Contemplar, recordar e sonhar. Obrigado, Sophia

 

O fascínio pela novidade. A capacidade incomensurável de sonhar. A magia de ser o que

queremos ser. A inocência cristalina da meninice. O espetáculo Para ti, Sophia tem o condão de

nos teletransportar até à época infantil e, principalmente, de nos rememorar que a realidade

também é o que idealizamos. Isto através de uma homenagem a uma das grandes responsáveis

pelo incremento na capacidade de fantasiar das crianças Portuguesas, a escritora Sophia de

Mello Breyner Andresen.

Absorver a escrita d’A Floresta e extravasar o conto dos livros para o palco com a veleidade de

integrar ainda alguns pormenores que enriquecem a narrativa. Esta foi a forma encontrada pela

Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT) para prestar o tributo meritório a Sophia

de Mello Breyner Andresen, numa época em que se comemora o centenário do nascimento da

escritora e poetisa Portuguesa.

A história aborda questões de autoridade, riqueza e amizade, com a natureza, logicamente,

como pano de fundo. A peça é interpretada por António Rebelo, Pedro Sousa e Sandra Santos,

que se desdobram e encarnam variadas personagens distintas, o que gera uma dinâmica

divertida e aprazível para quem vê. A sonorização extraordinária, bem como todo o cenário,

meditado ao mais ínfimo pormenor, complementam com primor o trabalho exímio

desenvolvido pelos três atores.

Encenada por Pompeu José, uma referência e um defensor acérrimo da arte e cultura

Portuguesa, a peça de teatro Para ti, Sophia, definida pelo próprio como um espetáculo para

todos, promete ser um dos espetáculos mais acolhidos pelo público em geral. Isto, porque para

além da qualidade patente em toda a equipa responsável, dá-nos a possibilidade de remexer no

nosso espírito infantil e almejar conquistar o mundo novamente. Assim, a sede da ACERT, em

Tondela, é palco obrigatório para todos aqueles que ousam sonhar.

João Miguel Carvalho

(Este texto foi construído no âmbito da unidade curricular de Escrita Criativa, lecionada por

Maria João Macário, do 3.o ano do curso de Comunicação Social, da Escola Superior de Educação

de Viseu).

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