11 meses depois de Outubro

A Maavim, 11 meses após os incêndios, continua no terreno a ajudar as populações afetadas pelos incêndios de Outubro de 2017.

Através da Maavim, foram sinalizadas mais de 3000 famílias, que foram ajudadas com diversos bens nos diversos concelhos de: Tábua, Oliveira Do Hospital, Arganil, Góis, Seia, Gouveia, Nelas, Carregal do Sal, Tondela, Santa Comba Dão, Mangualde, Penacova, Vila Nova de Poiares, Lousã, Vouzela e Oliveira de Frades.  

É neste âmbito que nós existimos, porque tudo falhou.

– Continuamos a esperar por medidas que não saem do papel e são tão impossíveis de concretizar, como acabar com o flagelo dos incêndios. 

As populações afetadas pelos incêndios de Outubro, precisam de ajuda urgente do país e dos apoios aprovados em assembleia da República, com a sua aplicação urgente. 

– Das mais de 2000 habitações de 1ª habitação ardidas, poucas mais de 400 foram adjudicadas e outras tantas contam com apoio financeiro. São centenas as recusas para apoiar as famílias que perderam as suas habitações permanentes, muitas das vezes com a desculpa da legislação e dos planos de ordenamento, quando a lei obriga a se arranjar uma solução para residir… 

– Das mais de 5000 2ªs habitações ardidas, nada ainda saiu de apoio, a não ser algumas autarquias que tentam com os seus poucos recursos ajudar a não perderem mais gente no seu território. 

As infraestruturas danificadas e o património não foi ainda alvo de preocupação e a região parece acabada de sair de uma guerra. 

– Existem mais de 1000 imigrantes afetados pelos incêndios de Outubro, dos quais cerca de 300 não têm direito à sua habitação que perderam, por mais vulnerável que fosse. Famílias com muitas crianças que trouxeram vida a muitas aldeias já envelhecidas e desertas, onde recuperaram casas abandonadas à muito tempo. Existem aldeias que têm já mais população do que à 20 anos atrás, derivado aos estrangeiros que escolheram Portugal como o seu país para viver. 

– A Indústria afetada pelos incêndios, que por si só já é penalizada, por estar no interior, pois tem mais custos concorrencialmente com outras regiões do país, ainda pouco mais de 15% dos valores aprovados recebeu. Existem programas de apoio que ainda estão em análise e que têm valores de dotação orçamental muito insuficientes para o que é necessário, para reabilitar todas as zonas afetadas pelos incêndios de Outubro. 

– As vítimas que agora precisam de auxílio médico, foram na sua maioria abandonadas, precisando de apoio para adquirir medicamentos e até apoio psicológico.

– Das mais de 50000 pessoas afetadas com percas na agricultura, milhares ficaram fora do seu apoio, por variados motivos, e se em Pedrogão tiveram mais de 3 meses para preparar os seus pedidos, as populações de Outubro nem um mês tiveram. A desculpa era que, para pagar rápido tinha de ser assim, lembramos, antes do Natal, mas isso não aconteceu. Milhares ficaram de fora…

Aguardamos passados 11 meses, para que tenhamos as mesmas medidas de apoio que Pedrogão. Para que as populações do Algarve, de Mação e de outros concelhos afetados tenham todas as mesmas medidas e apoios. Esperemos que não continuem a ignorar a tragédia do dia 15 de Outubro.

Não compactuamos com a CCRDC e o Ministério da Agricultura que abandonou a região e está a passar um atestado de incompetência às autoridades locais e á população local.

Foram rejeitados pedidos de ajuda a mais de 3000 Agricultores e habitação permanente a mais de 500 famílias. Sempre com as desculpa esfarrapadas dos prazos e dos documentos..

Nesse sentido irão ser tomadas medidas e dias de reivindicação das várias competências até dia 15 de Outubro de 2018, quando faz exatamente 1 ano após os incêndios.

A recomendação para abrirem os apoios à Agricultura não foi acatada pelo governo, e o mesmo continua a ignorar as provas no terreno. 

A petição colocada em Abril de 2018, está já em análise na Assembleia da Republica.

Os programas de apoio, são na sua maioria virtuais, quer para a Agricultura, quer para a Floresta, não respondendo à realidade urgente de reconstruir vidas perdidas num dia. São apresentados milhões, como que se de uma campanha política se tratasse.

NUNO PEREIRA

Porta-Voz MAAVIM

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