Joaquim Amaral defende novo modelo para a Feira do Vinho do Dão

O Vereador do PSD em Nelas fez chegar à nossa redação a sua intervenção na última reunião de Câmara :

A Feira do Vinho é, inquestionavelmente, um dos eventos maiores de promoção da nossa marca territorial, da atratividade e do potencial turístico e económico de excelência do nosso concelho e região. Sou e serei sempre um defensor confesso e convicto da sua realização e da sua melhoria contínua e evolução. E é também nesse sentido que gostaria de deixar ficar alguns apontamentos.

O modelo de desenvolvimento económico sustentável do concelho deve ter como prioridade maior a valorização das mais-valias e dos produtos endógenos, nomeadamente a vinha e o vinho, a gastronomia, o queijo e o azeite, em perfeita harmonização com a promoção da sua dimensão turístico-cultural: termalismo, turismo de saúde, lazer e bem-estar, enoturismo, turismo de natureza e turismo cultural.

Sou de opinião que é hora da Feira do Vinho dar um outro salto qualitativo e assumir um novo modelo organizacional, mais abrangente, aberto a outros parceiros, como os produtores, que promova um maior envolvimento estratégico dos diversos agentes na valorização da “fileira do vinho”. Fica a sugestão de se começar a trabalhar já na Feira do próximo ano, que possa também projetar as edições dos anos seguintes, criando uma comissão executiva pluridisciplinar do evento, liderada naturalmente pelo Município, mas que integre também diretamente os produtores, os seus representantes, que poderiam naturalmente mudar de edição em edição, em sistema de rotatividade. Os produtores são fundamentais para o sucesso do evento. É imperioso que sejam envolvidos na organização e planificação do certame no seu todo, que partilhem o seu conhecimento e o coloquem em prática ao serviço da melhoria contínua da Feira do Vinho. Mas também alargar e aprofundar a colaboração e o envolvimento da Comissão Vitivinícola Regional do Dão, a Turismo Centro, o Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão, concedendo-lhe a relevância e visibilidade que justamente merece, e a Escola Superior Agrária de Viseu, como lídimo representante do ensino superior e da sua vertente de investigação e conhecimento avançado no setor. Uma parceria estratégica, em rede, que vise promover, potenciar e valorizar o maior certame de Vinho do Dão da região, catapultando-o para a dimensão nacional e, progressivamente, para a sua internacionalização, convidando para o efeito agentes e especialistas que possam vir a ser parceiros fundamentais nessa estratégia.

Este novo modelo de organização é um passo decisivo que tem de ser dado já. Sinal dos tempos, a Feira enfrenta ameaças naturais decorrentes da replicação, com outras variantes, deste género de iniciativas.

É pois tempo de se ousar avançar com um novo modelo. Uma Feira que seja concebida de forma a rentabilizar a sua dimensão e procura na promoção e divulgação do vasto e riquíssimo património, natural e edificado, as termas, o enoturismo e a gastronomia local. Porque não, em estreita ligação com o setor da restauração, privilegiar uma gastronomia típica e local para apresentar no certame?

É fundamental que o evento inclua em paralelo iniciativas mais técnicas, mais direcionadas ao negócio, com a presença de críticos e profissionais da especialidade, mas também distribuidores e outros parceiros de negócios. Apostar mais em provas de harmonização, recuperar o espaço do queijo da Serra, dar maior visibilidade às Termas de Caldas da Felgueira; alargar o período para uma semana, mantendo a realização da Feira em si em 3/4 dias e os restantes com programas de itinerários turísticos, com visitas guiadas às quintas, às vinhas e às adegas, mas também ao nosso património e às nossas termas. Desta forma, rentabilizaríamos a dimensão e visibilidade do certame na projeção da fileira turística do nosso concelho.

Repensar os locais da restauração e melhorar as condições do Mercado, diversificar os registos dos espetáculos, apesar da sua elevada qualidade atual, mas também as manifestações culturais, recriar espaços para as crianças e jovens, são outros dos pontos a merecer uma atenção acrescida.

Finalmente, assumir, claramente como identidade e marketing territorial do Concelho, a marca de excelência: “Nelas, Coração do Dão”.

Estes são alguns dos contributos para que a nossa Feira do Vinho prossiga o seu desígnio de melhoria contínua e afirmação nacional.

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