Cogumelos shitake de Cabanas de Viriato para o mundo

A terra onde está instalada a produção do cogumelo nobre shitake – oriundo do Japão e um dos mais cultivados no mundo -,  em Cabanas de Viriato, resultou do aproveitamento de parte de uma Quinta de família, onde se podem encontrar também nogueiras, e diversas espécies de árvores autóctones. ”A minha ideia foi fazer um aproveitamento das suas potencialidades”, conta ao nosso jornal Filipe Rodrigues, que identificou nesta variedade de cogumelo, que tem “cada vez mais apreciadores e consumo crescente”, uma boa oportunidade de negócio. Para o efeito, elaborou uma candidatura, entretanto aprovada, aos fundos comunitários e arrancou com o projeto. “O shitake enquadra-se perfeitamente na gastronomia da nossa região, sendo muito versátil em termos de combinações”. Exemplifica: “borrego, bacalhau e alheiras”, estas já desenvolvidas pelo Talho do Luís/Fumeiro Flor de Sal.

Na avaliação que efetuou, verificou que “temos aqui condições climatéricas propícias para este tipo de produção, com muita humidade, para assim se desenvolver o micélio”.

O método para fazer frutificar o fungo é injetá-lo nos troncos de madeira, depois de ser furada com uma broca específica. Madeira essa, que no caso deste produtor, é unicamente de carvalho “para atingirmos uma qualidade superior, inclusive em termos de aromas”, sendo cortada numa medida padrão, para melhor ser rentabilizada, incluindo facilitar a colheita. “Temos duas estirpes : uma mais de Verão, com cerca de 70‰ do total, e outra mais de Inverno, para assim termos oferta ao longo de todo o ano”, explica, dando conta que “demora entre 9 e 12 meses a dar o fruto para colheita, mas como em tudo na agricultura, é a natureza que dita as regras”. A previsão aponta para “largas centenas de kilogramas de produção anual, variando de acordo com as condições naturais”, com um preço médio estimado de 10€/kg. Relativamente à colocação no mercado dos cogumelos “existe um plano de negócios devidamente elaborado, que prevê o seu uso quer fresco, quer desidratado”. “A maior aposta vai ser a exportação, mas contamos também com a nossa região que acolhe muito bem cogumelos, como o míscaro e o tortulho”, acrescenta.

Em termos de mão de obra “não temos sentido dificuldade em contratar pessoal, e acabamos por dar ocupação a algumas pessoas”, conclui. 

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