Pardieiros (Carregal do Sal) um ano depois da tragédia

Morador vê grua chegar e enaltece o apoio dado pela Autarquia

Um ano após os maiores incêndios de sempre na Beira Alta, visitámos um das aldeias mais atingidas : Pardieiros, no concelho de Carregal do Sal. Um ano volvido, pouco foi feito em termos de reconstrução de casas de primeira habitação. Foram cerca de 20 moradias que ficaram em escombros.

Solicitámos ao presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal, o ponto de situação sobre este processo e ficámos a saber que três candidaturas aos apoios se encontram concluídas (freguesias de Oliveira do Conde, Beijós e Parada). Como os montantes das perdas “não eram de valor muito elevado, foi autorizado serem os próprios proprietários a liderar as obras, tendo já sido pagos os respetivos montantes”. “Sob a alçada da CCDRC, estão adjudicadas obras na Freguesia de Carregal do Sal (uma) e Beijós (quatro)”, detalha a autarquia.

Uma delas é precisamente em Pardieiros (Beijós). António Luís Gomes, de idade avançada, conta-nos que há mais de dois meses foi colocada uma grua pela empresa Embeiral, para a obra de reerguer a sua casa arrancar. Como refere no ofício que fez chegar à nossa redação, a autarquia declara que “as empreitadas não conhecem, ainda, a celeridade desejada”, esperando que tal venha a acontecer “no curto prazo”. António Gomes, quando em 14 de outubro viu o “inferno à porta de casa”, imediatamente sofreu danos físicos irreversíveis numa perna – uma viga atingiu-a, quando se encontrava em excelente condição física (ainda fazia trabalhos agrícolas). Desde outubro de 2017 que se encontra acolhido pelos serviços sociais da autarquia, alojado na Escola. Relata ao nosso jornal : “nada tenho a dizer em todo o apoio que me foi prestado, desde a assistente social, ao presidente de Câmara e Vereadores – só tenho bem a dizer -, não me tem faltado nada, desde boa alimentação, roupa e alojamento”. Sobre o futuro da aldeia é pessimista “com o fogo saiu muito gente, principalmente os mais novos, para as Vilas de Nelas e Carregal do Sal e não só”. “Isto está muito morto”, frisa, temendo que “muito poucos aqui irão ficar – antigamente vinham excursões de todo o lado pela Nª Sra. de Fátima e Santo Antão e agora vê-se muito menos gente de fora”. No rosto, apesar da tragédia, António Gomes tem estampado um sorriso e uma grande esperança no regresso para breve à casa onde sempre morou.

Falámos com mais moradores da Aldeia e verificámos que aproximadamente 10 das cerca de 20 casas que arderam, seriam de primeira habitação.

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