Análise política dos concelhos de Carregal do Sal, Mangualde, Oliveira do Hospital,Viseu e Nelas

Autarquia de Nelas : Projetamos,até 2021,uma liderança repartida

O novo ano político arranca amanhã,1 de janeiro de 2019. Acompanhamos, diariamente, a vida política em cinco concelhos. Vejamos como tem decorrido, na nossa opinião, a gestão política no seio dos respetivos executivos, perspetivando o que podemos esperar em 2019:

Carregal do Sal : Rogério Abrantes (independente eleito pelo PS), faz o seu segundo mandato como presidente da Câmara. Se no primeiro mandato, até a oposição, em larga maioria das propostas, votou a favor do executivo, neste segundo mandato enfrenta uma oposição mais acutilante, quer por parte do PSD, quer pelo deputado municipal eleito pelo Bloco de Esquerda. O edil, que é também o presidente da CIM Viseu Dão Lafões, tem contudo uma equipa muito coesa e uma liderança forte. Navega pois, politicamente falando, em águas tranquilas, numa autarquia que tem das melhores situações financeiras do país, fazendo obras de qualidade, como o caso da magnífico, renovado e moderno, Parque Alzira Cláudio.Aguarda-se, com expectativa, a resolução do grave problema ambiental do concelho.

Mangualde : João Azevedo é um autarca considerado modelo em toda a região. Equilibrou as finanças da autarquia, depois dos mandatos do PSD que as colocaram em situação muito difícil e foi a prova inequívoca de como os planos de saneamento financeiro podem funcionar – a palavra de ordem foi gastar apenas e só dentro das possibilidades orçamentais. Fez obra, material e imaterial, e candidatou-se, com sucesso (casos do PEDU e POSEUR) aos programas do Portugal 2020, sem recorrer a mais empréstimos. Restam-lhe dois anos e nove meses para terminar a liderança autárquica em Mangualde, isto se chegar ao fim do ciclo. O que se comenta, com alguma insistência, é que a carreira política de João Azevedo poderá ter ter outros voos em 2019: ou nas Legislativas de outubro, em lugar elegível para deputado à Assembleia da República, ou ainda, numa possibilidade provavelmente mais remota, como candidato a deputado ao Parlamento Europeu.

Oliveira do Hospital : As mesmas palavras para João Azevedo se aplicam a José Carlos Alexandrino (independente eleito pelo PS), que também tem uma maioria esmagadora na Câmara Municipal (como em Mangualde, o PS venceu com 6 mandatos, contra um apenas do PSD) e é também um líder carismático. O edil de Oliveira do Hospital também faz o seu último mandato, mas, neste caso, o que nos tem chegado é que não terá qualquer outra ambição, colocando um ponto final na sua carreira política, Entra em 2019 com um orçamento “ambicioso” de 32 milhões de euros, dos quais um milhão destina às vítimas dos incêndios de outubro. Alexandrino gere a Câmara do concelho mais afetado pelos incêndios de outubro de 2017, o que muito tem exigido de si e da sua equipa. Oliveira do Hospital tem também aprovado, no âmbito do Portugal 2020, um grande projeto de reabilitação urbana, no âmbito do PEDU.

Viseu : Almeida Henriques, com uma equipa de “luxo”, faz um segundo mandato muito virado para “fora”. O trabalho do seu super vereador, Jorge Sobrado, está a colocar definitivamente Viseu no mapa nacional do Turismo, Vinhos, Cultura e Gastronomia, isto apesar das fortes críticas dos Vereadores do PS à gestão da empresa municipal “Viseu Marca”, promotora dos grandes eventos. Goza de uma larga maioria, com uma equipa também muito coesa e uma situação financeira invejável.É notório neste executivo que a vinda de Jorge Sobrado teve um desígnio : reforçar o centralismo de Viseu em toda a região e em todo o território do interior e dar uma visibilidade nacional à cidade, que provavelmente nunca teve. As maiores críticas têm a ver com a manutenção/gestão dos espaços públicos na cidade e freguesias, situação que, comparativamente à gestão exímia de Fernando Ruas, na opinião de algumas vozes críticas, não estará no mesmo patamar.

