“Já há fornecedores a cortar fornecimentos à Câmara de Nelas”

Manuel Marques foi candidato derrotado nas autárquicas de 2017, conseguindo contudo o melhor resultado de sempre do CDS/PP, no concelho de Nelas – posicionou o partido em segundo lugar, com mais de 2 mil votos. Cerca de um ano depois da eleição, concede-nos a sua primeira entrevista. Mostra-se atento à política concelhia, no desempenho do mandato de Vereador que assumiu, lançando duras críticas a Borges da Silva.

Comecemos pela atualidade. O Executivo PS acaba de aprovar mais um empréstimo de 2,4 milhões de euros. Que comentário lhe merece ?

Como é publicamente sabido, votei contra a aprovação de mais um empréstimo. Com este empréstimo foi ultrapassado o endividamento deixado em 2013, pela coligação PSD/CDS-PP. Esta operação vai reforçar aquilo que eu sempre disse enquanto Vereador da oposição no mandato 2013/2017 :  as contas da autarquia estavam a caminhar a passos largos para a ruína.

As acusações que foram feitas à coligação, que em parte serviram para que o atual presidente da câmara tivesse uma “vitória” em 2013, traduzem-se hoje numa deterioração das contas da autarquia. A verdade é como o azeite, vem sempre à tona da água.

Mas as populações do meu concelho que aguardem, porque coisas piores hão-se surgir, designadamente o triplo aumento da fatura da água, entre outras.

Situação Financeira. Ao que parece as finanças da autarquia já viveram melhores dias. Qual a análise e perspetivas, na sua opinião, para esta área ? O PS continua a referir, amiúde, a pesada herança dos oito anos da gestão PSD/CDS …

A situação financeira da autarquia colapsou! As avenças dos amigos, as festarolas, os ralies, as propagandas enganosas, só poderiam dar nisto.

Este executivo agravou a situação financeira da autarquia. Os fornecedores não podem faturar, o prazo médio de pagamento ninguém o sabe, fornecedores que já não prestam serviço ou vendem material à Câmara, por falta de pagamento. Até 2013, ninguém cortou o fornecimento à Câmara Municipal de Nelas e desafio o presidente da câmara a denunciar um.

Dossier Fornos Elétricos. O que considera estar na base da decisão do atual Executivo PS não fechar o negócio com a CGD ? 

Uma vergonha! Desde há muito que eu venho dizendo nas reuniões de Câmara, que o atual presidente deveria publicamente pedir desculpas às gentes de Canas de Senhorim. Pois tenho a certeza que o anúncio, antes das eleições de outubro de 2017, daquela compra, ajudou em muito na vitória do PS na freguesia de Canas de Senhorim.

Abençoada hora que na placa colocado no imóvel a anunciar a compra, lá foi escrito a palavra “mentira”.

A política não é feita desta maneira! Mas, com tudo isto cheguei a uma triste conclusão, não se ganham eleições com obras. Mas tão só com promessas e mentiras.

Só me resta um orgulho! Também na freguesia de Canas de Senhorim, deixei a marca da orientação das obras que me foram incumbidas fazer e da luta que pessoalmente travei para a construção das rotundas na EN-234.O que está na base para a não conclusão do negócio deve tão só e apenas ao estado de falência financeira que este executivo atirou a Câmara Municipal.

 Que avaliação global faz da gestão PS neste segundo mandato, decorrido que está um ano depois da tomada de posse, nomeadamente a recente saída de cena de Sofia Relvas ? 

 A gestão deste executivo simplesmente a classifico, como sempre, e desde a primeira hora, de ruinosa. Quanto à saída da Sofia Relvas, essa mesma saída está envolvida num grande nevoeiro e por essa envolvência leva-me a concluir o seguinte:

a) Incompatibilidade com o presidente da Câmara – será certamente o facto mais provável, dado ao histórico daquele edil. Ele não sabe trabalhar em equipa e por razões desconhecidas centra todo o poder em si. 

b) O descalabro financeiro da autarquia – de forma inteligente sai para não querer ficar ligado a ele

c) A última premissa e que para mim a condenável, é se a sua saída está relacionada com questões económicas e pessoais. Aconteceu isso comigo enquanto autarca em permanência e abdiquei disso tudo, dado que sempre considerei que o concelho está em primeiro lugar.

Como têm decorrido as reuniões de Câmara e Assembleia Municipal e o relacionamento com o PSD ?

 Mais do mesmo : “quero, posso e mando”. Este ano de primeiro mandato, remeti-me ao silêncio, sempre pensando que a “agulha virava” e que a gestão da Câmara trilharia outros caminhos, que o encharcar de pessoal político não aconteceria, que as avenças os ralies e as festarolas seriam mais comedidas, que as obras arrancariam.

Bem me enganei – a maioria no executivo só veio “rebentar” com o que é razoável.

Independentemente do que possa surgir no futuro, voltarei à ribalta para uma oposição construtiva e denunciar as questões nefastas para as populações.

Serei sempre a referência de 2100 eleitores e o CDS/PP, a segunda força política mais votada no nosso concelho de Nelas.

Ambiente. O famigerado grande desígnio do Edil de Nelas não irá passar de uma miragem, ou considera que vai ser plenamente concretizado neste mandato ? 

É efetivamente uma miragem! Aliás, ele prometeu que se no mandato anterior o problema do saneamento básico do concelho se não estivesse resolvido, não se candidataria em 2017 – mais uma mentira! Se o tema “palavra dada palavra, honrada”, fosse aqui aplicável, como o deveria ser, o presidente da câmara pelas inverdades que “pregou” às populações do concelho, só lhe restava demitir-se, como lhe referi na última reunião de Câmara.

E certamente com a sua demissão as populações e o concelho, teriam muito a ganhar.

Quais as vossas principais propostas para o desenvolvimento do concelho ? 

Proposta de índole social, como o apoio às construções do Lar de deficientes de Canas de Senhorim, Carvalhal Redondo e Centro de Dia de Vila Ruiva.

Pelo menos manter o número de habitantes do concelho, designadamente nas nossas freguesias e se possível aumentá-los, ao contrário daquilo que prometeu o atual presidente da Câmara, que várias vezes referiu que ia aumentar o número de habitantes em 2000 – o resultado foi zero. As políticas não serão feitas com a máquina de propaganda enganosa como está acontecer na nossa câmara, em que se pagam fortunas em avenças para o efeito.

E a grande proposta é o reequilíbrio financeiro da autarquia, tirá-la da situação financeira lastimável para onde foi e está a ser “atirada” por este presidente e seu Executivo.

Retomar também o aproveitamento dos funcionários da autarquia, valorizando-os como sempre os fiz nas intervenções de obras no nosso concelho, ao contrário deste presidente que os preteriu a favor dos serviços externos, das avenças e das empreitadas.

 

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