Portugal, um covil repleto de detratores e 40 mártires. Opinião por João Miguel Carvalho

O assalto amistoso a Tancos, a complexidade na aprovação do Orçamento de Estado para 2019, os mínimos históricos das rendas, principalmente em Lisboa e Porto, o preço acessível da gasolina em Portugal, uma espécie de donativo, ou a durabilidade da performance sexual do Cristiano Ronaldo. Ufa, a hodiernidade do país está numa verdadeira azáfama e, nesse alvoroço, emerge, sem qualquer tipo de espanto, um tema que está sempre em voga no panorama nacional, o setor da banca. Abre-te Sésamo!

O outorgamento da condenação, embora com pena suspensa, do antigo presidente do BPP é mais um marco negativo da justiça nacional, uma espécie de atentado à humanidade que pode ser equiparado à detenção de Nelson Mandela em 1964. Uma barbárie da pior espécie. É lamentável, em pleno século XXI, a perseguição que se faz em Portugal a quem tanto fez por este paraíso à beira mar plantado, uns verdadeiros heróis sem capa. Além das jurisdições, na frente da batalha está o clã do BES, vulgos lesados do BES e, também, os espartanos que partiram de forma individualizada para o combate, com o duplo jota à cabeça. O propósito era, e continua a ser, deixar o cofre dos semideuses limpinho, limpinho!

Os ataques, que têm tanto de ferozes e vigorosos como de incompreensíveis, são direcionados a quatro dezenas de mártires, estoicamente guiados por três comandantes: o Zeca, o Jota e, principalmente, o Ricas, que sofreram e continuam a sofrer às mãos de uns malévolos e pérfidos Lusitanos que não merecem, sequer, partilhar a nacionalidade com estes senhores. Estes Homens, com H grande, conseguiram proezas que estão apenas ao alcance de predestinados e que foram determinantes para a magnificência financeira que reina, atualmente, em Portugal.

Poderia, facilmente, elencar milhões de exemplos que provam a habilidade e competência dos referidos molestados, mas vou cingir-me à ocasião em que o Ricas, com uma conjuntura adversa, em plena crise financeira com dimensões planetárias, conseguiu a heroicidade de vender papel sem qualquer tipo de valor, gerando uma receita de milhões que foram concludentemente utilizados para amparar a família e os

amigos mais próximos, como determinam os mandamentos da Bíblia. Paradoxalmente, em vez do louvor, como seria lógico e racional, os indolentes tentaram fazer a folha ao Ricas. Inconcebível!

A tese defendida pelos maldizentes baseia-se no facto de terem perdido as poupanças de uma vida ou a casa, mas não se alvitram que se hoje estão isentos do pagamento de IMI e baixaram substancialmente no escalão do IRS, devem-no, exclusivamente, a esses Homens que eles teimam em depreciar e perseguir selvaticamente. Com que legitimidade se ataca a honradez de Homens assim?

Felizmente, este comportamento ignóbil não encontrou repercussão no estado Português. Honra seja feita a quem despende mais no salário de dois antigos diretores do BPN do que no próprio Presidente da República ou que já gastou mais de 17 mil milhões para garantir o fulgor do batimento cardíaco da banca nacional. Agora, fica a faltar, somente, a condecoração com Ordem de Mérito, que só peca por tardia, em pleno Palácio de Belém.

Enquanto isso, o Zeca, o Jota, o Ricas e os restantes mártires desfrutam de um breve momento de serenidade e repouso, inteiramente merecido, num humilde e singelo iate atracado na costa de uma ilha paradisíaca à espera da solicitação do professor. E se isto não for um facto consumado nos próximos dois minutos, vejo-me forçado a subscrever as palavras proferidas, há dias, pelo senhor Peseiro: em Portugal, parece que temos ciúmes dos gajos que têm sucesso. Fecha-te Sésamo!

João Miguel Carvalho

Nota: Este texto resulta de um exercício proposto pela docente Maria João Macário, no âmbito da unidade curricular de Escrita Criativa, do 3.o ano do curso de Comunicação Social, da Escola Superior de Educação de Viseu.