Nelas : A antítese do que se passou nos outros quatro concelhos mencionados. Borges da Silva (BS), eleito pelo PS, em 2013, com apenas 13 votos de diferença para a coligação PSD/CDS, reforçou a votação em 2017, mas acabou por manter os quatro mandatos e não eliminou os problemas de liderança. Senão vejamos : depois de no primeiro mandato, ter sido presidente, durante grande parte do tempo, em minoria (cedo se verificou uma rota de colisão entre si e dois dos seus vereadores, que passaram a ser seus opositores – Adelino Amaral e Alexandre Borges), e quando se pensaria que faria um segundo mandato tranquilo, eis que o edil Nelense volta a exonerar, por despacho publicado na rede social Facebook (como tinha feito com o ex Vice, Alexandre Borges), mais uma Vice Presidente. Independentemente do que se diga em torno deste afastamento, factos são factos – foi BS que exonerou Sofia Relvas e não esta que se demitiu.E como não há duas sem três, resolve também “despachar”, aquela que era, há várias décadas, a responsável técnica pelas Finanças da autarquia – Célia Tavares.Politicamente fragilizado, depois de tantos tumultos, resolve então tirar um coelho da cartola – aproveitando a delegação de competências para as autarquias, na área da educação, requisita ao Agrupamento de Escolas de Canas de Senhorim, Luís Pinheiro (LP), para seu braço direito, ou “Chefe de Gabinete em matéria de educação”.

Ao nosso jornal, o também presidente da junta de freguesia de Canas de Senhorim, sublinhou que “não me interessam cargos, mas o trabalho que posso desenvolver na autarquia”. Mafalda Lopes, alto quadro do PS no concelho e no distrito (faz parte do restrito Secretariado da Federação distrital), redigiu uma carta aberta, que nos fez chegar, em que afirma que LP entrou na Câmara pela “porta pequena”. A sua narrativa foi irónica e assim, nas entrelinhas, muito crítica. Na nossa opinião, a porta pela qual entrou é totalmente irrelevante : LP chegou para partilhar a liderança com BS. Recordamos que o líder da luta Canense pela criação do concelho, é um dos dois grandes políticos que o concelho de Nelas produziu nas últimas décadas (conjuntamente com José Correia). Alguém acredita que LP iria para a Câmara Municipal de Nelas para não ter um amplo espaço próprio de autonomia? E os primeiros sinais dão mesmo a entender que veio para ficar e repartir a liderança com Borges da Silva (informações de dentro da autarquia disso nos dão conta). Não é, assim, muito ousado pensar que Canas de Senhorim tem o seu “presidente” dentro da Câmara de Nelas, a repartir o poder, as decisões e as responsabilidades, com o presidente da Câmara. Há quem prognostique vida curta a este “casamento”. Somos da opinião contrária – até 2021, Luis Pinheiro, perante os “apagados” restantes vereadores do PS e conjunto de assessores políticos de Borges da Silva, numa equipa que sai muito cara aos munícipes, vai ser a estrela da companhia, mesmo que não queira brilhar para a fotografia.LP é um corredor de fundo na política – o seu contacto com a população é fácil e empático.Há quem diga que existe um grande risco político para BS e LP – só a eleição de 2021 irá dar o veredito. 

Certo é que a memória dos eleitores é curta e faltam dois anos e nove meses para o pleito. Resta acrescentar que a entrada em cena de Luís Pinheiro – foi coerente e desfilou-se do PSD -, provocou um terramoto político no PS Nelas. Sabemos, de fonte segura, que antes de designar LP, BS chamou ao gabinete o seu núcleo duro político no PS Nelas : António Borges (histórico do partido e atual presidente da Assembleia Municipal), Maia Rodrigues (deputado municipal e presidente da concelhia do partido) e António Sousa (deputado municipal e vice da concelhia). Todos foram contrários e muito críticos em relação à decisão. Destes, apenas Maia Rodrigues saiu de cena, demitindo-se da liderança do PS Nelas. Sabemos que a esmagadora maioria dos militantes do PS Nelas estão veementemente contra a decisão e muito desmotivados com o atual cenário político. Outra coisa não seria de esperar, mesmo que o partido venha a ganhar um militante de peso, como Mafalda Lopes prognostica.

Sobre o atual mandato de Borges da Silva saúda-se e com grande relevância o avanço das obras das diversas novas ETAR´s no concelho e assim o cumprimento do seu grande desígnio, que já vem desde 2013 : a resolução do gravíssimo problema ambiental do concelho. São obras que exigem muito músculo financeiro, além da comparticipação da União Europeia, e para as quais já teve que contrair um empréstimo para a parte não comparticipada.

José Miguel Silva

DIRETOR

Este portal utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização Saiba mais sobre privacidade e cookies