Clone de Trump toma posse. Jair Bolsonaro é o 38º presidente do Brasil

Ano novo, vida nova. Provavelmente, a famosa expressão de arranque do ano, nunca foi tão eloquente para o Brasil.

Oitava maior Economia do mundo, com 210 milhões de habitantes – a primeira vez que fui ao Brasil, em 1997, eram pouco mais de 160 milhões -, o nosso país irmão, tem pela frente desafios hercúleos, dos quais destacamos três : o combate à corrupção sistémica, que cresceu de forma exponencial nos governos Lula e Dilma, segurança e economia. Nesta última área as notícias são animadoras para a oitava maior economia do mundo, que viveu a pior recessão da sua história em 2015 e 2016, com uma contração total do PIB de 7%. Em 2016 e 2017 o crescimento foi anémico e agora, uma “pool” de economistas de 100 instituições financeiras, em linha com a estimativa do Banco Central, divulgada esta segunda-feira, estimam que o PIB deverá acelerar para cerca de 2,5‰ em 2019, com a inflação a aumentar ligeiramente para 4‰. Existe uma certeza – a saída de cena do Partido dos Trabalhadores trouxe esperança e confiança a empresas e famílias. O desemprego é outra grande batalha, na área económica, que o novo Governo, que tem um Super Ministro, Paulo Guedes, para a economia e finanças, terá que travar – atualmente supera os 11‰.

Militares e Evangélicos são os grandes apoios com que Bolsonaro conta, sendo já visível a sua presença no Governo conservador, considerado ultra nacionalista, que tem no entanto no Liberal Paulo Guedes, uma direção, na Economia, tudo menos conservadora : Menor peso do Estado e uma agenda onde se destaca um amplo programa de privatizações.

Politicamente, há várias semanas que Jair Bolsonaro, tem dar mostras de ser um “bom aluno” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não estará presente na cerimónia de tomada de posse : mandou o seu Secretário de Estado. Além dos ataques cerrados aos órgãos de Comunicação Social que lhes são desfavoráveis (com particular destaque para os reputados Folha de São Paulo e New York Times), ambos são peritos em rasgar ou prometer rasgar acordos. Caso mais paradigmático é o acordo de Paris, sobre a redução de emissões poluentes. Seguindo as pisadas de Trump, Bolsonaro anunciou que também vai mudar a embaixada do Brasil em Israel, de Telaviv para Jerusalém. Bolsonaro também ameaçou sair da ONU, considerando que é uma instituição que “não serve para nada”.

A América é governada por americanos. Rejeitamos a ideologia do globalismo e defendemos a doutrina do patriotismo.”
(Donald Trump, na 73.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em 2018). O nacionalismo e protecionismo, definitivamente tomaram conta das agendas políticas dos dois líderes, que se rodeiam da família e amigos, como garantes únicos da sua confiança pública. Como Trump, poderá Bolsonaro abrir uma caixa de pandora no que diz respeito à gestão política? Os próximos meses darão, certamente, importantes pistas nesse sentido. A população, essa está, sem dúvida, e de forma quase esmagadora, com expectativas muito positivas sobre um presidente que não hesita em elogiar o período de ditadura militar (1964-1985), em terras de Vera Cruz.

José Miguel Silva

DIRETOR

 

 

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