A tecnologia na vitivinicultura : “Mais informação e a circular mais rapidamente”

Esta foi uma das conclusões da palestra/debate do 34º Dia Nacional do Enólogo, realizada ontem, 24 de novembro, na Casa da Cultura da Mêda.

A cidade Beirã acolheu, com um vasto programa, o Encontro Nacional de Enólogos, promovido pela respetiva Associação: Visita à Quinta Vale d´Aldeia, Mostra de Vinhos e outros produtos endógenos, a referida palestra e entrega de prémios prestígio a cinco enólogos. Viticultura de precisão, com introdução da inteligência artificial, é um dos aspetos favoráveis encontrados no uso de novas tecnologias na vinha e no vinho. A grande vantagem, de acordo com os palestrantes, centra-se contudo na “disponibilização de mais e melhor informação e a circular mais rapidamente em todo o processo produtivo”.

Não defendendo a utilização excessiva de aditivos, recusaram assim o excesso de tecnologia nesta área, dado que “é de boas uvas que se faz um bom vinho”. Outro ponto favorável das novas tecnologias é “permitir produzir de forma mais rápida”, referiram, indicando como exemplo “o engarrafamento”. Anselmo Mendes, o “senhor Alvarinho”, mas também presente noutras regiões, como o Dão, alertou para a diferenciação que tem que existir entre “tecnologia e conhecimento”, defendendo que “a melhor tecnologia é escolher as pessoas certas”. A defesa do tradicional foi transversal aos oradores, que enfatizaram “em muitas situações o regresso ao passado, como por exemplo a fermentação em Lagar”. Na viticultura, designadamente na colheita, já existe a robótica, e a mecanização é “uma inevitabilidade”, devido “à falta de mão de obra”, cada vez mais latente.

Vinho produzido em Talha (ou Ânfora) foi também tema abordado, pois ressurgiu agora como “moda”, até pelo processo em voga de micro-oxigenação passiva.Chamaram no entanto a atenção para o “estado das talhas, pois muitas não estão bem conservadas e tem que se ter um grande cuidado com a segurança fermentativa”. Finalmente, a questão da valorização do produto, foi levantada pelo jornalista do Público, Pedro Garcias. Na sua opinião e citando o exemplo do Douro, “o setor tem que valorizar mais o produto – não pode pagar uvas a 30 cêntimos o kilo ao viticultor ou vermos garrafas a menos de 2€ nas prateleiras”.

O evento terminou com a distinção com o prémio prestígio a cinco enólogos, pelo trabalho que desenvolveram e desenvolvem em prol do setor, entre os quais Anselmo Mendes, José Maria Soares Franco e António Magalhães.

Este portal utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização Saiba mais sobre privacidade e cookies