadas pela generalidade.

Perante o efeito provocado pela partilha de informações pelos meios de comunicação no público, é realçada uma formatação e uma reação universal à informação. Isto foi verificado no evento relatado, em que indivíduos informativamente alheios imediatamente traçaram um perfil negativo, em relação ao concorrente e atual presidente, sem qualquer argumentação ou reflexão crítica.

Os meios de comunicação podem não influenciar o público, no entanto, são preponderantes no relato das informações, que posteriormente serão debatidas. Verifica-se que, perante os assuntos envolvidos nas eleições do Brasil, não existe qualquer dúvida de que os meios de comunicação criaram um tópico de debate na população dos mais diversos países. No entanto, a influência da informação está contida somente no indivíduo, que, perante a sua subjetividade, opta por permitir essa influência na sua consciência.

Concluindo, os meios de comunicação correspondem a uma influência preponderante no público, que alterna o seu pensamento e os temas de debate pelo que é retratado e divulgado. Verifica-se, amiúde, um preterir de informações minoritárias, tanto pelos meios de comunicação, como pelo público que outrora se deixou influenciar pelos mesmos. Trata-se de uma falta de usufruto da subjetividade e do pensamento crítico pela maioria, que não questiona a informação divulgada de acordo com a sua individualidade, deixando-se afetar pela cegueira universal relativa à argumentação e à consciência.

Simão Almeida

(Texto construído com o auxílio dos colegas Carla Almeida, Diogo Sousa e Rodrigo Cabral, no âmbito do trabalho proposto pela docente Maria João Macário, na unidade curricular de Teoria da Informação e da Comunicação, do 1º ano do curso de Comunicação Social, da Escola Superior de Educação de Viseu)

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