“Borges da Silva está a engrossar para níveis inqualificáveis a sua corte política”

O Vereador do PSD, Joaquim Amaral, fez chegar à nossa redação o seu comentário sobre a nomeação de Luís Pinheiro para chefe de gabinete do Presidente da Câmara de Nelas : 

O Presidente da Câmara Municipal de Nelas continua a sua senda errática. Optou por um caminho profundamente marcado por uma assustadora e incontrolável espiral despesista que coloca seriamente em causa a sustentabilidade financeira do nosso Município. E, ao fazê-lo, está a comprometer decisivamente o nosso presente próximo e o futuro das gerações vindouras, pelas quais revela uma profunda desconsideração. A dívida não pára de aumentar, fixa-se em valores históricos, e o que faz o atual presidente? Implementa medidas de controlo orçamental? Não, continua a aumentar exponencialmente a despesa corrente e os custos com avenças, prestações de serviços e trabalhos especializados, bem como continua o esbanjamento do erário público num indecoroso e injustificável encargo com a sua enorme equipa política.

Podia ter aproveitado a destituição da sua vice para controlar custos, mas a sua natureza esbanjadora e o seu cariz impetuoso, que o levaram também a colocar na prateleira técnicos superiores de elevada competência, não lho permitiram. A autarquia dispõe de um quadro de pessoal qualificado, experiente e competente, que ainda recentemente foi dotado com a integração de mais trabalhadores.

Com este enquadramento, para quê contratar mais colaboradores? Para quê engrossar para níveis inqualificáveis a sua corte política? Porque razão continua a alimentar este monstro despesista que consome vorazmente o nosso orçamento?

Borges da Silva anunciou um “reforço” da sua equipa política, mais uma nomeação para juntar às inúmeras já existentes, como se de uma aquisição desportiva se tratasse. Justifica-se nas prerrogativas do poder que lhe é conferido e nos compromissos assumidos e sufragados, não mencionando no entanto, certamente por mero esquecimento, que não foi esta deriva despesista e de enxameamento de nomeações que apresentou ao eleitorado. O processo de descentralização usado como motivo e o teor da sua redação deixam-nos ainda mais apreensivos: se por cada área de competências necessitar de nomear alguém para o assessoriar diretamente, vai ter certamente de ampliar o espaço dos gabinetes.

Por outro lado, não podemos deixar de referir, e de lamentar, a profunda desconsideração e falta de confiança na qualificação do seu executivo e equipa política, justificando a contratação na necessidade de suprir uma tarefa que estava adstrita à veradora que cessou funções de permanência. Não podia ter sido distribuída por outro vereador?

Elenco cinco razões fundamentais para discordar veementemente de mais esta nomeação: Aumento da despesa e delapidação sem justificação do erário público; proporcionalidade para o meio; contratação desnecessária, os serviços da CMN têm gente qualificada e competente na área; ausência de fundamentação plausível, que não a de cumprimento de um compromisso político e uma tremenda falta de coerência política.

Dizer que, naturalmente, nada de pessoal me move contra a nomeação de Luís Pinheiro, nem a sua competência e experiência estão em discussão, razões iguais às que invoquei em outras nomeações políticas. Não se trata de uma posição emocional ou afetiva, é claramente uma decisão racional, sustentada no meu pensamento enquanto cidadão e um imperativo de consciência.

Resumindo, uma contratação de todo desnecessária, com contornos de mero pagamento de um compromisso eleitoral, com evidentes objetivos políticos de médio prazo, que resulta num enorme contrasenso por parte de quem vai assumir o cargo.

Camus também disse para não se esperar pelo juízo final, porque ele se realizava todos os dias e que “a grandeza do homem consiste na sua decisão de ser mais forte que a condição humana.”

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