Marcelo Rebelo de Sousa nas comemorações dos 110 anos : “O Dão reinventa-se permanentemente”

O Presidente da República enalteceu hoje a “reinvenção permanente” dos viticultores das regiões demarcadas do Dão e dos vinhos verdes, salientando a importância do setor para economia, a cultura e a “ligação às comunidades” além-fronteiras.

A discursar na cerimónia que assinala os 110 anos da criação das regiões demarcadas do Dão e dos Vinhos Verdes, no Palácio da Bolsa, no Porto, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que o produto vitivinícola português mudou com os anos e “mudou para melhor”.

“Reinvenção permanente, é sobre esse signo que aqui estamos hoje”, salientou o chefe de Estado.

Depois de lembrar como foi uma “decisão difícil” para o Governo de então a demarcação das duas zonas vitivinícolas, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que, “para além dos regimes e dos governos, todos os dias, em períodos de expansão e de crise” é a “capacidade de cooperação, a de capacidade de reinvenção” do setor que se destaca.

“Na mensagem de ano novo desafiei os portugueses a reinventarem-se, a reinventarem Portugal. E a vossa tarefa diária é de reinvenção”, apontou.

Referindo-se à Região Demarcada dos Vinhos Verdes, com a qual declarou ter laços familiares, o Presidente da República apontou “a evolução experimentada ao longo das décadas”.

“O que mudou, e mudou para melhor, o que era e o que é. O que era e é em qualidade, na produção, na distribuição, na projeção do mundo, e o mesmo se diga da região do Dão. Como se soube reinventar, como se está a reinventar a cada dia que passa”, afirmou.

O chefe de Estado apontou ainda a importância do vinho para o país, explicando que com sua presença no evento quis “representar o muito que Portugal deve àqueles que contribuem para a afirmação da sua identidade, para o sublinhado da sua cultura, para o progresso da sua economia através das exportações, e ligação da comunidade lá fora”.

Marcelo Rebelo de Sousa deixou por fim um apelo e mais um agradecimento aos representantes do setor.

“Aqui estou para vos agradecer e incentivar, incentivar para mais 110, e mais 110, e mais 110, sempre ao serviço de Portugal”, acrescentou

Lusa

Cartão de Cidadão do Dão

In : Observador

Falar no Dão é falar em vinhos elegantes e equilibrados, sem demasiada cor ou demasiado álcool. Aromáticos também. Com potencial de guarda por causa dos taninos e frescos na boca. Arlindo Cunha, presidente da CVR do Dão, traça o perfil dos vinhos tendencialmente gastronómicos que, em tempos, não encontravam concorrência de maior. A política agrícola imposta pelo Estado Novo — que olhava para o vinho como um alimento agrícola, sendo, por isso, vendido mais barato — e a entrada na CEE — que permitiu a regiões como o Alentejo converter muitos hectares em vinha –, no final dos anos 1980, contribuíram para que a região sofresse um impacto negativo e demorasse a reagir. Diz Arlindo Cunha que, à data, o Dão “não estava habituado a concorrência no segmento de vinho de qualidade”. O Dão emergiu assim que os produtores de maior e média dimensão arregaçaram as mangas e começaram a reestruturar as vinhas: foram plantadas vinhas novas, trabalhadas exposições diferentes e as castas típicas da região jamais foram abandonadas. “Temos 64 castas que estão cá há muitos anos”, explica ao Observador. Uma nova geração de profissionais também contribuiu para o progresso. “A pouco e pouco, o Dão saiu do fundo do poço e o consumidor foi-nos descobrindo.” Há dois tipo de uva que servem de bandeiras. A muito conhecida touriga nacional, nas castas tintas — que, segundo Arlindo Cunha, vem de uma aldeia chamada Tourigo, no Dão — e a malvasia e o encruzado, nas brancas. O encruzado, muito mineral, está a ser alvo de um cada vez maior interesse pelos críticos e consumidores, devido à sua versatilidade quando à mesa e à capacidade de guarda.

O Dão em números:

Existem cerca de 20.000 hectares de vinha para 16 mil produtores ;há quatro adegas cooperativas na região, de dimensão razoável, que representam cerca de 40% de toda a produção ; o Dão divide-se em 7 sub-regiões e produz anualmente entre 30 a 40 milhões de litros, metade é vinho certificado ; cerca de 40% dos vinhos certificados são exportados para 74 mercados, incluindo 26 países da União Europeia ;nos últimos quatro anos assistiu-se a um aumento de 45% de vinho certificado ; entre janeiro e agosto de 2018, as vendas do vinho certificado cresceram 12% em relação ao período homólogo do ano passado ; em 2018, devido à primavera muito chuvosa e ao escaldão na primeira semana de agosto, ter-se-á perdido entre 20 a 25% da produção.

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